Coleção pessoal de GabrieldaLuz

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Biografia – Poeta William Contraponto


William Gogolenko Risther, conhecido no meio literário como William Contraponto, nasceu em 1987, em Porto Alegre (RS). Comunicador, ensaísta e poeta, construiu uma trajetória marcada pelo engajamento cultural, pela atuação comunitária e pela defesa da diversidade de pensamento.


Poeta e Escritor


Como poeta, William Contraponto se destaca por uma escrita densa, reflexiva e questionadora, situada na confluência entre poesia e filosofia. Sua obra aborda temas como a existência, o tempo, a relação do ser humano com a natureza, a liberdade e a busca pela verdade, sempre a partir de uma perspectiva crítica e não dogmática.


Poemas como O Vislumbre é Contínuo, Diversidade e Um Canto na Aurora revelam uma linguagem simbólica e conceitual, marcada por inquietação existencial e rigor reflexivo.


Ao longo de sua produção, publicou sete livros em formato e-book, entre eles:
Com Todas as Letras;
a Trilogia Existencial (Entre Promessas, Bréus e Aurora, Sombras que Pensam eTramas do Tempo);
Lucidez Sem Atalho;
Regimes do Real;
Existir Sobre o Solo.


Além dessas obras, mantém vasta produção poética e ensaística publicada em ambientes digitais.


Inserção na Mídia


Atuou como articulista em jornais da região de Águas Claras, Viamão (RS). Também criou e apresentou o Programa do Contraponto, transmitido pela Rádio (Nova) Tradição, ampliando seu diálogo com o público e consolidando sua presença como comunicador cultural.


Liderança Comunitária


William teve participação ativa em organizações comunitárias e culturais. Foi membro da Associação Cultural de Radiodifusão Comunitária Morro Grande, exercendo os cargos de segundo e primeiro secretário. Atuou ainda como Diretor do Departamento da Juventude e Primeiro Secretário da Associação Águas Claras, colaborando com iniciativas voltadas ao desenvolvimento local e à participação cidadã.


Música e Outras Atividades


Como letrista, estabeleceu parcerias com bandas de rock e músicos independentes. No ambiente escolar, exerceu a presidência do Grêmio Estudantil Francisco Canquerini, experiência que contribuiu para sua formação política, coletiva e cultural.


Reconhecimento


Sua obra circula em diversos espaços e formatos, sendo citada em sites independentes, podcasts, redes sociais e outros meios alternativos. Também aparece como referência em estudos acadêmicos, como no trabalho do Grupo de Pesquisa Educação, Diversidade e Direitos Humanos (GPEDDH) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (IFMS) — Diversidade na Educação: primeiros passos para a inclusão — que utiliza versos seus como contribuição à reflexão sobre direitos humanos e pluralidade.


Esse reconhecimento crítico-acadêmico reforça o impacto de sua produção, desenvolvida de forma independente e à margem dos grandes circuitos editoriais.


Presença Online


William Contraponto mantém presença ativa em redes sociais e em seu blog pessoal, onde publica poemas, ensaios e reflexões:
www.williamcontraponto.com.br




Com linguagem direta, densa e existencial, William Contraponto provoca o leitor a pensar — e a não aceitar o mundo sem questioná-lo. Sua obra se afirma como um convite permanente ao diálogo crítico e ao exercício da liberdade intelectual.

Corremos sem perceber,
até que a verdade aflora:
não escolhemos começar,
mas escolhemos como o tempo nos devora.


William Contraponto

Não se decora a casa com futuro
Nem se pendura o ontem na parede
O abrigo surge do olhar maduro
Que aceita o limite e não excede


William Contraponto

Notas Sobre o Que Permanece


por Neno Marques


Há escritores que não precisam de grandes artifícios para mostrar a que vieram. Basta observar o modo como organizam uma ideia, como escolhem um termo em vez de outro, como evitam o excesso para chegar ao essencial. Esse tipo de escrita não exige decorações; exige atenção.


O que me interessa, nesses casos, não é o tema em si, mas a postura de quem escreve. Há autores que tratam a palavra como instrumento de trabalho, não como ornamento. Preferem a clareza ao espetáculo. Trabalham com precisão, mesmo quando o assunto é difícil ou desconfortável.


