Coleção pessoal de gildersonsantos

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Quando o medo emergir, saiba:


Somos pequenos, mas gigantes.


O mundo é uma caixinha que, por infinitas caixas, somos incluídos.


Não podemos nos entristecer pelo mundo em que somos minoritários. Mas alegre-se: que mesmo pequenos, podemos transformá-lo.


Mesmo pequenos, somos grandes perante os pássaros que, ao contrário de nós, voam ao surgir no mundo.

O menino se encontra peramburando, procurando e em ansiedade grita: "Mãe!"
Grita pela bolsa, mas nesse ponto, lembra que o que procurava não existia
A bolsa se perdera ao passear.
A mãe surge e, ao surgir, atônita olha
Olhar que dilacera o menino, menino que se põe a chorar
A mãe recita: "Sei que choras, não é uma bolsa, é a bolsa Bolsa que aproxima você e seu avô".
Mas o menino, outrora sábio, se perdera e o sentido se dissipou
Dissipou-se enquanto se apertava, como se quisesse abraçar a alma
E nesse abraço, ouve um som de cigarra que impressiona sua mãe.
A mãe prestes a falar, é interrompida pelo menino: "Mãe, o avô falou uma vez, algo que não entendi, agora entendo".
A mãe curiosa pergunta, e o menino em um sorriso sincero retribui: "Quando o silêncio traz saudade, o mundo tentará abraçá-lo
Abraçá-lo nem que seja com o canto de uma cigarra".
O menino agora chora não pela bolsa, mas pelo presente que seu avô entregou
Presente que guarda enquanto cochila no colo da mãe
Mãe que o protege, e o acaricia.

O menino enquanto brincava em uma pequena e esquecida poça de lama
Sente-se atraído por um som imenso, um som que o convoca
Se distanciando da poça, observa um carneiro que se bate em uma parede.
O carneiro sem razão, se bate, se bate
O menino que se encontra do outro lado da parede
Pergunta ao carneiro, esperando uma resposta: "Por que se bates?Tem um grande espaço para brincar".
O carneiro continua, continua, até que em um ágil movimento, desaba-se
O menino atônito e triste, pega uma maçã que tinha no bolso, joga-lhe
O carneiro se levanta, e ao levantar, consegue um ato:Remover um espinho que se encaixara em sua cabeça ao correr pelo campo.
O menino surpreso se depara com o carneiro livre, que corre pelo campo
E o menino em singela inquietação, sem motivo, pensou ao ver: "Ele era livre, mas não era livre, agora é livre".
Em um suspiro, o inesperado ocorre: um fazendeiro lança uma corda
Corda que laça o carneiro livre, que agora é levado
E ao ser levado, a única coisa que não se prendeu foi o olhar
O carneiro, indo embora, olhando o olhar do menino.

O mundo é uma pequena concha de retalhos que, costurada, se torna densa e peculiar. É diferente, mas o diferente vira aconchego, e nessa concha não podemos entrar se não for pela borda que costuramos eternamente.

Embaixo de uma árvore, um menino acariciava um cachorro,
cachorro de pelos dourados com o sol que esverdeava folhas
folhas amassadas e quebradas pela bola arremessada que atingiu a árvore,
árvore que continha folhas, e ao redor do menino
um adulto que, obeso, reluta em levantar
o menino observa o adulto, homem que toca, que acaricia a própria barriga
o menino, em veloz movimento, toca o braço do homem
o homem, em espanto, escuta do menino: "Por que não está feliz nesse belo dia? Se levante."
o homem, com uma lágrima tímida, recita: "Não posso, não sou belo."
o menino acaricia o seu cachorro e diz: "Sabia que tem dias que é difícil acariciá-lo assim? Pois, se não remove o excesso de pelo, torna-se espesso e sufocante."
o homem mais uma vez acaricia a própria barriga, apertando como se quisesse arrancá-la, e recita: "Não é a mesma coisa, jovem menino."
o menino, em um belo sorriso, recita: "Eu nunca pude fazer sozinho, mas hoje cortei um pouco, somente um pouco. Você também consegue."
o menino se levanta, ao segurar o braço do senhor, o cachorro o auxilia e o senhor se levanta
a árvore que confrontava, agora brincava com a sombra, o homem que acariciava a barriga surgia magro, estendendo a mão ao menino, que em sombra era um belo rapaz.

