Coleção pessoal de Cellyo

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EM ALTA DEFINIÇÃO.


Narciso voltou.


Não das águas turvas do mito antigo,
mas do brilho polido das vitrines digitais.
Renasceu, qual fênix perfumada,
das cinzas do próprio reflexo,
com legenda estratégica e luz lateral.


Já não precisa inclinar-se sobre o lago.
O lago agora o segue, portátil e obediente,
no bolso da vaidade.
Multiplicou-se em telas,
em ângulos estudados,
em versões de si mesmo,
sempre a melhor, por certo.


Como dizia aquele,
“é preciso ter caos dentro de si
para dar à luz uma estrela dançante”.
Narciso levou ao pé da letra:
fez do próprio caos um espetáculo
e da estrela… um holofote.


E recorda, comovido, o outro:
“O poeta é um fingidor.”
Ah, mas Narciso superou o mestre:
finge tão completamente
que chega a crer na própria encenação.
Sua dor é estética.
Sua alegria tem enquadramento.
Seu abismo tem alta resolução.


Outrora morreu por não suportar
a distância entre si e a imagem.
Hoje morre aos poucos
se a imagem não recebe o aplauso.
Antes, o lago era silêncio.
Agora, o silêncio é algoritmo ingrato.


Pergunta-se, entre um elogio e outro:
o que pode detê-lo?


Talvez o olhar que não o reflita,
mas o confronte.
Talvez o amor,
essa imprudência que exige entrega
e não performance.


Ou, quem sabe, como sussurraria mais um:
“o inferno são os outros”,
mas apenas quando não o admiram.


Até lá, Narciso reina.
Imperador do próprio contorno,
devoto da própria imagem.
E aplaude-se com fervor,


sem perceber
que nenhum espelho,
por mais fiel que seja,
é capaz de abraçar.

⁠Inveja é fraqueza. Incapacidade de encontrar a própria grandeza.

⁠Empatia é ponte que conecta corações.

⁠Sobre aquela coisa que você reclama frequentemente, há, neste exato momento, alguém desejando-a.

⁠Conhecimento é um tesouro valiosíssimo que não deve ser armazenado.
Ao contrário, deve ser compartilhado para enriquecer a outros.

⁠Conquistar a confiança de outrem é similar à escalada sem equipamentos de segurança a uma montanha íngreme. Para se chegar ao cume, é preciso controle, cautela, perseverança... Todavia, no meio do caminho, qualquer pedra solta pode provocar uma queda fatal.

“Se diamantes fossem fáceis de encontrar, seriam apenas vidros lapidados.”

"Pérolas” são suntuosas; aos abnegados, pois, a insciência!

A “amizade” termina quando os “interesses” triunfam.

Tratar bem os outros não é tolice: é gentileza. Ser egocêntrico e arrogante, sim!
O que fazemos de bem agora, retorna-nos daqui a pouco; o contrário, também!

Síndromes de ignorância causam-me, em algumas situações, crises hedônicas.

Antes de criticar o trabalho alheio, analisemos se conseguimos fazer melhor. Se não, engulamos a nossa própria hipocrisia.

Em algumas “guerras”, a melhor arma é o silêncio.

O maior covarde é aquele que não tem coragem de lutar pelos próprios sonhos.

Palavras demonstram o nível do amadurecimento...
Atentemo-nos, pois!

Ignóbeis, não julguem sádica nem precipitadamente o que é ignoto à sua reles cognição...

Antes da alheia, observa e cuida de tuas próprias entranhas: elas podem gerar, sem que percebas, "ascos" similares aos que condenaste.

Uma porção de ironia, temperada com bastas pitadas de sarcasmos, proporciona, aos providos de perspicácia, o sabor palatável da réplica astuta.

Suas palavras são necessárias?
Na dúvida, silencie-se!

Alcançaremos plenamente a Sabedoria quando não mais tentarmos ser melhores que os outros, e sim melhores que a nós mesmos todos os dias.