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Coleção pessoal de erben_lima

Encontrados 8 pensamentos na coleção de erben_lima

Dengue


​Sabe hoje? Eu tô me sentindo doente.
Mas não é de hoje. Já faz uns dias.
Um mundo mais pálido, a vista fechada,
A vontade de viver secando em mim.
Tipo... eu tô doente. Doente de verdade.
Eu não tenho fome e nem coragem de sair da cama.


​Na verdade, tenho uma bola na garganta.
Não, não é uma bola. É um bicho vivo.
É um gato arranhando a carne por dentro,
Rasgando pra fora, num desespero contínuo.
Eu tento cuspir, eu tento expulsar,
Mas ele crava a unha e não sai.
​E o pior? O pior é estar sozinha.
Eu não sou fraca. Mas hoje me encontro frágil.


Odeio a fragilidade me arrastando pro chão,
Nesse poço sensível onde me afundei.
Eu não consigo pensar. Eu não consigo agir.
Eu só consigo ficar deitada. E chorar.
​Qualquer som lá de fora me faz desmoronar.
Como se a doença vazasse pelos meus olhos.
Como se eu precisasse rachar de uma vez,
Com um choro contido e engasgado,
Pra engolir a verdade que eu sempre recolho:
Eu não tenho ninguém. Ninguém pra chamar.
​Ninguém que me chame sem segundas intenções, sem transações sociais.
Alguém que só queira saber como estou e venha ao meu socorro.


​Isso me lembra algo.
Eu tive dengue quando era criança.
Família grande. Casa cheia e vazia ao mesmo tempo.
Tudo acontecendo, mas nada era dito.
Eu ficava doente, encolhida no canto...
Pequena. Insignificante. Engolindo o grito.
Ninguém cuidava de mim. Ninguém me via.
​E isso bate na ferida que nunca fechou.
A carne viva rasgada que não cicatriza.
É a minha maior ferida.


Talvez seja o abandono me fazendo doente.
Ou talvez seja dengue, que me paralisa.
Eu não sei. Eu só quero chorar.
​Esperar que alguém me salve. Que alguém venha.
Mas ninguém nunca vem. Ninguém liga. Ninguém.


E eu choro mais forte, engasgada na dor
Desse gato maldito arranhando a garganta.
A vergonha sufoca. O vazio me esmaga.
​Eu olho pro lado. O silêncio decreta.
Não tem ninguém.


Nunca teve ninguém além de mim mesma.

Para Você, Meu Eu do Futuro


Salvei isso, aqui, Para você, meu eu do futuro. Que um dia vai tropeçar neste áudio, Nessas palavras. Quando ouvir, espero de verdade, Que tudo esteja diferente. Que sua cabeça seja um lugar calmo, tranquilo. Que a paz que hoje busco, Você já a tenha encontrado.
Essa "lápide" não é um fim, não. É um marco zero. Um alicerce, meu ponto de partida. Um testemunho da jornada, Da escuridão à luz. Uma "lapidação" que buscou, Transformar a dor em mapa.
A paz não é um destino final. É um processo. Autoconhecimento. Prática. E, sobretudo, autocompaixão. A jornada é árdua, Mas exige gentileza.
Gravar isso, dar voz à angústia, Articular o caos, Falar com você, eu do futuro, Já foi o primeiro ato de lapidação. Um gesto de agência. A recusa de me afogar.
Que você, ao encontrar isso, Reconheça a força na minha vulnerabilidade. Que veja a semente plantada na noite fria de Curitiba Florescer. E que continue a cultivar, ativamente, Esse espaço interno. Onde a cabeça, sim, Seja um lugar cada vez mais calmo, Mais tranquilo. Onde a paz, buscada com tanta verdade, Seja uma companheira presente em sua vida.

Buscando a Calma: Semeando a Paz


Quero a mente calma, tranquila. Um lugar sereno, finalmente. O Estoicismo me diz: Não posso mudar o vento, Mas posso ajustar minhas velas. A dicotomia do controle. Foco no que está em minhas mãos: Meus pensamentos, minhas respostas. A gaiola é minha, Então a liberdade também é. Ser melhor, não é aprovação. É virtude interna, autonomia.
O Budismo sussurra: Não existe um "eu" fixo. Somos fluxo, somos processos. O Anatta. A dor de me identificar com o "eu" sofredor. Que os pensamentos sejam só pensamentos, E não a minha verdade. A "mente de macaco", Essa agitação sem fim. Meditação, mindfulness. Observar sem julgar. Respirar. Acalmar a mente. Desatar o nó.
E as ferramentas, concretas: Para a procrastinação, Para a paralisia. Pequenos passos, Sem tentar abraçar o mundo de uma vez. Começar antes de estar pronto. Confiar mais. Aceitar a imperfeição. A TCC, para mudar o que penso, O que sinto.
Aceitação estoica, O "não-eu" budista, As ferramentas da TCC. Não são caminhos separados. São um só. Uma sinergia que tece a nova realidade. A ansiedade que me paralisa, O mindfulness que me acalma. O Anatta que desfaz o impostor em mim.
A paz que busco não é um lugar físico. É um espaço interno. Cultivado com paciência, com prática. Com a esperança.

