Coleção pessoal de Guellor1996

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A independência territorial sem independência espiritual é liberdade pela metade.

O ambiente de trabalho molda mentes. Quando ele é tóxico, até os sonhos mais fortes se paralisam.

A industrialização trouxe progresso, mas também desigualdades que sufocam a criatividade nacional.

A verdadeira melhoria técnica na indústria consiste na capacidade de adaptação às constantes transformações do setor industrial.

Todos pecamos, ainda que habitemos uma terra santa.

Somos todos pecadores nessa terra santa.

É no tempo que o destino se revela

Os que ousam pensar em tudo ao mesmo tempo costumam ser chamados de loucos.

A Fome

A fome…
Agora todos reconhecem a tua presença.
Negar-te no rosto do povo é pura indiferença.
Levas contigo a nossa alegria,
Enquanto impostos nascem em nome do progresso —
Mas já duvidamos da promessa chamada esperança.

Angola,
Mais uma vez te escrevo,
Não para acusar,
Mas para aliviar a alma cansada.
Há dias em que somos tentados...
Não sabemos mais se a honestidade ainda salva.
A fome invadiu os nossos bairros,
Descontrolada, feroz —
Alguém que a dome!

Tiraste-nos a dignidade,
E agora rondas as nossas casas como um espírito sombrio.
Pagaremos mais impostos...
Quem sabe assim desapareces.

As igrejas transbordam nos nossos bairros —
Ó Deus,
Agora nos alimentamos apenas pela fé!

Mas mais do que a fome,
São esses pensamentos que me matam.

Ser Homem

O desenvolvimento pessoal, profissional ou familiar está diretamente ligado aos passos que um homem decide tomar ao longo do seu percurso. Tudo depende das suas escolhas, metas, objetivos e, acima de tudo, do seu poder de decisão.

Parte da nossa vida como homens exige que ajamos como máquinas programadas para cumprir um propósito bem definido. É essencial estabelecer com clareza o que é realmente importante e o que é apenas momentâneo.

Um homem deve ser capaz de colocar uma “cortina” sobre sua vida — pois exposição deve ser do sucesso, não do processo. Nem todas as metas precisam de fotos, curtidas ou aplausos. Há conquistas que pedem silêncio.

É preciso desenvolver a capacidade de se autoaplaudir, de enxergar o futuro com coragem e visão. Visualizar desde já a carreira que deseja construir, a vida que quer viver, a casa onde sonha morar, os filhos que quer criar, a mulher com quem deseja caminhar, o carro que quer dirigir...

Nenhum homem nasceu apenas para satisfazer a si mesmo ou viver para os próprios desejos. Sucesso e prosperidade são frutos da constância nos hábitos, e esses hábitos moldam o destino.

O sucesso é consequência direta dos atos do presente. E cultivar a resiliência é peça fundamental no processo.

Haverá quedas. E muitas vezes, serão dolorosas e difíceis de suportar. Mas nesses momentos, pare. Descanse. Avalie-se. Encontre onde errou, o que precisa ser excluído e o que deve permanecer.

Renasça quantas vezes forem necessárias. Há versões dentro de você esperando para emergir — e uma delas carrega o teu sucesso.

Religião: A Prisão Invisível do Espírito Africano

A religião tornou-se, para muitos africanos, uma prisão social e mental — uma das mais engenhosas ferramentas de controle psicológico já criadas pela mente humana. Trata-se de uma estrutura altamente organizada, perpetuada de geração em geração, que se infiltrou profundamente no tecido espiritual do continente africano.

Supostamente concebida para conectar o homem ao divino, a religião transformou-se em uma máquina de manipulação. As nações que dominam o mundo transcenderam os limites dessa ferramenta e passaram a usá-la como instrumento de poder, fazendo-se de "Deus" diante dos povos. Cada religião traça um caminho diferente, mas todas afirmam levar ao mesmo destino — enquanto vivem em profunda discordância umas com as outras. Essa contradição destrói o verdadeiro sentido da adoração.

