Coleção pessoal de GVM

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Outro começo.

É bom começar o ano
com força e vitalidade
sem erro, sem desengano
buscando a felicidade
realizando cada plano
respeitando o ser humano
com amor e amizade.

Pensamento novo.

Pra esse ano o que penso
é que a paz prevaleça
o amor continue imenso
pra que toda mão agradeça
que o respeito seja intenso
e que nunca falte um lenço
pra cada lágrima que desça.

Novos tempos.

Sertanejo meu irmão
meu amigo de verdade
tenha fé no coração
onde não entra maldade
a chuva tem compaixão
e este ano nosso sertão
será a sua prioridade.

Um novo ano!

Que esse ano se plante
e que brote todo grão
e que cresça verdejante
cada palmo deste chão
que a seca fique distante
e a água seja constante
pelas terras do sertão

Sua benção.

O respeito aqui é demais
no nordeste é tradição
o menino vira rapaz
a menina um mulherão
mas não esquecem jamais
e pedir a benção aos pais
vem da nossa educação.

Nordeste.

Nordeste do meu oxente
das praias o esplendor
do vaqueiro mais valente
do sertão acolhedor
do cuscuz e o café quente
da terra brota a semente
de um povo trabalhador

Ardor.

O sertanejo lamenta
por este chão sofredor
que a seca traz violenta
derrete o pasto em calor
sem ter o grão que alimenta
nenhuma terra sustenta
um talo ardendo de dor.

Resistência.

Te peço chuva Senhor
que a terra está tão sofrida
sem água não nasce vida
sem vida não nasce amor
me manda um pé de flor
pra que eu enfeite meu jarro
minha casinha de barro
já não suporta o calor
é tanta gente indo embora
e eu resistindo na tora
me contorcendo de dor.

Fé em Deus.

Hoje amanheceu chovendo
Aqui na minha cidade
Agradeço ao meu Senhor
Tamanha felicidade
Se você pedir e crer
Ele vai te atender
Vai cair chuva a vontade

Eu creio que o nosso Deus
Ouve as nossas orações
Nesses dias eu vou ver
Os relâmpagos e trovões
Obrigada Senhor Deus
Que não esquece os seus
E ouve nossas petições.

Repartir o pão.

Nem todos do sertão
tem comida ao seu dispor
na mesa de cada irmão
se divide a mesma dor
se puder repartir o pão
dobre os joelhos no chão
e agradeça ao Nosso Senhor.

Mudança.

Se o tempo não for arisco
e o bom vento soprar
o sertanejo vira o disco
pra ver a chuva chegar
abastece o São Francisco
e o sertão não corre o risco
da seca lhe devorar.

Permissão!

Não me canso de esperar
a chuva que tanto chamo
na terra seca de rachar
quase não se vê um ramo
Deus permita ela chegar
que eu não precise deixar
o nordeste que tanto amo.

Filho do sertão.

Agradeço pelo que tenho
conquistei por trabalhar
fui embora do engenho
sem ver a chuva pingar
do suor do meu empenho
sempre que posso venho
pro sertão que é meu lugar.

Seca e honra.

A seca traz sofrimento
a chuva nem piedade
o verde se foi no vento
o gado deixou saudade
da vida sobra o lamento
de onde falta alimento
mas sobra dignidade.

Fico!

Eu não quero ir embora
a seca quer me expulsar
não tem vida que vigora
sem ter nada pra plantar
desse jeito a terra chora
e eu procuro uma escora
onde possa me sustentar.

Minha escola.

Meu tempo de colegial
o ensino era de valor
o recreio era especial
e a merenda tinha sabor
cuscuz, sopa e mingau
cantava o hino nacional
e respeitava o professor.

Natal Nordestino.

Que o Natal seja presente
num Ano Novo de luz
que siga permanente
a presença de Jesus
que jamais falte pra gente
um copo de café quente
e um prato de cuscuz.

Que o Natal seja presente
num Ano Novo de luz
e que siga permanente
a presença de Jesus
que jamais falte pra gente
um copo de café quente
e um prato de cuscuz.

Política podre!

Eles não respeitam a vida
por mais que seja singela
jogam sal numa ferida
que não sara sem sequela
a cada dia mais perdida
numa política apodrecida
entre o pão e a mortadela.

Meu chão!

É com a enxada que puxo
a semente pra esse chão
não trabalho pra ter luxo
basta o dinheiro do pão
tenho a terra que repuxo
boto a comida no bucho
e agradeço ao meu sertão.