Coleção pessoal de ivo_pereira
Não se entristeça se nem todos sabem receber, o amor verdadeiro não se mede em retorno.
O que você doa com ternura
e paixão volta suavemente,
Feito abraço ao luar.
Ser amor é a sua essência mais pura,
como o sol beijando a pele em manhã calma.
Tudo que você entrega de coração aberto faz o mundo e quem ama mais bonito e inteiro.
Não me importa se às vezes não recebes, meu amor é chama que
não se apaga, queima mesmo na distância, e retorna a mim em
doces lembranças tuas.
Ser amor é minha essência, minha verdade, como o sol que incendeia a manhã e o céu.
Tudo que te dou de mim, sem medo nem freio, faz do mundo e de nós um lugar ardente e inteiro.
“Bunker”
No silêncio do nosso bunker,
teus olhos são a luz
que atravessa a escuridão,
e cada abraço é muralha e proteção,
onde o mundo lá fora se esquece de nós.
Entre paredes que
guardam segredos,
sussurros se tornam
promessas eternas,
e o tempo se dobra ao nosso desejo,
como se cada segundo fosse só nosso.
Mesmo que tempestades
Tentem invadir,
aqui dentro,
teu amor é refúgio e abrigo,
e cada batida do meu coração confirma:
não há fortaleza maior do que estar contigo.
Me infiltro
Me infiltro nos cantos do teu mundo,
entre risos e gestos que se escondem sem querer.
Busco provas do teu afeto profundo,
e cada detalhe teu me faz renascer.
Entre palavras soltas
e olhares discretos,
sigo pistas que só o coração
pode ler.
Cada segredo teu me deixa
mais completo,
cada suspiro é um mapa
que quero conhecer.
No fim da busca,
não há mistério ou distância,
apenas a verdade
Que pulsa entre nós.
O maior achado da minha persistência
é o teu amor, silencioso,
Que me conduz.
Dentro de mim
Dentro de mim guardo teu abraço,
como segredo que aquece a noite fria, como perfume que insiste em ficar, mesmo quando o vento tenta levar.
Dentro de mim ecoa tua voz,
melodia suave que acalma e seduz,
faz meu peito dançar sem música,
faz meus olhos sorrirem sem razão.
Dentro de mim floresce teu amor,
sutil, mas forte como raiz de árvore antiga, e mesmo que o tempo tente apagar, ele cresce, silencioso,
sempre encontrando caminho até você.
Confiança
Confiança é fio invisível,
tecido em gestos pequenos e verdadeiros.
Quando se rompe, não faz barulho —
mas deixa o silêncio pesado entre dois corações.
Quebrar a confiança é como derramar um copo d’água
no chão da alma: não volta para o lugar.
Fica o medo, a dúvida, o cuidado excessivo,
e a pergunta que insiste em ficar.
Reconquistar é caminhar devagar,
passo por passo, sem exigir pressa.
É provar com atitudes o que as palavras falharam,
até que o fio, aos poucos, volte a sustentar o amor.
Quando Amar é Calar
Há amores que não se contam,
há amores que não se compartilham,
há amores que vivem em segredo,
há amores que marcam,
e há amores que temos
medo de enfrentar.
Medo de a amizade acabar,
medo de tocar no que sustenta,
pois há amores que o tempo entrelaça, e outros que o tempo,
em silêncio, desentrelaça.
No fim,
amar também é escolher o silêncio,
quando o coração grita por coragem,
mas a alma entende
que certas verdades mudariam tudo.
A dona dos meus dias
A dona dos meus dias chega sem aviso, faz do tempo um lugar
mais lento e bonito.
Quando sorri,
o mundo aprende a respirar,
e tudo em mim encontra
um motivo pra ficar.
Ela mora nos detalhes
que ninguém vê:
no silêncio que conforta,
no jeito de entender.
É porto seguro em meio à confusão,
é calma vestida de amor,
batendo no meu coração.
Se um dia eu me perder nas curvas da vida, que seja nos braços dela, minha direção escolhida.
Porque amar assim
não é acaso ou poesia:
é destino escrito
— ela, a dona dos meus dias.
Se um dia o tempo me faltar,
que reste ao menos a certeza:
fui inteiro por alguém
que foi, sem saber, a dona dos meus dias.
Quebra-cabeça raro
Meu coração é uma caixa antiga,
dessas cheias de segredos e fechaduras falsas.
Não se abre com força, nem com pressa,
exige paciência, silêncio e tentativa.
Cada erro ensina, cada pausa revela
que amar aqui é decifrar, não invadir.
Há códigos escondidos nos meus gestos,
pistas espalhadas no jeito que eu fico,
nas palavras que digo pela metade.
