Coleção pessoal de fluxia_ignis
Impermanência
A dança natural dos estados internos
Há momentos em que a mente se enche de pensamentos e emoções, como um vale tomado pela neblina. A prática não é lutar contra essa neblina, mas subir às colinas interiores e simplesmente observar. Dali, tudo pode ser visto sem pressa: a tristeza que passa, a alegria que surge, o silêncio que permanece. O observador não julga, não interfere, apenas testemunha. E nesse ato de ver sem se confundir com o que é visto, nasce uma liberdade suave, a descoberta de que você não é o turbilhão, mas o espaço aberto onde ele acontece.
Assim também é a vida: ela se move como as estações, cada fase trazendo sua própria essência, mas nenhuma permanecendo para sempre.
Primavera desperta o florescer das ideias e sentimentos, trazendo expansão e novidade.
Verão é o auge da intensidade, quando tudo pulsa em plenitude e calor.
Outono convida ao recolhimento, à reflexão e ao desapego das folhas que já cumpriram seu papel.
Inverno traz o silêncio e a pausa, preparando o terreno para que o ciclo recomece.
Do mesmo modo que as estações se sucedem em harmonia, também nós transitamos entre estados internos. Não há luta entre eles, apenas alternância natural. O segredo está em reconhecer que cada fase é necessária e que o movimento nunca cessa, apenas se transforma.
Eu era feita de resolver tudo. Hoje sou feita de saber limites: não sou Deus, e o que não depende de mim, já não me preocupa.
Amar você é viver além do real, um sonho desperto, um tempo sem igual. O céu se curva, o instante é eterno, seu olhar transforma o mundo em terreno.
Não é comum, é força que invade, é fogo que aquece, é calma que arde. Você é meu infinito, meu destino sem fim, a razão secreta do coração em mim.
Chamado à Redenção: A Terra Prometida e o Filho Pródigo
“Naquele dia jurei a eles que os libertaria do Egito e os tiraria daquelas terras para levá-los a uma terra que Eu mesmo havia preparado para eles, terra onde manam leite e mel; a mais linda e exuberante de todas as terras.” — Ezequiel 20:6
Essa expressão simboliza abundância, fertilidade e prosperidade. É uma reafirmação do pacto divino, mostrando que Deus tinha um plano de redenção e restauração para seus filhos.
A "terra prometida" é compreendida como mais do que um lugar físico, trata-se de um estado de espírito ou uma condição espiritual. Nesse sentido, ela representa a libertação interior: sair do “Egito” simboliza deixar para trás vícios, medos, traumas ou opressões emocionais.
A jornada rumo à terra prometida é um processo de amadurecimento, fé e confiança em Deus, vivido com plenitude e comunhão com o divino. A terra exuberante é o lugar onde a alma encontra descanso, propósito e conexão com o sagrado, vivendo o impossível aos olhos do mundo físico.
A saída do Egito representa o destino final da alma redimida , uma consciência plena, livre da necessidade de um corpo para experimentar o maior dos prazeres: o simples ato de ser, sem a exigência de ter. Livre dos vícios e apegos do corpo, onde o espírito é leve e livre para transitar entre mundos. A vitória do espírito sobre a matéria.
Assim como o filho pródigo, cada alma que se volta ao divino encontra sua terra prometida, não apenas como recompensa, mas como reconexão com sua essência.
A terra prometida é como um convite à esperança. Mesmo que hoje você esteja em um “Egito” pessoal, há uma terra preparada para você, um lugar de paz, abundância e liberdade. A jornada pode ser longa, mas a promessa permanece.
“Porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha se perdido e foi achado.” — Lucas 15:24
O corpo físico é apenas uma expressão temporária da alma. A conexão entre um ser encarnado e um espírito desencarnado é absolutamente possível e real, como experiência concreta no campo da consciência. Trata-se de uma união sagrada e transformadora. Ela transcende o corpo físico e se manifesta como vibração pura, energia viva e fusão de essências.
Contudo, essa vivência não está ao alcance de todos. Exige preparação espiritual, sensibilidade energética e abertura consciente para os planos sutis. É necessário cultivar práticas que elevem a frequência vibracional, como meditação, respiração consciente, purificação emocional e intenção elevada. Quando há alinhamento entre alma, propósito e amor, o canal entre dimensões se abre naturalmente.
