Coleção pessoal de fabricio_vgl
Não se cala o som do choro, o corpo é abrigo cansado, seca com os soluços.
Virão gritos, danos, o gosto amargo da perda.
É suportar o vazio onde antes havia um beijo.
Antes era: “Que seja infinito enquanto dure.”
A despedida não aceita poesia: ela é o fim do poema.
A imprudência é o tempero da memória; sem ela, tudo se torna linha reta e esquecimento.
Desvie, tropece, arrisque-se.
É nas curvas que a vida escreve suas histórias.
O inesperado toca mais fundo do que confirmar expectativas.
Nada emociona mais do que o que foge do roteiro.
É fácil seduzir, difícil é partir. A coragem de iniciar histórias é comum; a de encerrar, rara. E é nesse silêncio do fechamento que se mede a dignidade de um homem.
Seu olhar, outrora inocente, tornou-se o eco do nada, uma escuridão tão densa quanto o abismo de um buraco negro, cujo magnetismo me arrastava irresistivelmente para a perdição.
O que não for amor, deixe para trás; nada pesa mais na alma do que carregar vidas alheias enquanto quem te ama sangra em silêncio.
São teus pecados, teus contatos físicos e não físicos, incontáveis e divertidos.
E eu? Já não descarno, nem sangro.
A foice me negou, mas ainda a desejo.
Pois no silêncio do limbo, um som ecoa,
belo, terrível e eterno, que apenas eu posso ouvir.
Cuidado ao sumir…
Quando voltar, até teu próprio reflexo poderá te estranhar.
A apatia silenciosa sussurra, te observando.
A solidão pode ser tentadora e viciante.
Enquanto o mundo se perde em transgressões, até Deus carrega em si a escuridão que o próprio homem alimenta.
O mal e o bem habitam o mesmo Ser; a humanidade desperta no Criador tanto luz quanto sua própria sombra.
Os demônios não nascem maus; tornam-se aquilo que os homens, pelo medo e julgamento, insistem em ver neles.
