Coleção pessoal de DraJaneCostaRebello

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PELO OLHO D’ÁGUA, fotografo a chuva de estrelas, escuto em silêncio o cio do vento, música volátil de pássaros e peixes. Viro outra página... Reconheço-me noutras palavras. Asas de sonhos esquecidos, cinzas de ossos dos meus mortos: Oceânica Busca, messiânica Dor. Canto o Amor, enquanto encanto estrelas no chão de flores. Efêmero fragmento de luz deste turbulento tempo. Ofereci a mão. Devolveram a cruz. Andarilho da estação flor-estrela decodifico mantras, mandalas, identifico eneagramas. Reflito o livro da Vida que não li: VOCÊ! (Escritor/jornalista Eugenio Santana)

SINTO MUITO PELAS FLORES QUE NUNCA TE DEI, MÃE. Guardo apenas nas asas do coração o perfume indescritível dos seus cabelos grisalhos. O beijo na testa, a benção diária, seus cuidados; seus passos pássaros e o extremado zelo pelo jardim. Rastro de astro e o espaço do beija-flor. O cheiro inconfundível da madressilva em minha janela e a exótica flor-estrela na varanda, saudando os mistérios da noite interminável. Perdoe-me, mãe, por te amar tanto assim... Asas do Infinito preenchendo minha alma alada. Na voragem da distância o registro memorável da cerimônia do Adeus... (Escritor/jornalista Eugenio Santana) — com Eugenio Santana II.