Também noto que alguns textos ganham força não pelo que afirmam, mas pelo que recusam. Recusar fórmulas prontas, recusar expectativas externas, recusar aquilo que transformaria a obra em produto fácil. Essa recusa, quando coerente, se torna parte da identidade do autor.


Outro ponto importante é o compromisso com a própria voz. Não me refiro a originalidade forçada, mas a algo simples: escrever sem pedir permissão. Quem mantém esse compromisso costuma produzir obras mais consistentes, mesmo que passem despercebidas num primeiro momento.


Por fim, acredito que a relevância de um texto não depende de alcance, e sim de honestidade. Quando o autor sabe o que está fazendo — e por que está fazendo — o leitor percebe. Não precisa concordar, mas reconhece que ali há uma intenção sólida, não um improviso disfarçado.


É isso que, para mim, permanece.

Congresso Marginal
William Contraponto


As vozes se vendem por moedas gastas,
na mesa dourada que não vê a rua.
Assinam folhas e rasgam promessas,
e o povo assiste, calado, à sua.


Na tribuna, os discursos vazios,
palavras vestidas de falsa razão.
Por trás das cortinas, negócios sombrios,
a pátria leiloada em cada votação.


Congresso marginal, teatro do poder,
onde o voto é moeda e a mentira é lei.
Congresso marginal, palco de perder,
quem acredita sangra outra vez.


Erguem bandeiras que já não tremulam,
são panos de farsa, costura de pó.
E cada silêncio que as ruas acumulem
vira alimento pra quem manda só.


Os olhos do povo carregam cansaço,
mas ainda resistem no peito a lutar.
Pois toda mentira tem fim e tem prazo,
nenhuma muralha é feita pra durar.


Congresso marginal, teatro do poder,
onde o voto é moeda e a mentira é lei.
Congresso marginal, palco de perder,
quem acredita sangra outra vez.

O Preâmbulo do Sinuoso Amanhã



William Contraponto






No espelho o indivíduo se pergunta,


mas não é só de si que diz o reflexo


O tempo o cerca, exige resposta,


entre o que cala e o que desponta.






O amanhã não é linha reta,


carrega desvios, curvas abertas.


Uns vendem certezas já apodrecidas,


outros recolhem verdades dispersas.






A democracia ainda respira,


mas sufocada por mãos de ferro.


O ouro dita leis silenciosas,


o povo tropeça em promessas de desterro.






Entre gritos de ordem e velhos estandartes,


ergue-se o espectro da mentira.


Ela se disfarça em nome de pátria,


mas guarda o preço da ferida.






E o ser, perdido entre lutas alheias,


pergunta se sua voz resiste.


Pois cada passo nesse sinuoso amanhã


decide se a esperança ainda existe.

O Espinho que Sustenta o Luxo
William Contraponto


O lixo na cidade se acumula,
O luxo segue o mesmo caminho.
A bandeira de poucos trêmula,
Enquanto a maioria pisa espinho.


O grito da fome é contido,
abafado por telas brilhantes.
Um povo cansado e esquecido,
som perdido em ruas distantes.


As praças se tornam vitrines,
com passos de pressa e descaso.
Erguem-se muros e confins,
derruba-se o humano no atraso.


O poder se veste de ouro,
mas seus pés tropeçam na lama.
Promete futuro sonoro,
entrega cinza e mais trama.


Enquanto se erguem palácios,
ergue-se também a miséria.
Nos becos, os corpos cansados
carregam a dor que não cessa.


E o tempo que passa impassível
não limpa a ferida exposta.
A cidade, em ciclo terrível,
repete a mesma resposta.

Enquanto os idiotas seguem cheios de certezas, os sábios seguem buscando uma direção.

A Realidade em Agonia


No leito sujo das manchetes jaz,
sangrando lenta sob olhar de ferro.
Cada voz que se ergue, certezas traz,
mas planta no peito o mais fundo erro


As câmeras rondam com fome e luz,
tecendo o drama que o lucro incendeia.
A ferida exposta não mais seduz,
apenas se dobra ao corte que ateia.


Mãos a disputam como quem devora,
e a moldam conforme a própria vontade.
O que era verdade já se vai embora,
sob máscaras frias de autoridade.


Respira fraco, num fio de ar,
e os gritos se erguem por cima do leito.
Ninguém quer curar, apenas moldar,
o rosto que serve ao discurso eleito.