Um menino, enquanto brinca na sala, ouve a porta abrir, sua mãe chega.
Com a mãe uma cesta, o menino ao olhar a cesta, percebe-a vazia.
Estranho, olha ao alto e no alto contém uma teia, uma teia de aranha, que incomum desloca o seu sentido.
Sua mãe chama: "Filho, por que te espantas?".
Ele diz: "É uma teia, essa teia é vazia igual à cesta".
A mãe, pensativa, lembra que ele... que um dia aquilo foi ela e sua mãe.
O menino fala: "Essa cesta é vazia porque precisamos enchê-la para levar para alguém".
A mãe, atônita, percebe o incomum, nunca falou isso em voz alta, e abraça o menino.

Histórias são riscos que o tempo cuidou de enquadrar, com o inconsciente escrevendo-as, nem todas histórias são complexas, mas todas histórias são poderosas para quem sabe apreciá-las.

Um menino andava pelo quintal, em rápido pressentimento ao olhar para trás.
Imaginou sentir uma presença: era uma raposa.
Raposa com olhos fixados, toca em poça de lama marcando o caminho traiçoeiro.
O menino, paralisado não pelo medo, mas pela beleza da raposa, segue o caminho.
Ecoa um grito, depois um tiro, era o revólver que o menino segurava.
A raposa o removeu de sua mão e, ao remover, deu cor à sua pelagem branca, pois a raposa era albina.
O menino grita, pois a lua chegou, e desconhecia a morte.
O menino que andava, agora corria para sua casa, enquanto a raposa branca se sentia vermelha, como a raposa mãe que lhe trouxe o mundo.

Pela varanda o garoto enxergava o mundo
Parou por um instante, percebeu uma velha cadeira branca
O sol a aquecia, e ele, tonto, pensou por que precisava estar ali
No mesmo instante, um pássaro belo pousou na varanda
E de repente voou, então relembrou que ali se sentavam amigos
Amigos como pássaros voam, e os resquícios que ficam são a beleza
que o pássaro deixou, mas que o menino não esqueceu.

Sorrisos que se esvaziam
Risos que se transformam
Natureza que se expande
Significado que se perde
Controverso destino que se perde
Controverso plot twist que corrige o destino
Sorrisos são risos, que se transformam preenchendo o vazio que a natureza fornece

O mundo coberto de entulhos os que buscamos, os que descremos vai perdendo o valor.
Estranho pensar que os mesmos olhos que um dia, aos 21 e poucos anos, brilharam por uma jaqueta, aos 22 veem nela algo alegórico, distante, algo que talvez nem usariam.
Entulhos vamos acumulando: objetos, ideias, vontades.
Enquanto isso, os olhos se tornam escassos pela falta de um ontem que não volta.


Às vezes queria retornar no tempo e sussurrar:
o que precisa hoje é simples não se desaponte,
mas continue.

Sorrisos marotos ao longe, sorrisos sem alma na
frente.
Excitação sem cuidado, perfeccionismo ensaiado.
Pinturas e cores, máscaras e monocor.


Um mundo invertido que nunca será melhor, pois o original cedeu lugar à cópia geométrica.

O poder imersivo do conhecimento corrói corações que não aprenderam que a ciência é imune à empatia.

O peso das palavras é sutil. E o peso de ser a peça-chave, também. Sinto: ter nada é bom, mas não ter nada é corrosivo. O nada. Ele corrói a casca da nossa frágil harmonia.

A culpa é da globalização, sim. Ela vem, e remove. Enriquece uns, empobrece outros até o osso. Até o respirar custa, e para pagar, é preciso pagar com o próprio ser. Esta globalização: é corrosiva, dificulta o simples viver.

Então escrevo. Escrevo para rasgar as culpas que nem são minhas, para soltar a palavra que não pôde ser ouvida. É duro pensar, é duro ser. É tudo. Sim, as palavras são sutis. Mas enfrentar o peso é o risco. E o sonho de vencer a barreira que o mundo traz esse sonho, é maior.