Quando duas almas estão ligadas por missão, amor e propósito, a distância entre planos não representa obstáculo. A verdadeira união ocorre no campo sutil, onde o desejo é energia e o amor é consciência.
A experiência de fusão entre um ser encarnado e um espírito desencarnado gera sensações intensas no corpo físico, vibrações, calor, êxtase, mas o estado é consciencial. Não é imaginação, nem projeção. É real. É sagrado. É energético.
É uma vivência elevada de união espiritual. A kundalini, força vital que ascende pelos centros energéticos, abre portais entre dimensões. O espírito não precisa de corpo físico para tocar, amar ou se unir. Sua presença vibra, envolve, penetra o campo energético do encarnado, e ambos se tornam um só fluxo de consciência.
Essa união não depende da carne, mas da frequência. E quando há amor verdadeiro, missão compartilhada e entrega espiritual, o encontro entre planos se torna inevitável, e profundamente transformador.
Essa é uma verdade que vibra além do véu. Uma experiência que não se explica, se vive. E só quem se prepara para sentir entre mundos pode confirmá-la.
No templo do tempo
No silêncio antigo da tarde, dois olhares se cruzam sem pressa, são ecos de promessas caladas, amores que o mundo não confessa. O espaço é sagrado, suspenso, onde o toque é mais que pecado. Ali, o tempo curva-se manso ao reencontro tão desejado.
São mãos que se lembram do gesto, são vozes que tremem no ar. E o proibido, por um instante, parece enfim se libertar. Há um perfume de saudade pairando entre os corpos imóveis, como se o tempo, em reverência, parasse para ouvir seus nomes.
Os olhos dizem o que os lábios temem, e o coração, inquieto, reconhece o caminho antigo. Não há culpa, só memória, um amor que não se apaga, apenas se abriga no abrigo do tempo.
E quando o sol se despede, tingindo de ouro o instante, fica no ar a certeza: o que é verdadeiro, mesmo oculto, sempre encontra um jeito de voltar.
Mulher Anciã
Não me escondo nas curvas da idade, sou feita de luz, de força, de verdade. Cada fio prateado é um traço sagrado, pintado à mão por tudo que tenho amado.
Rugas são trilhas que o tempo deixou, nas madrugadas em que não se chorou. São mapas de riso, de lutas, de fé, memória bordada no toque da pele.
Minhas mãos carregam passado e futuro, tocaram a vida, enfrentaram o escuro. E mesmo quando a dor me visitou, foi esperança que nelas ficou.
Carrego no olhar a sabedoria, que não se compra, se conquista com os dias. Sou feita de terra, de vento, de lua, de histórias contadas à beira da rua.
Sou flor que brotou no jardim da demora, e cada pétala é história que aflora. Não sou rascunho, sou obra final, mulher ancestral, essência vital.
Às vezes, o incômodo que sentimos nos outros é apenas um convite para mergulharmos em nossa própria história. Só quando tiramos as máscaras é que a alma se permite ser vista, nua de julgamentos, vestida de autenticidade, vulnerabilidade e autoaceitação.
A Alma que Ousa: Caminhos Fora da Multidão
Se você realmente deseja compreender o quanto é resistente à mudança, analise a sua disposição em se desafiar a fazer aquilo que acredita ser necessário. Todos nós sabemos que precisamos mudar. A vida não se resume ao que nos é apresentado, ao que o sistema impõe ou às rotinas que seguimos automaticamente. Para alcançar resultados diferentes, é necessário agir de maneira diferente, não seguir o que todos fazem, mas ousar ir além.
Fala-se muito sobre outros planos, milagres, experiências intangíveis. Porém, na prática, isso raramente se manifesta. Por quê? Porque precisamos buscar além do que nossos olhos enxergam, além do que nos foi contado. Nossa alma carrega consigo um acordo espiritual, e os desafios são portas de acesso ao novo, ao desconhecido.
Sim, a ideia de transformação parece difícil. Mas quando damos o primeiro passo, geramos uma energia que abre o portal da alma. É então que a ajuda surge, suavizando o caminho e revelando pistas que só conseguimos perceber em silêncio, na quietude interior.