Quem me ama precisa montar peça por peça,
aceitar que nem todo encaixe é imediato
e que algumas respostas só surgem
depois de muito sentir.
E quando alguém, enfim, entende o enigma,
não encontra facilidade —
encontra verdade.
Porque meu amor não é simples,
é um quebra-cabeça raro:
cansa, desafia, confunde…
mas quando se completa,
faz todo o esforço valer a pena.
Há segredos escondidos nas suas pausas,
senhas disfarçadas no jeito que me olha.
Nada se abre à força —
é preciso errar, voltar, tentar de novo.
Como todo quebra-cabeça raro,
o valor não está na resposta,
mas no tempo que a gente aceita gastar.
Você é um enigma deixado sobre a mesa do meu peito, uma caixa antiga sem manual, cheia de símbolos que não se repetem.
Cada gesto seu muda a ordem das peças, e eu quebro a cabeça, não por falta de entender, mas porque decifrar você exige mais sentir do que pensar.
A senha do coração
Meu coração não abre com promessas,
ele pede gestos pequenos,
como quem gira a chave devagar
para não acordar o passado.
Cada batida é um código vivo,
feito de silêncios respeitados
e presenças que sabem esperar.
Quem tenta forçar a entrada se perde,
porque aqui amor não é invasão,
é reconhecimento.
É saber ler os sinais nas entrelinhas,
tocar sem ferir,
ficar sem possuir,
como quem acende uma luz
e não apaga a sombra.
E quando alguém descobre a senha,
não encontra um prêmio —
encontra responsabilidade.
Porque amar meu coração
é aceitar suas rachaduras como janelas,
seu medo como aviso
e seu amor como casa:
não se entra para passar,
entra-se para permanecer.
É você...
É você quando o mundo pesa
e alguém fica.
Quando o silêncio ameaça me engolir
e uma presença basta para me lembrar
que ainda existe chão sob os pés.
Você não chega fazendo barulho,
chega ficando.
É você quando me entende sem tradução,
quando segura minha mão
antes mesmo de eu pedir ajuda.
No meio do meu caos,
é abrigo.
No meio das minhas dúvidas,
é certeza tranquila,
daquelas que não precisam prometer nada.
E talvez seja isso que mais importa:
você não me salva —
me acompanha.
Não me ensina a viver,
vive comigo.
Veio sem aviso, sem plano, sem pressa…
e ficou,
como quem escolhe todos os dias.
Há um lugar
Carrego uma terra inteira dentro do peito, não feita de mapas,
mas de lembranças que
insistem em voltar.
Há um lugar onde tudo soa mais vivo, onde o vento sabe meu nome
e o silêncio não pesa.
Aqui, as coisas existem,
mas não me reconhecem.
O céu é o mesmo, dizem,
mas não brilha igual ao
que mora em mim.
Sinto falta até do que nunca toquei,
porque a ausência também aprende a criar raízes.
Que eu não me perca antes de voltar,
nem desaprenda o caminho daquilo que me forma.
Que eu ainda veja,
nem que seja por dentro,
o lugar onde meu coração repousa.
Porque há saudades que não pedem distância —
pedem reencontro.
Me pergunto
Às vezes me pergunto se sou escolha ou consequência,
se minhas paredes foram erguidas por mim
ou levantadas à força pelas mãos que partiram.
Não sei se sou frio (a),
ou se apenas aprendi a não queimar mais por ninguém.
Não sei se gosto do silêncio
ou se ele foi a única resposta quando precisei falar.
Talvez eu não seja forte —
talvez só tenha continuado
porque parar
ninguém percebeu que doía mais.
Entre pedidos não atendidos,
fui virando ausência dentro de mim.
E se no fim eu não for vazio (a),
apenas cheia demais de marcas?
Não feita de falhas,
mas moldada por tudo que sobrevivi.
Talvez eu não seja o que me tornei —
talvez eu seja o que restou
depois que o mundo tentou me quebrar.
Um silêncio
Carrego um silêncio que pesa mais que o barulho do mundo.
Dentro dele, as palavras se empurram, se confundem, se escondem.
É um caos quieto, um incêndio sem fumaça,
onde pensar demais vira cansaço
e sentir demais vira solidão.
Às vezes escrevo não para ser entendido,
mas para não explodir por dentro.
Guardo frases que nunca disse,
confissões que nunca tiveram coragem de sair.
Não é medo de falar —
é o receio de ser lido pela metade.
Talvez um dia alguém leia além das letras, escute o que não foi dito,
entenda o silêncio como idioma.
E fique.
Não para me consertar,
mas para permanecer enquanto eu aprendo a existir em voz alta.
