Coleção pessoal de Diocese

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✠ MENSAGEM DE NATAL


Diocese Anglicana Católica do Brasil


Queridos amigos, colaboradores e fiéis,
Neste Natal, muitos ainda procuram Cristo onde Ele nunca prometeu estar:
nos palácios, nas vitrines, nas imagens perfeitas, nas palavras fáceis.


Mas o Evangelho continua teimoso.
Cristo não nasceu onde havia conforto.
Nasceu onde havia necessidade.
Não nasceu onde havia segurança.
Nasceu onde havia vulnerabilidade.
Não nasceu onde todos eram bons.
Nasceu onde todos eram humanos.
Cristo nasce no casebre.
Nasce na casa simples.
Nasce onde o povo luta para sobreviver.
Nasce onde a esperança não grita — resiste.


Neste Natal, aprendemos algo duro e verdadeiro:
muitos olham para a realidade do povo simples e veem crime, perigo, ameaça.
Nós olhamos e vemos pessoas.
Vemos rostos.
Vemos histórias.
Vemos dignidade ferida, mas não perdida.


Porque qualquer pessoa pode errar.
Qualquer pessoa pode cair.
Mas nenhuma pessoa é reduzida ao rótulo que lhe impõem.
O Menino Deus não perguntou quem merecia.


Ele apenas veio.
E veio para lembrar ao mundo que o pecado maior não é a pobreza,
mas a indiferença.
Não é a favela,
mas o olhar que desumaniza.
Não é a realidade dura,
mas a mentira confortável que tenta escondê-la.


Como Diocese Anglicana Católica do Brasil, afirmamos com clareza e fé:
✠ Cristo nasce onde a esperança resiste.


✠ Cristo nasce onde o povo sofre.
✠ Cristo nasce onde ainda há quem ame, partilhe e não desista.
Que este Natal nos converta o olhar.
Que nos cure do preconceito travestido de moral.


Que nos liberte das ideologias que esquecem pessoas.
Que nos devolva o Evangelho simples, encarnado, verdadeiro.
Desejamos a todos um Natal sem maquiagem,
mas cheio de presença.
Sem ilusões,
mas cheio de fé.
Sem medo do real,
mas cheio de esperança.
Porque Deus não teve medo de nascer entre nós.


E continua nascendo, todos os dias,
onde o amor insiste em ficar.
Feliz Natal.


Cristo nasce onde a esperança resiste.
✠ Dom Frei Lucas Macieira da Silva
Diocese Anglicana Católica do Brasil

⁠DIA DAS MÃES: A MEMÓRIA QUE CONSTRÓI VÍNCULOS
Por Dom Frei Lucas Macieira

"Mãe é todo dia." Sim, é verdade. Não há dia em que o amor, o cuidado e a dedicação de uma mãe sejam ausentes da história de uma família. Porém, afirmar isso como desculpa para não celebrar o Dia das Mães é um erro espiritual, afetivo e humano. Este dia não é apenas uma data comercial. É um ritual de memória e reconexão, necessário para fortalecer vínculos e reafirmar o valor da maternidade.

A você, mãe, que parou tudo: deixou de trabalhar, cancelou compromissos, organizou a casa, fez um almoço com amor — mesmo sem troca de presentes, saiba: o maior presente é a presença e a memória que se cria neste encontro. Rir juntos, conversar, recordar histórias — isso é o que molda a alma dos filhos e fortalece a sua identidade materna. O coração humano é tecido por memórias, e o amor se nutre daquilo que se celebra.

"Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra" (Êxodo 20,12).
Celebrar o Dia das Mães é obedecer este mandamento. Não é apenas sobre gratidão: é sobre justiça.

Mas a você que preferiu trabalhar no domingo, dizendo que as contas são muitas e o tempo é pouco, quero deixar uma palavra de alerta. É verdade que o mundo exige produtividade, mas ele não devolve amor. Se você morrer hoje, amanhã já haverá alguém no seu lugar de trabalho. Já em casa, a saudade ocupará um espaço que ninguém mais preencherá.

"Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente" (Romanos 12,2).
Trabalhar é importante, mas priorizar a família é essencial. A memória não se impõe — ela se constrói. E se hoje você escolhe não construir memórias, amanhã lamentará a ausência delas.

Alguns dizem: “Meus filhos não prestam, não se importam comigo.” Cuidado. Essas palavras são como sentenças malditas, que criam distância em vez de aproximar. Segundo Carl Gustav Jung, “aquilo que você resiste, persiste”. Se você semeia mágoas, colhe solidão. Mas se semeia perdão, compaixão e acolhimento, a reconciliação pode florescer.

"O amor é paciente, o amor é bondoso. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1 Coríntios 13,4.7).
Sim, filhos erram. Mães também. Mas a mãe tem a missão de ser melhor — de guiar, curar, levantar. Reconstruir é mais difícil que construir, mas é possível. Faça a sua parte, mesmo que o outro lado ainda esteja distante.