O Querer que Dissolve em Nada


Eu queria mesmo ser diferente. Mais focado, com passos claros. Mas a realidade é outra, Sou só confusão. Quero abraçar o mundo inteiro, Fazer tudo ao mesmo tempo. Mas minha vontade, essa que me engana, Se desfaz em inércia.
O resumo da minha vida, no fim: A intenção de fazer tudo, E o resultado: absolutamente nada. Paralisia por análise, Tantas escolhas, tanto medo. O cérebro ansioso, Pensando demais, fazendo de menos. Perfeccionismo, essa armadilha, Transforma cada decisão num fardo.
Procrastinação. Não é preguiça, eu sei. É falha em me regular, Em lidar com o desconforto. Crenças tortas sobre mim, Sobre as tarefas, sobre a dor.
Mas a inércia não sou eu. Não sou um "nada". Sou a luta. O querer abraçar o mundo, Esse grito, É a prova do que sou. A pessoa confusa, É um estado, não um destino. Há potencial. Há valor. Eu do futuro, que você saiba disso.

A Gaiola, Afinal, Sou Eu




Mudei, sabe? Mudei pra encontrar meu pedaço de mundo, Construir algo do zero. Me sentia tão preso, lá. Achei que a distância, a cidade nova, Me libertaria.
A ironia, essa que me corta, É que a gaiola nunca foi a cidade. Nunca foi o lá fora. A gaiola, sou eu. A prisão, está na minha mente.
Essa cela, feita de medo, De que me descubram, De que vejam a farsa que sou. Síndrome do impostor, me sussurram. Queria ser melhor, Focado, com propósitos. Mas a autodúvida, essa sombra, Me paralisa, me afoga.
Me sinto um robô, um autômato. O querer existe, grita, Mas a vontade... Ah, a vontade Se desfaz em inércia. Minha agência minada, O que quero não vira o que faço.
Mas se a prisão está em mim, Se sou eu quem a constrói, Então a chave também é minha. Uma dor que traz esperança. Essa consciência, eu do futuro, É o primeiro passo pra se libertar.A Gaiola, Afinal, Sou Eu
Mudei, sabe? Mudei pra encontrar meu pedaço de mundo, Construir algo do zero. Me sentia tão preso, lá. Achei que a distância, a cidade nova, Me libertaria.
A ironia, essa que me corta, É que a gaiola nunca foi a cidade. Nunca foi o lá fora. A gaiola, sou eu. A prisão, está na minha mente.
Essa cela, feita de medo, De que me descubram, De que vejam a farsa que sou. Síndrome do impostor, me sussurram. Queria ser melhor, Focado, com propósitos. Mas a autodúvida, essa sombra, Me paralisa, me afoga.
Me sinto um robô, um autômato. O querer existe, grita, Mas a vontade... Ah, a vontade Se desfaz em inércia. Minha agência minada, O que quero não vira o que faço.
Mas se a prisão está em mim, Se sou eu quem a constrói, Então a chave também é minha. Uma dor que traz esperança. Essa consciência, eu do futuro, É o primeiro passo pra se libertar.

A Lápide da Alma:


Um Grito na Noite Gelada
Eu sinto... Não sei bem o quê. É um nó, Um vazio que me encolhe. Não sei se estou de pé, Ou se já me desfaço.
A noite mais fria de Curitiba, O silêncio, cortado só por mim. Gravo isso... pra quem? Talvez para o eu do futuro, Que um dia, quem sabe, tropece aqui.
A náusea de Sartre, Um espelho amargo. Ver a existência assim, nua, Sem roteiro, sem chão. Um vazio que é dor, E me aperta, me paralisa.
Quero chorar e quero estar bem. Uma confusão que não me move, Só me prende mais. Vejo o idiota no reflexo da janela, Distante, estranho. Sou eu, mas não sou. Desconectado do que sinto, Entorpecido. Mas nesse vazio, nesse caos, Será que há semente? Um solo onde algo novo pode brotar? Eu espero, eu do futuro, que sim.

