Coleção pessoal de darlyane_magalhaes
É como se nada fosse meu,
me vejo só, tolo plebeu
querendo um coração roubar,
mas deixo a alma toda falar.
Tipo Claudinho e Buchecha,
um romance preso na cabeça,
mas minhas próprias incertezas
me prendem na maior fraqueza.
Eu toco o violão pra fugir,
mas me vejo como Marta a subir…
e logo depois sou Kuririn,
caindo sem saber onde ir.
E eu grito como uma banshee,
mas ninguém nunca ficou aqui.
Eu que achava ser Hulk, me vi
num labirinto feito só pra mim.
Queria ser Ravena, Mutano,
mudar minha vida ano após ano…
mas meu mundo virou outro enredo,
Capitão sem América, rindo do próprio medo.
As teias que deviam me segurar
viraram corda no naufragar.
Poseidon tentou me resgatar,
mas nem a sereia eu pude enxergar.
Fui branca de neve sem a cura,
Frost nem viu a minha lua.
Quis ser gelo só pra me esconder,
mas o mundo não conseguiu me ver.
As luzes todas querem brilhar,
a minha é faísca pronta a apagar…
minha Viúva Negra a decidir
dar “game over” no que restou de mim.
E eu grito como uma banshee,
mas ninguém nunca ficou aqui.
Eu que achava ser Hulk, me vi
num labirinto feito só pra mim.
Queria ser Ravena, Mutano,
mudar minha vida ano após ano…
mas meu filme não teve final,
me perdi no meu próprio mundo real.
---
Me diz como é perder tudo.
Me conta sobre as vozes que imperam no submundo,
sobre o silêncio que às vezes pesa mais que o próprio grito.
Me fala se és fogo ou faísca,
se és o gelo que congela a vida
ou o vento que alivia o verão.
Poderias ser o mormaço depois da chuva num dia bom,
poderias ser a calma,
mas me lanço na tua piscina
e percebo que ela é rasa demais
pra tudo que não se explica
e nem sempre ameniza.
Somos, às vezes, como um coração de mãe
tentando dar tudo —
mas também somos os ingratos do mundo.
Feito pássaros, sigo a voar,
mas quis por uma fênix no meu pensar.
Meus pensamentos voam como o vento,
sou como a erva que desfaz a paisagem
perante o firmamento.
Minhas palavras ecoam pela imensidão.
Joguei minha rede ao mar
e ainda não sei se fisguei uma verdade
ou mais uma contradição.
Algo brando e singelo sou,
eu e você
em um destino paralelo.
Era eu a te amar,
você a me escutar —
sou verdade
ou pesadelo
no teu pensar?
Poderíamos ter sido
o amor mais verdadeiro,
nos amar de janeiro a janeiro.
Mas o amor,
essa droga delicada,
ficou entre parênteses.
Você foi faísca.
Eu fui quem te ofereceu
o mundo inteiro.
Girei palavras
tentando falar de amor:
era você e ela
ou era você e eu
nesse mundo
onde eu pensava
que tudo era só dor?
Você é minha inspiração diária,
o fragmento mais belo
nesse mundo de ilusões
onde sobrevivi
escutando refrões
de um amor
que nem sei se foi verdade
ou se foi meu pensamento
afastando a realidade.
A cruzada dessa guerra
foi perdida uma vez —
só para eu saber
se caminho sozinha
ou se ainda vou te encontrar
para viver
uma vida bela,
leve
e singela.
Quem era Darlyane naquele lugar?
A que lutava nos treinos
ou a que guardava tudo no pensar?
Uma imagem,
várias vozes.
Era mais fácil rir
do que encarar o algoz.
Perdi minha meminha,
minha mochilinha —
era minha?
Ou de outra pessoa
nesse caos,
nessa ventania?
Foi o mais difícil de compreender:
enquanto ela chamava por ela,
outras vozes
a fizeram descer.
Era puro.
Pena que deu tudo errado.
Precisou de uma mensagem
pra rasgar a verdade
diante do estado.
Os ferros tonificaram a dor.
O suor não veio.
Veio o choro incolor.
Sinto falta da sua poesia
que compunha minhas melodias.
Foram dias e dias
da sua sina
pra querer ter, ao meu lado,
minha melhor companhia.
Pena que, por um momento,
fiquei só.
Quis você ao meu lado
e, mais uma vez,
fiquei só.
Era pra ser o segredo
mais bem guardado,
mas tudo ficou preso
no meu subconsciente:
abstrato,
intercalado.
Mandei mensagens
pra pessoas
que nem sei
se ficaram ao meu lado.
E algo em mim doeu
como a dor de um parto —
não nasceu ninguém,
mas eu perdi algo
que nunca mais voltou igual.
Ooooh, querida
não olhe pra trás.
Somos tolos em busca de uma solução,
somos a dança, somos a canção.
Você pode não ouvir nenhuma palavra —
é na falha que entendemos
que não somos nada,
nem ninguém naquele lugar.
Todos podem me ouvir,
mas será que alguém me escuta?
Todos podem me ver,
mas alguém vem me visitar?
Somos estrelas caminhando sozinhas.
Nascemos com ajuda,
mas seguimos entre labutas.
Vemos a dor do outro,
mas quem caminha conosco
durante a dor de um parto,
durante o peso de um fardo?
Somos fortes,
mas às vezes não entendemos.
Guardamos tudo,
e nem sempre compreendemos.
A válvula está na fé —
uma fé que nem nós entendemos.
Intercedemos, pedimos uma saída,
mas me vejo contra a parede:
não é porta, é muro,
devolvendo tudo como contrapartida.
Era uma via única.
Pena que eu poderia ter acreditado.
Sua verdade é surda e muda pra você,
enquanto o mundo aprende
que nem sempre a repreensão é o ser —
é só o parecer.
Você perdeu tudo sem perceber.
Não lutou.
Deitou
e esperou acontecer.
Foi a voz que fez o mundo chorar,
a dor de um submundo.
Foi a púrpura que te calou naquele segundo —
pena que ela não te levou,
apenas te fez desaparecer
de uma luta profunda,
de anos e anos a fundo.
