Coleção pessoal de GVM

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Na roça

Curtindo uma vida pacata
com essa gente hospitaleira
sentindo o cheiro da mata
ouvindo o som da cachoeira
e um cafezinho na hora exata
borbulhando na chaleira.

Dor doída.

Temos que pensar na vida
sem pensar no sobrenome
quando existe uma ferida
é tratando que ela some
nunca vi dor tão doída
quando a dor chamada fome.

Plantar.

É bonito a terra arada
o contato com o chão
o sertanejo e a enxada
pelo bem da plantação
sentir a pele suada
e o calo brotar na mão.

Nordeste.

O nosso amor é infinito
a tua beleza me seduz
viver aqui é um requisito
permitido por Jesus
por ser o filho mais bonito
que a mãe natureza deu a luz.

Nada fez.

A seca a tempo afronta
vem mais forte desta vez
o sertanejo junta a conta
empilhada a cada mês
a solução não está pronta
quem faria... nada fez.

Brota.

O nordestino e o seu valor
na enxada não se cansa
na seca, na fome, na dor
na lágrima de uma criança
mas quando brota uma flor
também brota a esperança.

Um forte.

Essa é a nossa trajetória
a seca, a fome e a morte
a sobrevivência é a glória
que transforma fraco em forte
o nordestino faz a história
não espera pela sorte.

Aconchego.

Uma casa arborizada
um olhar e um balanço
o cheirinho da namorada
um abraço e um avanço
uma rede bem armada
um sorriso e um descanso.

Aqui é Nordeste.

Quem fala mal do nordeste
é só da boca pra fora
pois conta mês, dia e hora
pra fugir lá do sudeste
vem numa pressa da peste
sentir as ondas do mar
o ar puro da natureza
e se encantar com a beleza
que não existe por lá.

Temos nome.

Eles esquecem que temos nome
essas terras não tem mais dono
a seca que nos consome
vai da primavera ao outono
bem maior que a nossa fome
é o desprezo e o abandono.

Todo nó que a vida engata...
o nordestino desata.

Mesa farta.

Uma mesa farta para os meus
com diversidade no sabor
que seja farta para os seus
e para esse povo merecedor
primeiro se agradece a Deus
em segundo ao agricultor.

A lama.

Vejo com muita tristeza
tanta vida massacrada
ver morrer tanta riqueza
a vida humana desprezada
assassinaram a natureza
e quem pode não faz nada.

Vida no campo.

Isso que é vida decente
o que eu chamo de riqueza
quando Deus está presente
ser feliz é uma certeza
perto do amor da gente
no coração da natureza.

Minha terra.

Ouço o canto do azulão
transmitindo confiança
o meu pedacinho de chão
não sai da minha lembrança
das manhãs do meu sertão
que plantei tanta esperança.

O meu cuscuz.

No nordeste é talismã
a mais nobre iguaria
todo nordestino é fã
dessa fonte de energia
no meu café da manhã
o cuscuz tem todo dia.

Meu cantinho.

Não preciso de mansão
nem de lugar badalado
não quero ter um milhão
me contento com trocado
basta um pedacinho de chão
e a patroa do meu lado.

A sertaneja.

A chuva que se deseja
por aqui anda pequena
mas a oração na igreja
permanece firme e serena
assim é a vida da sertaneja
é dura, mas... vale a pena.

Plantar!!!

Se vê uma florzinha molhe
porque ela nos encanta
se não molha ela encolhe
e se encolhe não levanta
porque a gente só colhe
aquilo que a gente planta!

Céu azul!!!

Vejo o azul da cor celeste
abrilhantar o firmamento
quem na terra investe
colhe o fruto do sustento
e o que seria do nordeste
sem a força do jumento!!!