Coleção pessoal de GoisDelValle
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Na cidade onde o povo não cobra, o político se acomoda e nada avança.
Pra mim, você sempre foi a número um.
A número dois? Essa nunca passou de amante.
Ajudar é importante, mas não quando o preço é a própria integridade.
Terra de cova, quando se tira e se volta a tapar, sempre sobra.
A paz começa quando a gente para de lutar contra quem somos.
Anos em Londres me ensinaram a ler o mundo pelos rostos. Ao voltar ao Brasil, não vi estranheza, vi espelho. Um país inteiro desenhado com os mesmos traços
das etnias que cruzaram minha vida na cosmópole.
Se a estupidez humana fosse medida de zero a cem, cem seria apenas o aquecimento. O problema não é a escala. É que ninguém aprendeu a ler os números.
A salvação não se dá num instante. Ela se constrói na sucessão de gentilezas.
Quem são os mortos hoje que eram os vivos ontem, senão a prova de que a vida é um sopro e o tempo não espera?
Planta, Brasil.
A planta, Brasil, responde ao que se rega, e a Amazônia responde ao que se cala.
Acorda, Brasil.
A corda, Brasil, em laço já se fez.
Enquanto a galinha sangra pra pôr, a cobra sorri pra tomar.
Eu sou uma ilha sitiada por tubarões, cercada por sorrisos que mordem.
Há quem só saiba se impor estalando o chicote verbal, como se o medo ainda fosse argumento.
O inimigo íntimo é aquele que caminha ao seu lado, mas torce pelo seu tropeço.
Às vezes, o inimigo mais perigoso não é quem nos odeia, mas aquele que se diz amigo e conhece cada fraqueza nossa.
O inimigo íntimo não precisa levantar armas; ele se senta à mesa, compartilha risos e espera o momento de transformar confiança em traição.
Isso diz mais sobre quem escreveu.
Toda acusação também é um espelho.
Quem lê mal costuma escrever pior.