⁠Eu me sinto tão preso,
Com tanta coisa que eu me arrependo de não ter feito
Tanta coisa que queria ter tirado do meu peito
Mas já passou, agora são só sombras em minhas memórias.
Não sei você, mas eu acredito em depressão sazonal.
Aquela data vai chegando e seu corpo todo vai sentindo a dor e o peso vindo junto.
Uma sensação tão devastadora, tão pesada, que nem sei descrever.
Parece que o mundo inteiro vai caindo, se desmontando ao seu redor e você fica sozinho com todo aquele sentimento esmagando seu peito.
Já faz onze anos, eu ainda não superei, você ainda vem me assombrar, mas não como um fantasma de um filme, você na verdade está instalado aqui na minha cabeça, junto com toda a dor que foi te perder. Desde aquele dia, tudo o que eu queria é que tudo fosse um sonho, que eu acordasse e você estivesse lá me chamando, como se nada tivesse acontecido.
As vezes ainda sonho com você me acordando, com o carinho na minha cabeça, com as músicas altas no som de casa, com seu humor que sempre quebrava meu orgulho. Eu te amava tanto, mas não sabia como expressar, nunca foi nosso forte. Nós tínhamos tantos defeitos um pro outro, mas, mesmo assim, mesmo com seu jeitão de dar bronca, eu te amava tanto, não importava. Nada disso importava. Eu só te amava e você foi a única pessoa que realmente me amou. Desde sempre.
Eu sinto tanta saudade de você Pai… Toda vez que sonho com você de volta em casa é como um soco no meu estômago, como uma facada em meu coração, dói tanto. Desculpa por tudo, por ter sido esse filho orgulhoso, de cara fechada, ferido, que nos últimos meses juntos não tornou as coisas nada fáceis para nós dois. Eu espero que um dia o arrependimento, a culpa e a dor passem, mas por enquanto está doendo muito, doendo demais. Esse luto parece nunca passar. As vezes eu fico pensando em ir te ver, as vezes fico pensando que eu devia ter ido em vez de você, porque todo mundo precisava de você, ninguém precisa de mim. Seria mais fácil. Seria o mais justo. Mas a vida não é nenhum dos dois.
Eu sinto muito por tudo, eu queria tanto que tivesse sido diferente, que não tivéssemos brigado, que eu tivesse sido chato e te obrigado a usar capacete. Eu queria tanto ter ido te ver no hospital, ter te dito o quanto eu te amava, mas eu estava em negação, achava que você logo voltaria pra casa. Mas saiba que eu te amo, te amo mais que minha própria vida.
Já são onze anos de sofrimento que não passa. Nunca. Eu tô cansado. Exausto. Preciso descansar.

⁠Até hoje, até hoje, não consigo deixar de lembrar a forma como eramos compatíveis.
Tão íntimos, tão companheiros, em tantas formas diferentes. Nos entediamos e parecia que tudo ia durar pra sempre. Que você nunca ia desaparecer.
Mas foi naquela noite de janeiro que eu te dava o ultimo até logo.
Se eu soubesse que eu nunca mais te veria, eu faria mais, eu diria tudo o que sempre quis dizer. Mas não disse. Já passou, acabou.
Daquele dia em diante você se tornou alguém que eu não conhecia mais. Esses sete anos que passamos juntos não valeram de nada? Eu pensei que eramos irmãos, eu jurei que te protegeria, que estaríamos juntos até ficarmos velhinhos, mas não foi...
Você não está mais aqui e eu sinto falta, mesmo você tendo me feito tão mal. Mesmo você tendo me feito se sentir maluco e obsessivo. Bem, talvez eu seja. Mas você se foi, sem avisar, nem uma ligação, nenhuma mensagem, nenhuma palavra... Você me abandonou primeiro, eu só te correspondi.
Dói tanto perceber que eu nunca signifiquei nada, que eu nunca fui ninguém importante em sua vida. Eu não era suficiente pra você, nunca fui. Você foi embora e depois agiu como se nada tivesse acontecido, como se eu não fosse uma pessoa, com fragilidades que você conhecia tão bem.
Você virou meu mundo de ponta cabeça, mesmo com sua ausência. Você acabou comigo, você sabe disso.
E eu aqui, tentando fingir que tá tudo bem, que não tem nada de errado, tentando ser forte por todos e por mim. Mas acabou me deixando marcado, de uma forma que eu não consigo apagar.
Eu sei, eu não era fácil, mas, por Deus, eu sempre demonstrei tanto meu amor. É esse o pagamento que eu recebo?
Como você tinha tanto poder sobre mim? Como eu deixei isso acontecer? Porque eu me deixei levar por seu sorriso e sua cara de bobo? Algo entre nós foi real? Existiu amizade de verdade? Ou você só me usou?
No final das contas só restaram dúvidas e inseguranças.
Eu não consigo confiar, não consigo me entregar a nenhuma relação humana e tenho muito medo de no final da minha vida não ter ninguém ao meu lado. Eu não quero ficar sozinho.
Mas esse sentimento um dia vai passar, um dia eu vou voltar a ser eu mesmo.