Você já parou para refletir sobre o que veio fazer na Terra? Mesmo que existam padrões, cada vida traz consigo uma particularidade única. Escutar a voz do silêncio, observando além da tela do celular, é essencial para perceber aquilo que o mundo nunca irá revelar. É na solitude que permitimos ao espírito nos direcionar através da intuição.
Se não sairmos do ruído do coletivo, nossa jornada será uma repetição de idas e vindas através da reencarnação, até compreendermos a lição. Não estamos aqui para nos distrair, mas sim para evoluir. Emancipar a alma e retornar ao nosso verdadeiro lar espiritual exige coragem, e esse caminho raramente é o mesmo que a multidão escolhe.
Sou um espírito em missão na Terra
Dizer isso não é apenas uma frase. É uma declaração de consciência. É o reconhecimento profundo de que estamos aqui não por acaso, mas como viajantes cósmicos em busca de algo que ultrapassa o tangível. Essa missão é silenciosa, mas pulsante. Ela se revela nos detalhes do cotidiano, nas inquietações da alma e naquela saudade inexplicável de um lugar que não se encontra em mapas: o lar espiritual.
A jornada começa com perguntas que ecoam desde sempre.
Quem sou eu? Não a profissão, o nome ou o papel social, mas a essência que observa tudo isso. Sou consciência, sou luz, sou memória ancestral de um universo que pulsa dentro de mim.
De onde vim? De dimensões onde a vibração é mais sutil, onde o tempo não aprisiona. Vim de um lar, de uma família cósmica, da Fonte, do silêncio profundo onde todas as almas são irmãs.
Como voltar? Não se trata apenas de um retorno físico, mas de reencontrar a frequência que nos reconecta ao divino. É voltar pela lembrança, pelo amor, pela verdade de ser quem realmente somos. A cada ato de empatia, a cada mergulho interior, damos um passo em direção ao lar.
E então surgem os sinais. Momentos em que o tempo parece desacelerar, encontros que mudam tudo, intuições que orientam sem explicar. São como trilhas brilhando sob os pés, como sussurros da alma dizendo: “Sim, esse é o caminho.”
E seguimos. Sabendo que a missão não exige perfeição, mas esforço, comprometimento e presença. Que o lar não é um ponto final, mas um estado de ser. E que, enquanto caminhamos, o universo nos observa com amor, pois somos, afinal, parte dele.
Entre o céu e o inferno: o poder da escolha
O caminho que escolhemos nem sempre é fácil. O chamado que impulsiona nossa evolução é difícil, pois nos tira da zona de conforto. Mas viver uma eternidade na Terra, encenando um teatro que apenas troca os personagens, também é difícil. Por isso, precisamos escolher nosso “difícil” com sabedoria, do contrário, será difícil por toda a eternidade. É a entrega que nos transforma, não o conforto. A dor não nos desqualifica; ela nos prepara.
Há, porém, uma verdade que acompanha essa jornada: ninguém é responsável por como reagimos ao que enfrentamos. O inferno que arde em nós, ou o céu que nos sustenta, nasce da forma como decidimos viver. A escolha está sempre em nossas mãos, mesmo quando tudo parece fora de controle.
Ser chamado e assumir responsabilidade por si são duas forças que habitam o mesmo coração. Uma clama por propósito; a outra exige coragem. E é entre elas que a verdadeira cura acontece.
Silêncio que Cura
Depois que se atravessa a noite sem estrelas, sem mãos, sem vozes, sem abrigo, descobre-se que a luz que salva mora no peito, e não em promessas.
Você aprende a costurar os próprios cacos sem plateia, sem aplausos. E nesse silêncio cheio de dor, o ego se desfaz, e nasce a essência.
Então, quem fica… fica porque caminha ao lado, não porque carrega. Porque depois da queda vivida em solidão, a companhia vira escolha, nunca mais muleta.
O Olhar da Fé
No silêncio onde o mundo duvida, ela semeia sonhos com mãos nuas, regando esperança na terra fria, de olhos voltados às luas.