E quando o silêncio enfim a tomar,
haverá discursos sobre sua sorte.
Mas o peso do falso irá lhe selar,
como um véu que sufoca o horizonte.

Cativeiro Disfarçado


Não foi no grito que me perdeste,
foi no sussurro que me calou.
Não foi na ausência que me mataste,
foi na presença que me estreitou.


Ergueste paredes com minhas palavras,
e nelas pregaste o retrato do “nós”.
Mas no reflexo, vi que eu era
sombra apagada da minha própria voz.


Chamaste cela de cuidado,
corrente de abraço,
vigília de amor.


E eu, que confundia toque com abrigo,
quase aprendi a chamar prisão de lar.


Até que a porta se abriu,
e percebi que liberdade
era o único nome
que o amor verdadeiro sabia me dar.

Tenho um misto de pena e asco de quem só tem a régua do dinheiro para medir o valor das coisas.⁠

⁠Meu pensamento é um ato de resistência estética, filosófica e política. Portanto, não seria natural esperar aplausos imediatos. Ou buscá-los num tempo vindouro que repetisse o passado.

⁠Para quem quiser: estou aqui! Enquanto isso, não estou nem aí se lembram de mim.

⁠William Contraponto: 20 anos de Colaboração Com o Pensamento Crítico e Livre.

William Contraponto é poeta-filósofo, escritor e ensaísta, conhecido por uma produção literária marcada por densidade reflexiva, crítica social e existencialismo. Ateu e humanista, constrói seus versos como espelhos desconfortáveis, que questionam certezas e provocam inquietações. Ao longo de sua trajetória, atua também como articulista e cronista, escrevendo para veículos de comunicação impressos e digitais há pelo menos 20 anos, abordando temas que vão da literatura à filosofia, do comportamento à análise política.

Contraponto transita entre a poesia e o pensamento ensaístico, recusando dogmas e abraçando a liberdade de expressão como fundamento de sua arte. Suas obras circulam em países de língua portuguesa e espanhola, algumas traduzidas, conquistando leitores que se reconhecem no tom crítico e lúcido de sua escrita. Mais do que oferecer respostas, William Contraponto se propõe a cultivar perguntas — e a devolver ao leitor o direito de pensar por si.

⁠Quem não se desilude também não amadurece.

⁠Eu escrevo agora para poucos, para que muitos venham a entender depois.

⁠Gosto desse negócio de ser ignorado por gente cretina. Me dá orgulho.

Fusão e Transe
Decodificando William Contraponto

Filosofia, poesia e músic
Se fundir tudo isso em obra única
Meu orgasmo intelectual é inevitável
Transcendo as barreiras num êxtase admirável

O pensamento dança com melodia
O verso se curva à razão sensível
No caos das ideias, nasce a harmonia
Num silêncio de aura inesquecível

Sou verbo em transe, som que ilumina
A mente que vibra, o peito que sente
Na arte me encontro, na arte me inclina
O ser que mergulha, o ser que é semente.

Toco o infinito com palavras cruas
Desvendo o ser com notas e conceitos
Na partitura, as verdades mais nuas
Ecoam além de dogmas e preceitos

Cada linha é grito, cada som, visão
A arte me veste com fogo e certeza
Sou carne que vibra em contemplação
No altar da beleza, encontro a grandeza


Sou verbo em transe, som que ilumina
A mente que vibra, o peito que sente
Na arte me encontro, na arte me inclina
O ser que mergulha, o ser que é semente.

(Homenagem ao poeta William Contraponto)

⁠Há um silêncio que não cala — entre o sopro do mundo e a carne da dúvida, é lá que o ser se inventa.

Um Canto na Aurora

⁠Um relâmpago no céu noturno
Ilumina o caminho inseguro,
Sob o tempo mais soturno
O pensamento teme o futuro.

A espera é pela manhã chegar
Para que tal apresente algum alívio,
A esperança está na tempestade cessar
E seguir sem nenhum sonívio.

O deleterio recôndito dispensado
Já não pode aludir e contagiar,
O pássaro da aurora despertado
Fez seu canto para o céu clarificar.

Todo pretérito acuou-se na soleira
Em resultado do interlúdio ambientado,
No tempo corrente não é coleira
Apesar de arquivo a ser consultado.

No lume abastecido de percepção
Uma presença é reconhecida,
É o pássaro auroral na recepção
Que canta dando boas vindas.

William Contraponto