FILAMENTOS DE UM PÔR-DO-SOL ANDRÓGINO (*)
Admirava-o. Não perdi a admiração. Acredito que ela tenha aumentado. O bizarro, é que nunca cheguei a pensar como tudo havia acontecido. Eu era, testemunha ocular de um gesto que o personalizou, ainda que não tenha tido a intenção, seu trabalho bastaria, como bastou. Entre os estandartes da demência e da genialidade, fez-se eterno.
O vermelho deslizava-lhe pelo pescoço, avolumando pequenas poças, coágulos, gosmas, querubins malditos, formas mortas, abortos, abutres, assentados nos pêlos da sua barba. Seu olhar fixo, sem nenhum tremor, como se nada acontecesse, e não fora ele o autor, intérprete, diretor, cenário e palco do monólogo vermelho. A colcha que cobria a cama ganhava nova coloração e forma, pintura primitiva, esvaindo-se das minas da carne, viscosa e quente, contrastando à indiferença do seu olhar, parede e alcova, da emoção. O corpo demonstrando declínio ante a dor não exposta e fraqueza natural, quedou-se devagarzinho, de encontro à cama.
O instrumento cúmplice, banhado de vermelho, parecia um bumerangue aborígene, pássaro apocalíptico da trilogia da negligência. Nós éramos mórbidos epigramas do triângulo em gestação. Cortado pelo gélido pincel, foi-lhe a carne dividida, lembrando o pão da santa ceia, às avessas.
Ela estava arrancada dele, definitivamente separados. Não fiz nada. Senti que não deveria interferir. No entanto, não poderia abandonar aquele momento trágico e sedutor, sem pegar um souvenir.
Quanto tempo sonhei com aquela tarde no Louvre. Lá estava eu, entre dezenas de grandes mestres, todos fascinantes com seus estilos, e rupturas que marcaram época, contudo, queria encontrá-lo, devorá-lo ao vivo, longe das reproduções e slides, que durante anos foram companheiros nas salas de aula. Somente ele, nenhum outro, de tal forma, conseguia desequilibrar-me, colocando-me à deriva emocional. Diante da sua arte, caminhava entre as plantações de trigo, girassóis e moinhos. Nessa viagem, frenesi de quem parte sem ausentar-se, somente retornava a mim mesmo, quando os alunos em coro, chamavam-me.
Andando pelos corredores do Louvre, escarnavam-me o olhar babando as gosmas saborosas das retinas, Delaroche, Velasquez, Picasso, Gaugain, Renoir, Monet, que me provocou compreensível – breve – parada. Ele, de certa forma, bordava as lantejoulas do meu frenesi. Continuei a busca, com a certeza da sua proximidade. Subitamente, como se algo, chamasse-me a atenção, tocando-me às costas, virei-me, e o paraíso descerrou as cortinas – a luz amarela – estrela vésper da sua pintura, mergulhava na umidez vermelha dos meus olhos.
Ignorando as pessoas em volta, perdendo com mais intensidade a noção do tempo, ao êxtase tântrico pictórico, minha alma alada, já não era alma. Era um arco-íris pousando no útero da tela, onde fiquei, até que uma voz – sempre elas – trouxe-me de volta para o outro lado – a terceira margem do rio do tempo – ao insistir que estava na hora de fechar o museu.
Saindo do Louvre, meus olhos garimpavam o transe. Na indiscreta verticalidade do abismo, encontrei o metal cortante. Minhas náufragas, suadas digitais, revelaram a dissimulada atração. Ao guardá-lo, no bolso esquerdo da jaqueta, forte era a sensação de Ícaro, cujas asas a monotonia, não mais haveria de derreter. No balanço do meu andar, o metal batia e voltava sobre meu coração, como chibatadas, açoitando a dolorida ansiedade.
A uma quadra do hotel, resolvi parar num café, escolhendo uma mesa na calçada. Após a primeira taça de vinho tinto seco, vejo-me novamente em seu quarto. Ele com o instrumento em riste, no topo da orelha, não ousava dizer absolutamente nada. Quedou silente. Os músculos de sua face e seus olhos eram os mesmos bailarinos paralíticos, completando a alegoria do hiato, antecedendo ao gesto. Sua mão, única expressão de vida, desceu num frêmito impulso guilhotinador. Um desejo irremovível de amputar. Em queda, as gotas de sangue eram filamentos de um pôr-do-sol andrógino.
Sentado no café, o garçom perguntava-me se queria outra garrafa. Pedi a conta, ao mesmo tempo em que apalpava os bolsos da jaqueta.
Chegando ao hotel, peguei a chave, tomei o elevador. Dentro do apartamento, ouvi o farfalhar das asas de dois pássaros vermelhos, fui ao lavabo, postei-me frente ao espelho, retirando, primeiro do bolso esquerdo da jaqueta, o dócil e inofensivo cortante metal. Depois foi a vez do souvenir. Ao empunhar o metal sobre minha orelha, no canto esquerdo superior do espelho, Van Gogh, observava-me passivamente. No mármore do banheiro, a orelha de Van Gogh, já não estava sozinha.
(*) EUGENIO SANTANA é Jornalista, Escritor, Ensaísta, Biógrafo e Redator publicitário. Pertence à UBE - União Brasileira de Escritores. Colaborador da ADESG, AMORC e do Greenpeace. Autor de nove livros publicados. Gestor e fundador da Hórus/9 Editora e Diretor de Redação da Revista Panorama Goiano.

Quando despertamos, nosso coração é uma expressão do espírito, do amor, da vida. O despertar acontece quando tomamos consciência de que "somos a vida". (Escritor/jornalista Eugenio Santana, FRC) — com Eugenio Santana II.

ESCREVO SEMPRE e creio que é essencial escrever. Se pudesse lhe dar uma dica, diria: escreva. Seja uma carta, um diário, alguma anotação de viagem, detalhes de uma conversação via fone.

Hipócritas e medíocres formam uma parceria perfeita. Não crescem. Não evoluem. Adoram "pequenos poderes" e, fundamentalmente, jamais abre mão de sua famigerada ZONA DE CONFORTO. (Escritor/jornalista

O ANJO DA GENEROSIDADE – SER FRATERNO é tomar consciência da unidade humana que formamos e do apoio mútuo que se torna necessário em nossas vidas. À medida que começamos a aceitar amorosamente as pessoas, abre-se diante de nós um novo caminho, no qual iremos encontrar a unidade e a harmonia maravilhosamente sincronizadas e atraindo as melhores situações para nós e para todos os que nos rodeiam. (EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta e consultor. Autor de livros publicados. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro)

BRASA ADORMECIDA – Feito brasa adormecida, na fogueira do tempo, você surgiu do nada e, crepitante chama, reacendeu meu coração. (Escritor e Jornalista EUGENIO SANTANA – Autor de livros publicados)