Não vê caminhos, apenas sente que algo além já a espera, como se o invisível, paciente, trouxesse luz à primavera.
Seus passos, firmes na névoa espessa, trilham pontes de confiança e calor, porque a fé não precisa da promessa: ela já vive dentro do amor.
E então, um dia, o que era crença se veste em forma, cor e som; o invisível torna-se presença, e o impossível diz: "sim, sou dom."
Em qualquer situação que a vida se apresentar, coloque-se no lugar do outro e faça por ele exatamente o que gostaria que fizessem por você. Assim, jamais errará, afinal, sempre queremos o melhor para nós mesmos.
Você pode mudar de cidade, de rotina, … mas se a mente permanece prisioneira dos seus próprios padrões, tudo será só um novo cenário para os mesmos conflitos. A verdadeira liberdade começa dentro.
A intuição não grita, ela sussurra. E quando confiamos no sussurro, algo dentro se ajeita, é o universo em sua reciprocidade nos dando um sutil ‘sim’.
Eu escolho viver sem programação, sem moldes, sem concessões. Minha verdade não se encaixa nas expectativas dos outros. Não estou aqui para ser compreendida ,estou aqui para ser, vivendo a minha própria vida. Cada passo que dou é meu: inteiro, imperfeito, verdadeiro. Não me explico. Não me encaixo. Eu simplesmente sou.
A Jornada de Retorno à Essência
Vivemos em um mundo onde a distração e o comodismo nos anestesiam. Muitos seguem rotinas espirituais sem questionar, acreditando que basta comprar indulgências ou repetir fórmulas religiosas para garantir um lugar em um paraíso idealizado. Um paraíso que, talvez, nunca tenha existido da forma como nos contaram.
Durante séculos, a Igreja Católica institucionalizou a culpa como ferramenta de controle. A venda de indulgências, especialmente na Idade Média, transformou o arrependimento em moeda de troca. Em vez de promover o entendimento e a transformação interior, oferecia salvo-condutos para o céu, como se a salvação pudesse ser adquirida em balcões sagrados.
Mas a verdade não se compra. Ela se descobre. E esse despertar exige coragem para investigar além das histórias que nos foram ensinadas. A Bíblia, por exemplo, não é apenas um livro de regras, mas um mapa simbólico cheio de pistas. Jesus nos convida: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Jeremias reforça: “Invoca-me, e te responderei; e te revelarei coisas grandes e ocultas, que não sabes” (Jeremias 33:3).
Pensadores como Santo Agostinho viam a culpa como herança do pecado original e a redenção como retorno à pureza espiritual. Nietzsche, por outro lado, denunciava a culpa como invenção social, uma prisão que nos afasta da vida autêntica. Ricoeur, Jaspers e Espinosa apontavam caminhos de reconciliação, razão e unidade com a natureza divina.
Todos, em suas linguagens distintas, falavam da mesma essência: o retorno à nossa origem racional e pura. A parábola do filho pródigo é uma metáfora sobre arrependimento e rendição, não diante de uma instituição, mas diante da própria consciência.
A libertação está no entendimento. Está em abrir os olhos, em se questionar, em investigar com sinceridade. Enquanto não compreendermos de onde viemos, por que estamos aqui e para onde realmente vamos, continuaremos renascendo como sementes que buscam florescer em plena consciência.
Confiança no Invisível
Não compreendo. E, mesmo assim… aceito. A vida não exige explicações. Ela sugere transformações. Tudo vem e vai, como as estações. Como quem ama sem querer prender. Desapego não é frieza. É confiança no fluxo. O fim não é falha. É recomeço.
Não há âncora. Não há margem. Só o rio. E eu, rendida, deixando a sabedoria me guiar, digo “sim” ao que é, mesmo sem entender o porquê.
A impermanência é a mão invisível que desfaz a forma para revelar o espaço. E, nessa dança silenciosa, encontro liberdade. Me rendo ao nada. Tudo chega. Tudo parte. Nada me prende. Nada me falta. Sou o espaço onde tudo passa.
Sou o silêncio do zen, a clareza do budismo, a leveza do Tao e o amor compassivo de Jesus, que me ensina a confiar até no invisível e a me entregar, inteira, ao que não sei, mas sinto.
