Coleção pessoal de franco_kotryk
O Caminho do Ser
Meu esforço é constante, a busca é por melhorar,
Não para o olhar de fora, mas para mim, meu próprio olhar.
Em cada passo pequeno, encontro um vasto aprender,
E essa sede silenciosa, é o que me faz surpreender.
A mão que estendo ao mundo não espera recompensa...
Não anseio por "obrigados", não espero gratidão,
Pois elogios não me iludem; conheço o coração.
Sei que a lisonja é breve, e a verdade cobra um preço alto,
Ser autêntico me custa, mas não dou um passo falso.
Não mudo quem eu sou para o capricho de agradar,
Prefiro a minha simplicidade e o que eu pude conquistar.
Minha expectativa é clara, e dela eu não me afasto:
De ninguém espero nada, a não ser o contraste.
A decepção que chega já não me causa dor,
Pois minha alegria não reside em um outro,
Nem está nas coisas feitas que a mão pode tocar:
Minha felicidade, está em minha alma, em meu lugar.
O Livro de Receitas do Desastre Nacional!
Na terra onde o cinismo se fantasia de lei,
E a política tem como característica maior a corrupção,
Ergue-se o templo de uma suprema corte, oh, rei!
Com postos de ouro maciço, sem livre eleição.
Que doce ironia, que farsante teatro nos seduz:
Ministros de uma suprema corte jamais poderiam ser indicados por políticos."
Mas a regra da nação, essa que a alma seduz,T
ransforma o óbvio em mito, em refrões proféticos.Pois "Isso é a receita para um desastre!", brada a voz sensata,
Enquanto o cozinheiro- mor sorri com o livro na mão, Cozinhando a ética em fogo brando, numa panela ingrata,Onde a verdade é tempero dispensável à nação.
"Como pode?", pergunta a plebe, em coro desafinado,
Que um corrupto condenado - figura vil e nefanda "e completamente ignorante e sem o mínimo de caráter" ungido, Tenha a chave do cofre, a prerrogativa que o desmanda!
De "indicar comparsas para ocupar cargo de ministros da justiça.
"Um circo de compadres, uma corte de escudeiros,Onde a toga, outrora símbolo, se curva à astúcia,
E a lei se faz flexível aos caprichos dos celeiros.
Ah, "Usar o nome justiça para o poder judiciário é um erro."
Uma "eresia" na certa, um pecado de vocabulário,
Pois "a 'Justiça' não faz justiça em nosso país", eu o venero,
Neste palco de sombras, neste vasto e caro santuário. Ministros da justiça são funcionários públicos, eu decreto,
E deveriam ser, que ultraje!, "concursandos", plebe rude e leal,
Sem o beijo do poder, sem o pacto secreto,
Apenas mérito frio e um currículo legal. Mas o jogo é jogado onde a luz é pouca e a névoa densa,
"Em um país onde a grande maioria do povo não tem educação,"
E carece de faróis, de um senso, de uma recompensa, "muito menos discernimento de assuntos importantes,
"E nessa lacuna da mente, nesse vazio profundo e lento,
O poder se instala, a máscara cai e a farsa se desfaz,
E "a ditadura domina", silenciosa em seu intento.
Nas páginas dobradas que o povo, cego, jamais traz.
Ahhh...Sussurras com a calma da mentira bem contada,
"Aqui nunca vai ser uma ditadura!"
- Que graça!
Que ironia!
Não... Meu caro,levante os olhos, a fogueira está acesa e guardada.
"Você já está vivendo nela só ainda não sabe." É a eterna melodia.
"Não se deu conta!"
Que a corrente é invisível, de veludo, e o nó é sutil.
E quando o sono acabar, o pesadelo se faz realidade,
"E quando você abrir os olhos já é tarde."
O fim é fútil.
"Talvez um dia você entenda, más é improvável!"
- Assino com a posteridade...
A Simplicidade da Alma!
Sempre busco o melhor, o mais fundo que eu puder;
Não para que o mundo veja, não pra tentar impressionar.
É um pacto feito comigo, uma lei pra se viver,
Um eterno aprendizado, até o menor detalhe me faz crescer.
E nessa jornada simples, meu esforço é surpreendente.
Quando estendo a minha mão e me disponho a ajudar,
A razão não está no outro, está em mim, em meu lugar.
Sei que não é no aplauso que reside o meu valor,
Pois a gratidão não busco, não espero nenhum louvor.
Conheço o jogo e a face, os disfarces que a vida tem;
Um elogio não me ilude, sei de onde a verdade vem. Estrofe III
O preço de ser autêntico, de ser fiel e real, Eu sei, é alto e justo,
um caminho singular. Mas jamais abrirei mão de tudo o que eu conquistei,
Não mudo a minha essência para caber onde não serei.
Eu prefiro a simplicidade que é construída por mim,
A pureza desta força, do começo até o fim. Refrão
Não espero nada, absolutamente nada de ninguém,
A não ser, talvez, a sombra de uma decepção que vem.
Mas a luz não está lá fora, nem em coisas que eu puder ter,
A minha felicidade mora em minha alma, para sempre me pertencer.
É um tesouro conquistado, que em meu peito sabe amar.
Franco Kotryk
Crônicas de um Cadáver
A Indevitável!
A morte é a única que nunca chega atrasada para o jantar. Já chorei por alguns que se foram, é verdade, mas convenhamos: a saudade é um imposto que a gente paga por ter conhecido gente boa demais. O problema é quando o "falecido" ainda respira.
O Coveiro de Vivos!
Sepultar alguém que ainda está respirando exige técnica. Não vai pá, nem caixão de luxo, apenas um "bloquear" bem dado e um silêncio profundo. É uma decisão difícil, mas necessária: tem gente que a gente não enterra por maldade, mas por puro instinto de sobrevivência.
Meu Cemitério Particular!
Se eu olhar para trás, meu jardim de memórias está mais para um cemitério lotado. Na verdade, já sepultei muito mais gente viva do que morta. É um condomínio silencioso de ex-amigos e ex-amores que decidiram que a minha paz era um item opcional. Eles estão lá, bem guardados, mas sem direito a visita.
O Especialista em Falecer!
Eu mesmo já morri tantas vezes que já poderia pedir música no Fantástico. Morri de vergonha, morri de cansaço e, principalmente, morri para certas opiniões. A vantagem de ser um cadáver experiente é que, depois da décima "morte", a gente aprende a ressuscitar apenas para o que realmente vale a pena.
O Epitáfio do Dia!
A vida é esse ciclo engraçado: a gente morre um pouco aqui para não ter que enterrar a nossa saúde mental ali. Sigo sendo um cadáver muito bem humorado, obrigado. Afinal, para quem já morreu tantas vezes, qualquer solzinho de fim de tarde já é uma ressurreição de luxo.
Franco Kotryk