COISAS DE BRASÍLIA – Brasília é uma cidade mais do que diferente. Atípica. Pessoas de outras cidades, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Recife ou Florianópolis comentam que Brasília é uma cidade onde as pessoas vivem muito separadas, reclusas em seus apartamentos, em suas entrequadras. Em contrapartida, o céu de Brasília é único. Inconfundível. De uma beleza cativante. Neste item, até mesmo os forasteiros concordam e reconhecem o maravilhoso pôr-do-sol da cidade. Em Brasília falta o centro e não existem as esquinas, normais em qualquer cidade do país. Brasília ainda é dividida por setores. Setor hospitalar, de embaixadas, bancário, comercial, de autarquias. Coisa de governo, de burocracia. Coisa de Brasília. Talvez por isso as pessoas na Capital Federal tenham se setorizado, causando distanciamento entre os modernos candangos do século XXI. Para alguns mineiros, paraibanos, paulistas, cariocas, pernambucanos, gaúchos e baianos, Brasília é uma cidade fria em que as pessoas têm dificuldade de começar uma amizade. Um lugar onde os brasilienses vivem com seus cachorros, gatos e eventualmente familiares. Cada um na sua. (copydesk/fragment by EUGENIO SANTANA, escritor, jornalista, ensaísta e consultor. Autor de livros publicados. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro)

A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio.

A PSICOLOGIA E A MITOLOGIA de diferentes culturas são muito similares. Um dos pontos que têm em comum é o mito da viagem que o herói empreende em busca de seu destino. Ele sempre encontra terríveis obstáculos em seu caminho, ritos de passagem e desafios que todo ser humano enfrenta ao procurar sua realização. (Escritor/jornalista EUGENIO SANTANA, FRC)

Caso tente ser feliz em seja lá o que for, verifique a tabela de preços que a vida expõe honestamente, como decreta a ordem natural das coisas.

Conquiste-me; não adquira;
quero ser teu bem; não um dos bens.
O teu sonho de amor, não de consumo...

Essa coisa de amar como quem despetala,
feito bala de afeto que a boca derrete,
lua toda melada entornando no céu,
é papel que a caneta interpreta na mão...

Não dá mais para crer na solidariedade humana. O mundo está tão egoísta que, com certeza, quando alguém "compra a briga" do próximo, é para revender mais caro depois.

DONO DE MINHAS ASAS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Nem tente me amansar. Sobretudo, como quem tange ovelhas à base de orações. Hinos. Vara, cajado e ritos de arrepiar com os seus efeitos psicológicos.
Não serei o seu passarinho dócil. Próprio de cativeiro. Que trina dia e noite o seu desejo de céus reais. Do paraíso natural que seus olhos apenas veem. Quero cantar, mas não no dedo. Comer, mas não na palma da sua mão. Sonho com bem mais do que olhar além da varanda e ter uma inveja disfarçada e pungente ao ver outras aves. Nunca foi o meu sonho, decantar maravilhas sobrenaturais. Louvar o que os olhos nunca viram e me privar das belezas, emoções e vivências ao alcance do livre arbítrio.
Ninguém há de pastorear os meus sonhos. Minhas verdades e mentiras sinceras. Meus passos errados à procura do acerto e do compasso. Quem quiser me forjar no fogo e no aço de quem não sou, terá frustrações contundentes, porque sou quem sou, e sou de fato. Não show. Nem apenas estou.
Jamais me assistirão cantar para enaltecer senhores. Nem senhoras. De nenhum status ou dimensão. Realmente não nasci para louvar o poder. Nenhum poder.

O corpo é um campo de moléculas.
A mente é um campo de idéias.
Aonde quer que vá um pensamento, uma molécula vai atrás.
Pensamentos frescos e jovens criam moléculas frescas e jovens.
A idade psicológica influencia a idade biológica.

– Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
– É algo quase sempre esquecido – disse a raposa. Significa “crias laços”...
– Criar laços?
– Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
– Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...

A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa.
- Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

– Ah! Que engraçado! Os dias aqui duram um minuto!
– Não é nada engraçado, disse o acendedor. Já faz um mês que estamos conversando.
– Um mês?
– Sim. Trinta minutos. Trinta dias. Boa noite.