Concluo com uma frase de Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente dos campos de concentração:
“Entre o estímulo e a resposta, há um espaço. Nesse espaço está o nosso poder de escolher nossa resposta. E, em nossa resposta, está o nosso crescimento e nossa liberdade.”
Use este espaço para dizer: eu amo você. Use este tempo para criar memórias. Celebre o Dia das Mães — não por obrigação, mas por sabedoria. Porque no final, o que nos resta são as memórias vividas e os laços que cultivamos.

Feliz Dia das Mães!

⁠A teologia é o diálogo entre a razão e a fé, iluminando os caminhos da vida espiritual e prática.

⁠A teologia é a busca incessante por compreender o mistério de Deus e sua relação com a humanidade.

⁠Vocação Sacerdotal

No silêncio do altar, a luz se acende,
Um chamado profundo, a alma ascende.
Entre preces e cânticos, um destino,
Sacerdote, tu és ponte, amor divino.

Com a veste branca que o coração abriga,
A missão floresce, a fé se instiga.
Na partilha do pão, na palavra do irmão,
Ecoa a verdade, pulsa o coração.

Nos caminhos da vida, a dor se faz canto,
Em cada lágrima, um amor tanto.
Guia das ovelhas, pastor da esperança,
Teus passos ressoam, a vida avança.

Aos pé da cruz, renuncias de dor,
Encontro e entrega, o maior dos amores.
Clemente e sábio, com mão que ampara,
Acompanha os perdidos, recantos e varas.

Diante do altar, a eternidade espera,
O sagrado mistério, a alma é a esfera.
É chama que arde, é fervor que condensa,
Na busca do reino, uma vida imensa.

Oh, vocação pura, luz que persiste,
Na jornada da vida, um eterno artista.
Que em cada ritual, a graça se estilize,
E a essência do ser, em amor, se eternize.

⁠Em Nome do Poder

Quem governa pelo ego, erra o caminho,
esquece da cruz e do coração,
troca o amor pelo ouro mesquinho,
e planta na fé a corrupção.

⁠Vozes que Calam

O templo viu, mas não gritou,
as paredes ouviram, mas não falaram,
os justos choraram pelo pastor que tombou,
e as sombras para sempre ali ficaram.

⁠No Trilho da Traição

Da cidade das montanhas altas,
saiu um homem ao cair da tarde,
com olhos frios, promessas falsas,
e no peito, um coração covarde.

Levaram-no ao altar,
não para prece ou oração,
mas para o destino selar,
com disparos de traição.

As velas ardiam na sacristia,
testemunhas mudas de um crime vil,
um tiro rasgou a calmaria,
e o justo tombou sob o olhar febril.

O trilho do trem acolheu o mal,
a arma lançada ao esquecimento,
e de volta às ruas de Minas Gerais,
comemoraram o triste evento.

Mas a justiça, mesmo tardia,
nasce na voz que insiste e clama,
pois a verdade jamais esfria,
e o fogo do justo não se apaga.

O Peso do Silêncio

Na catedral de pedra fria,
onde ecoa o som da devoção,
nasceu uma sombra sombria,
ferida aberta pela ambição.

O pastor, amado pelos seus,
guiava almas pelo caminho,
mas mãos ocultas, cheias de breus,
espreitavam em completo desalinho.

Era noite, um altar sagrado,
um visitante ao fim da missa,
com olhar vazio e passo pesado,
entrou onde a luz se avisa.

Um disparo rompeu o ar,
o rosto sereno ao chão tombou,
a fé tremeu, não pôde evitar,
e o sangue do justo ali jorrou.

O silêncio grita nos muros do templo,
a justiça caminha com passos lentos,
os nomes se perdem, mas não o exemplo,
de um homem que partiu nos ventos.

⁠Nas sombras de 2003, a verdade nunca foi enterrada; hoje, meu saber transforma-se em risco, e uma cruz, que não é divina, busca calar o que jamais se apagará.


Quando duas almas se encontram no altar, Deus celebra junto, transformando amor humano em graça divina.

"Casamento é mais que um vínculo; é o sacramento do amor eterno, onde Deus se faz presente em cada promessa."

Ser anglo-católico é cultivar uma espiritualidade rica em história e devoção, mantendo o coração aberto para a presença viva de Deus em nosso cotidiano.

Na vivência anglo-católica, encontramos um equilíbrio entre a liturgia sagrada e a missão acolhedora, refletindo o amor do Deus da vida em cada gesto de fé.

Ser anglo-católico é abraçar a tradição da fé com a abertura ao diálogo e à inclusão, sempre voltados para o Deus da vida que nos renova diariamente.

⁠As ameaças que recebo não me desviam do propósito; pelo contrário, fortalecem minha confiança em Deus.

⁠Assim como Cristo foi perseguido, sigo firme na fé, sabendo que o sofrimento faz parte do caminho da cruz.

⁠Se minha vida está em risco, entrego-a nas mãos de Deus, porque somente Ele tem poder sobre o meu destino

Não me calarei diante das ameaças, pois o Evangelho é maior que qualquer poder humano.⁠

⁠Ainda que ameaçado e perseguido, minha fé em Deus permanece inabalável; não temo porque sei que Ele é meu escudo e fortaleza.