As principais religiões do mundo nasceram da dúvida, do ceticismo, das divisões internas e da fragmentação de conceitos outrora universais. No processo, os africanos perderam sua soberania espiritual, abandonaram suas raízes, suas crenças e a sabedoria ancestral. A religião se opôs às nossas culturas, negou a nossa essência e nos forçou a adorar o "deus do opressor".

Abençoaram a colonização. Abençoam as guerras. Conflitos de interesses são hoje interpretados como profecias. Sacrifícios se tornaram justificáveis para manter domínios, criar impérios ou sustentar a própria existência. "Nação se levantará contra nação", dizem — como se o fim fosse bíblico. Mas esse fim é, na verdade, o reflexo direto dos conflitos que a própria religião ajudou a instaurar.

O que é o fim, senão o momento em que uma criança vê seus pais tombarem sob balas perdidas, sua casa virar cinzas, sua cidade se tornar ruínas, seu bairro infestado de corpos sem vida? Tomam suas terras e dizem que foi vontade divina.

Matam, torturam, violam direitos humanos — tudo em nome da fé. Justificam o mal com supostas doutrinas do bem. E esses mesmos atos continuam a vigorar sobre a Terra até hoje.

Nossos mais velhos esgotaram suas forças em busca de uma salvação prometida. Trabalharam pelo "Reino dos Céus", mas herdaram pobreza e fome como recompensa. Sofrem. E hoje, muitos apenas esperam — esperam que, um dia, esse Reino finalmente chegue.





Todos nós carregamos perdas e tristezas — seja pela inocência, seja por escolhas equivocadas. Sonhos se despedaçam ao longo do caminho, dando lugar a novas metas e ambições. Reconstruir o coração é dar a si mesmo a chance de recomeçar, de lutar outra vez. Cada um viveu dores únicas, e a verdadeira empatia está em respeitar as diferenças e as escolhas de cada um.

A sociedade fez da soberba seu amor, e dos rostos pintados, seu padrão de valor.

O mundo te rouba a inocência, não por necessidade, mas por prazer.

Pelos caminhos da inocência e da pureza, as crianças nos lembram do sagrado que habita o ser.

Permaneça presente: observe a sua mente como quem contempla o céu.

Muitos hábitos primários ainda persistem na nossa geração

Os sentimentos são tão complexos quanto compreendê-los. No teu sorriso, encontrei a centelha da compreensão — e a tua alma, essa, foi além dos limites que minha mente alcança.

POR ANGOLA

Angola está a tornar-se cada vez mais diversa, racial e culturalmente. Neste cenário de transformação, nós, angolanos, temos o dever de preservar e valorizar a nossa identidade cultural. É urgente desfazer os conceitos enraizados de incapacidade criativa e de limitação no desenvolvimento individual e coletivo.

Ainda vivemos sob formas sutis de colonização moderna. O chicote desapareceu fisicamente, mas os mecanismos de dominação e o sentimento de superioridade por parte do antigo colonizador persistem — visíveis nos seus atos e discursos. É nossa responsabilidade romper com essas correntes invisíveis e garantir que as próximas gerações se levantem com consciência, coragem e dignidade.

Angola é NOSSA por Direito Natural. E cada um de nós é essencial para a construção de uma nação próspera. Lutar por Angola é lutar por nós mesmos. Por isso, que cada gesto, cada palavra e cada ação sejam sementes de liberdade, unidade e progresso.

“Estudar e frequentar a escola ou a faculdade é um padrão social. O mais importante é ter a capacidade de aprender e colocar em prática. É isso que realmente define o teu sucesso.

Depois de assistir ao show comunitário promovido pelo Estado no nosso bairro, percebi com tristeza que liberdade e igualdade, para nós, são apenas cenários montados — uma ilusão encenada diante de quem já perdeu a esperança.