Coleção pessoal de euarthurian
Vigília da vela
Onde a bússola se quebra
e a palavra não alcança,
acendo esta vela.
Não para iluminar a essência - que já é sol
e no véu do silêncio, ainda arde. Mas para oferecer relevo ao seu lugar no mundo.
Acendo esta vela
num lugar que não vem pronto,
que não se herda, nem se impõe,
um lugar que não se entrelaça,
fio que corta,
corte que fia,
na trama teimosa da travessia.
Para a criança em sua encruzilhada,
a pergunta queima, mansa,
sussurra no meio do caminho,
entre o sonho e o desejo.
Acendo esta vela
na penumbra da porta que não se abre.
Seremos nós a fresta?
Acendemos esta vela?
Arthur Ian
A escola
Era uma escola tão bem fechada,
Porta e janela sempre trancada.
Ali se entra só com permissão,
De quem vigia o saber e a ação.
Não tinha espaço para escutar,
Quem era outro tinha que calar.
O saber preso na condição,
De diagnosticar, não dar a mão.
Mas foi erguida com muito esmero,
Pra ser espelho de um mundo severo.
Fonte: Arthur Ian Teodoro Barbosa
Adaptação da canção de Vinicius de Moraes “A casa”
Uma folha amassada
Assim como uma folha amassada, cada indivíduo traz consigo marcas e dobras que contam a sua história. É exatamente nas “imperfeições” que reside a beleza da experiência humana.
As desigualdades sociais podem apresentar diferenças marcantes, mas lembre-se: as folhas mais amassadas podem conter as ideias mais vívidas.
Conseguiremos valorizar cada narrativa sem considerar a sua aparência?
Conseguiremos reconhecer que tudo e todos têm algo a oferecer?
Não sei ao certo... Mas tenho certeza de que cada folha amassada guarda uma profundidade que espera ser descoberta.
