Coleção pessoal de danmelga
Diante de uma dificuldade há três tipos de pessoas: as que travam e querem voltar; as que param para pensar; e as que pensam enquanto continuam andando.
Certa vez, em um restaurante, na Bienal do Livro, eu e uma pessoa que me acompanhava procurávamos um lugar para sentar e comer. Havia mesas para quatro lugares, no entanto, nem todas as cadeiras estavam ocupadas, mas em todas as mesas tinha alguém. Uma senhora, sentada em uma dessas mesas, acompanhada de um menino, nos ofereceu para sentarmos nos outros dois lugares restantes. Parecia uma senhora muito boa, do bem, devido a forma como nos tratou, e também como tratava o menininho, que parecia ser filho, neto, ou apenas uma criança que ela estava cuidando. Enquanto almoçávamos pudemos ver a paciência e carinho com que ela cuidava dele e respondia suas perguntas. A serenidade dela fazia com que o clima fosse muito leve, dava para morar tranquilamente naquele momento. Depois que o menino terminou de comer, ela se levantou com ele, se despediu de nós da forma mais leve possível, falou para ele se despedir também, e se retirou. Não sei explicar direito, mas a forma como ela nos tratou ao nos permitir sentar na mesma mesa, a sensação sentida por esse gesto gentil foi tão boa, que deu vontade de fazer a mesma coisa com outras duas pessoas que aparecessem procurando mesa também, assim como nós no início. A sensação foi tão boa, que eu queria que as pessoas também sentissem o mesmo que a senhora nos fez sentir. O exemplo é a melhor forma de ensinar e de aprender. O exemplo nos faz ser o melhor aluno, e parece também fazer com que alguém seja o melhor professor.
Quando alguém nos faz uma coisa boa, nos incentiva a que também façamos uma coisa boa para outra pessoa.
Na militância, é necessário reconhecer o seu lugar de fala, e também como você se posiciona no seu lugar de fala.
Quem tem muita fé nas pessoas: ou não viu muito a maldade delas, ou cegamente acredita que ainda possa existir alguma bondade.
Às vezes nossa vida se resume na sagacidade de ter o equilíbrio de saber pensar de barriga cheia e de barriga vazia.
Sempre é bom olharmos para os indivíduos também de forma coletiva, por exemplo, quando falamos de cinquenta pessoas, na verdade, estamos falando de cinquenta famílias.
Eu não tomo decisões sob efeito do álcool, mas ficar sob efeito do álcool me ajuda a tomar decisões.
