Coleção pessoal de Adrianacarvalhoadam

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Desvelanças...

Escolhas ao vestir, panos, cores e formas, poesias de um corpo.
Corpo coberto, que se faz livro aberto, em cada detalhe, subtraído ou adicionado, com claras mensagens, quer queira ou negue, que vão comunicar.
O quê? O que você sabe e o que ignora. Por onde andou, o que enxergou e o que não viu.
O jeito que tece, as tramas de sua alma, que aflora e descostura, mesmo quando, se encolhe e nem escolhe.
Até isso, comunica, uma decisão. A que desnuda, sua mais sutil tentativa, de cobrir, o que na verdade, quer revelar, de um jeito adivinhado, por puro desejo de querer ser, assim, notado sem pedir,
reparado.

Adriana Carvalho Adam

#comunicaçãovisual #linguagemdocorpo #moda #semiótica

Morte, saudade, vida...

Vida que sempre exige tomadas de decisões sem muito tempo para pensar.

Vida que gira, em ângulos inimaginados, e te pede, sempre, para decifrar e seguir.

Eu, sempre desafiei o destino,
descumpri rotinas, inventei caminhos,
desobedeci.
Subi pelos telhados,
Me pendurei em precipícios
sem me preocupar se eu ia cair
ou se ia voar...

Apostei com sangue, contei com a sorte, acreditei.

Fui nadar sem medo em águas desconhecidas, desbravando a cada braçada um novo sentido.

Subi e saltei de árvores e montanhas como um pássaro que carrega no instinto a urgência de viver...

E cada voo, ou mergulho, me mostrou que seguia, não a razão e a lógica matemática,
mas sempre a intuição
e a verdade visceral, expontânea
do ser infinito
que em todos nós habita...

Eu confio nesta voz, interna, que traz reações físicas, impossíveis de dissimular.
A verdade sagrada do corpo.
Que se mostra pura e liberta,
tal como deve ser.
O pulsar da vida no peito.

Adriana Carvalho Adam

Mentes ocupadas não encontram tempo para pensar naquilo que não devem. Não sentem aquilo que não querem. Não abraçam tristezas, nem sentam com as lágrimas.

Fogo e mente

Toda mente precisa de calma
Todo fogo precisa de alma
Toda mente precisa de alma
Todo fogo precisa de calma

Os rituais em torno de uma fogueira são significativos. Para quem se permite sentir, perceber.

Em torno do ato de montar uma fogueira e cuidar do fogo para que não apague, há uma sinergia que evoca a presença do grande espírito, o sagrado em si mesmo de cada um.

O som dos tambores no ritmo do coração, nos conecta com o princípio de tudo, com o céu acima da cabeça e a terra abaixo do pés descalços.

A dança das labaredas hipnotiza a medida que a madeira queima e libera seu perfume purificador.

A mente em sintonia com o fogo, vibra na frequência dessa luz e reconhece o tamanho do seu poder.
A consciência se ilumina.
Os guerreiros estão de pé.

Adriana Carvalho Adam

O que é beleza pra você?
Um jeito de olhar
Um modo de sentir
Ou a maneira de pensar...

Um salto e um Chandon
Aquela música e o luar
A cor do edredom
Nuance que faz voar

O que é belo, afinal
Se beleza é simetria
E o simétrico é raro
Que tal a simpatia?

Beleza é no fim
A soma do intangível
É algo que toca, assim
No âmago do invisível...

O belo é, um saber multiplicado
Saber-se gente, com mais a ouvir
Do que tanto a ser falado...

(Adriana Carvalho Adam)

A espantosa semelhança entre o macro e o microcosmo sempre nos leva refletir.
Somos pequenos universos, tão perecíveis, supostamente oriundos do macro, ou seria o inverso, infinita e eternamente perplexos, ante tantos mistérios que nos rondam.

Que importância nós temos para essa imensidão de energia que pulsa? Somos parte desta energia, dizem.
Como?
Observo a matéria inerte que apodrece após a morte. E grita o contraste com a manifestação que ali havia, desta matéria, repleta de vida.
Havia algo bem mais vivo, ali. Infinitamente mais inexplicável que a carcaça que habitou.

Que equação misteriosa é essa, tão difícil de decifrar, que poderia nos fazer ver o que hoje não conseguimos, com esta rudimentar capacidade de entender esse mistério que nos cerca? Melhor mesmo é seguir sem entender. Aceitar o mistério eterno. A resposta deve ser muito óbvia. Bem por isso não a enxergamos... bem por isso contemplamos o céu em eterna interrogação... Ajusto o foco, apenas mais dez cliques pra garantir a captura. E só mais um gole de vinho. Hora de juntar tudo e aterrisar.

Fotografar é transformar notas musicais em imagens. É enxergar pelas frestas dos cílios as cores das palavras inaudíveis. É ver uma imobilidade emoldurada pela história dos dias e pela soma dos tempos. É desenhar uma emoção com a luz.

A prosperidade pousa em mãos que se doam.