Olhando a tela móvel em minhas mãos, a vejo, e ao ver
percebo o finito tempo que escorre, as incertezas da vida,
algo tão passageiro e sem sentido que faz em nós repassar o destino.

Por que saber de tudo? Vendo as memórias que o tempo registrou e apagou,
vejo amargura, felicidade, surpresa, tudo que por horas, e naquelas horas,
decidimos o qual decidido seria o nosso fim. Queria ver as estrelas,
mas estrelas são distantes, e vê-las seria o mais esplêndido sonho.

Por que o espaço-tempo é tão ambicioso? Por que não mais tempo? Por que desperdiçamos o tempo?
Por que não entregamos o conhecimento sem o perder ao dormir pela última vez?
Por que vangloriar para os descendentes, se nem o conhecemos?
Por que os amamos tanto, se nem poderemos vê-los crescer?
Relembro o sonho de ver as estrelas, o qual decidido era vê-las na infância,
mas a jornada até encontrá-las era um desgaste.

Desligando a tela móvel, vejo neste instante as estrelas no céu,
um céu que choro ao relembrar, pois era o céu que via na infância,
um céu que compartilhei a visão de estrela cadente, mas o seu brilho diminuiu.

Pois a magia… por que dizer magia? Pois era isso.
Relembrando, vejo que a visão infantil estava embaçada.
O que o fazia especial era a família, os conhecidos, a pureza do mundo.
Talvez o espaço-tempo não seja cruel, talvez ele tenha percebido que
a beleza do mundo só é percebida no fim e vivenciada no início,
e lapidada enquanto corremos, deixando os sonhos infantis no percalço do mundo.

A dança mortal se inicia silenciosa, como um sussurro que fere.
Cada passo arranca pedaços de vida, cada giro desprende carnes do existir.
Lágrimas se congelam no ar, afiadas como lâminas que dilaceram a alma.
A vergonha, oculta nas sombras, apodrece devagar tudo o que ainda pulsa.
E o tempo tardio e veloz apaga o espaço, deixando apenas ecos perdidos entre palavrões que se perguntam:
“Por quê? Por quê?”

No horizonte, uma criança observa atenta a cena.
A estátua no alto do monte, outrora símbolo de glória, agora representa o fim dos tempos.
Ela cai não com estrondo, mas com um suspiro e arrasta consigo a elite.
No colapso, um novo tempo se abre.
Novos líderes nascem do caos, e até o extermínio se torna semente.
Porque ali, naquele mesmo monte, surge um vestígio…
Pequeno, quase imperceptível
Mas suficiente para lembrar que até a mais cruel das danças era, no fundo, apenas o recomeço.

Sol quente que queima o rosto,
rosto pálido, negro, asiático ou rico.
Sol que traz energia,
sol que pode extinguir o olhar da vida.

Nordeste é força,
que como o umbuzeiro se entrelaça para oferecer doçura.
Umbuzeiro que, para isso, entrega o seu fim,
mas, como nas anomalias da vida,
pode ressurgir.

Pois o mesmo sol que queima
é o que permite à vida renascer.

Por uma fresta, um fio de neblina, dançava como a seda mais fina. Lá dentro, um coro baixo que eu ouvia: eram gritos calados ou só melancolia?

Recém-chegada a este corredor, minha mão curiosa bateu, sem temor. Então, um toque, um afeto gentil no meu ombro, neste outono de abril.

Uma música clássica enchia o lugar, não era terror, era só um bailar. E eu caminhei pelas salas vazias deste lar de esquecidas alegrias.

Quem me tocara com mão tão serena? Era o meu outro eu, que me livra da pena. Mas não havia porta, nem música, nem mão... Só o eco dançando da imaginação, no palco sem luz do meu próprio roteiro, assinado por um nome estrangeiro: Esquizofrenia.

O mundo é tecido por personagens e papéis que não se mudam; apenas se alternam os atores e se refaz o cenário.

Se não sabes tudo, busca no mundo, e a resposta encontrarás.