Coleção pessoal de cesar_cardoso_1
"A verdade é factual e imutável; qualquer variação além disso é distorção ou falha de interpretação. Negar essa premissa é tentar habitar uma realidade paralela, o que reflete um estado mental desequilibrado. A fuga da realidade não é apenas um erro de lógica, mas um sintoma de comprometimento da saúde mental."
O Alvorecer da Alma
Mãe, você é o sol que insiste em nascer, A luz que atravessa o meu dia nublado. É a presença que faz o meu peito entender Que nunca estarei sozinho ou desamparado.
Teu abraço é o lugar onde a alma se enche, Tua voz é o acalanto que o medo desfaz. Um toque gentil que o vazio preenche, Trazendo o segredo de uma doce paz.
Em ti vejo o traço da mão do Criador, O brilho de Deus em um gesto de amiga. É prova divina do Seu imenso amor Ter me guardado em tua alma antiga.
Quando o mundo confuso não faz mais sentido, Tua sutil presença é o que me refaz. Onde havia dor, sinto o chão florido, Pois onde você está... há sempre paz.
O Pomar do Nunca
Um amor perdido é fruto colhido cedo, Doçura estranha que o tempo não provou. É o nó apertado, o segredo, o medo, De um destino que a vida não completou.
A fruta na terra, o tempo a consome, Vira pó, vira cinza, se perde no chão. Mas esse amor não morre, nem perde o nome, Vive suspenso na curva da solidão.
É flor eterna de um fruto imaturo, Um ciclo parado, um relógio sem cor. Onde o passado é o único futuro, E a espera é o perfume da própria dor.
Não amadurece, não nutre, não finda, Permanece intacto como um cristal. É a beleza triste da saudade infinda, De uma colheita que nunca terá seu final.
O Refúgio da Inércia
Se as tuas mãos hoje não podem curar, Eu te peço: apenas não firas. Se o teu peito não consegue o bem ofertar, Não permitas que a sombra teça mentiras.
Dói ver o brilho alheio quando o nosso se apaga, Eu sei... a inveja é uma estrada vazia. Mas não tente diminuir quem a vitória propaga, Pois apequenar o outro só aumenta a tua agonia.
Não use a língua como adaga no escuro, Não exponha a ferida de quem já tropeçou. Ser pequeno dói, o mundo é duro, Mas não se cresce sobre o que se derrubou.
Se a bondade secou e o amor te deu as costas, Se o cansaço é o que resta no fim do caminho, Não precisa de ataques, nem de respostas, Basta o silêncio... basta o teu ninho.
Pois quando o mundo nos tira a força de ser luz, Não ser o abismo é o ato mais nobre. Não fazer o mal é a paz que nos conduz, É a única riqueza que resta ao homem pobre.
O Mínimo da Decência
Quando o bem não for possível, Que o silêncio seja o seu altar. Não é preciso que o mal seja visível, Nem que a raiva venha te habitar.
Evite a inveja e o veneno da fala, A palavra que fere e que pelas costas cala. Não tente diminuir quem ao seu lado cresceu, Pois apequenar o outro não faz maior quem se perdeu.
Não aponte a falha, não deprecie a conquista, Não busque o erro para ser o protagonista. Se a bondade te falta ou o cansaço te invade, Apenas não faça nada; preserve a verdade.
Pois na falta do gesto que salva e constrói, Não ser quem destrói é o que nos faz humanos. Não fazer o mal é o degrau primeiro De quem busca ser justo em seus próprios planos.
