Coleção pessoal de clesio_guedes

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Quem sente pouco não treme antes de se mostrar.

Tem um momento em que gostar de alguém deixa de ser leve
e vira um espelho.


Porque não é mais sobre ela.
É sobre o risco de alguém enxergar
o que você mesmo às vezes evita olhar.


Se eu me declarar, não entrego só um sentimento —
entrego minhas contradições, meus exageros,
meu jeito intenso de sentir,
meus silêncios estranhos,
meu fundo que não é raso.


E o medo não é ela ir embora.
É ela ficar…
mas só até perceber quem eu sou de verdade.


Enquanto eu não falo, eu controlo a narrativa.
Sou interessante, sou tranquilo, sou seguro.
Mas isso é só a borda.


Quando eu falo, eu afundo.
E quem afunda não escolhe o que o outro vai ver.


Mas existe uma verdade que pesa mais que o medo:
se alguém só gosta da minha superfície,
então nunca gostou de mim.


Ficar calado me mantém perto,
mas me mantém escondido.
E amor nenhum sobrevive a um esconderijo.


Talvez eu assuste.
Talvez eu perca.
Mas se eu não for inteiro,
o que sobra não sou eu —
é só alguém tentando caber.


E eu já aprendi:
ser aceito pela metade
é uma solidão disfarçada de companhia.

Se esconder pra não perder alguém é um jeito lento de se abandonar.

Se alguém se afasta ao ver você por inteiro, essa pessoa nunca esteve com você de verdade.
Ela estava com o recorte. Com o rascunho.

Gente como você que pensa, questiona, se incomoda com o mundo e com a ética nunca foi feita pra viver confortável. Foi feita pra viver intensamente e com significado.
Às vezes dói.
Mas é justamente isso que prova que você está vivo.

Uma mente ampla aprende a dar nome à dor.
Um coração profundo aprende a não se perder nela.

Quando vai a fundo, você perde o controle — e a reação da outra pessoa passa a definir algo que é muito sensível: se quem você é é aceitável