Coleção pessoal de GuaxinimJZ

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Eu sei que sou só mais um tentando entender a própria luz, mas tem algo em mim que insiste, que acende, que se recusa a apagar, como se eu ainda pudesse ser o último guardião de tudo que não merece ser esquecido.

Tem dias em que eu me pego observando as pessoas correndo atrás de nada, e penso que talvez minha resistência seja justamente essa: continuar devagar, consciente, mesmo quando o mundo grita pra eu acelerar.

Às vezes eu sinto que minha mente trava no meio da pressa do mundo, mas é justamente aí que a palavra me salva, porque ela me puxa de volta pro lugar onde eu ainda existo inteiro.

Eu cresci vendo as coisas importantes virarem poeira, e hoje sinto que minha luta é segurar, com as duas mãos, aquilo que ainda tem peso, mesmo quando todo mundo corre pra esquecer.

Carrego uma sensação estranha de que eu caminho num mundo que desaprendeu a sentir, e por isso eu escrevo, porque é o único jeito de não deixar minha alma virar ruído no meio do barulho.

O Último Poeta do Mundo
Guaxinim JZ
17 Nov. 2025 | 21:13


Vivo entre dois mundos, meio preso, meio solto,
carrego duas rotas, cada passo é torto.
Clarice diria que há um silêncio que me atravessa,
e Racionais lembraria que cada rua também me testa.


Cresci vendo os livros virarem fumaça no ar,
o povo trocando páginas por telas pra deslizar.
A história virou resumo que o algoritmo entrega,
como se o passado fosse peso que ninguém mais carrega.


No meio disso tudo eu seguro a caneta torta,
parece pouco, mas mantém minha alma exposta.
Chico falava do instante que ilumina o canto,
e eu faço do cansaço um verso, e do verso um manto.


É estranho pensar no que quase ninguém pensa,
que o mundo corre e larga pra trás o que sustenta.
Sabotage diria que o tempo cobra o que a mente produz,
e eu sou o último poeta que fecha a porta e acende a luz.