Coleção pessoal de cauech

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Há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade.

Mate-me novamente ou aceite-me como eu sou, por qu eu não mudarei.

...e que nada nem ninguém é mais importante do que nós próprios. E não devemos negar-nos nenhum prazer, nenhuma experiência, nenhuma satisfação, desculpando-nos com a moral, a religião ou os costumes.

A ideia de Deus é, confesso, o único erro que não posso perdoar ao homem.

As paixões humanas não passam dos meios que a natureza utiliza para atingir os seus fins.

Não há outro inferno para o homem além da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes.

A raça humana exagera em tudo: seus heróis, seus inimigos, sua importância.

Paz

perto da mesa de canto no
café
senta-se um casal de
meia idade.
já terminaram seu
jantar
e cada um deles bebe uma
cerveja.
são 9 da noite
ela fuma um
cigarro.
então ele diz alguma coisa.
ela concorda.
depois fala.
ele sorri, come a
mão.
os dois estão
sossegados.
através das persianas junto à
sua mesa
luzes fulgurantes de néon vermelho
não param de
piscar.

não há guerra nenhuma.
não há inferno nenhum.

então ele ergue sua garrafa de
cerveja.
é verde.
leva-a aos lábios,
inclina-a.

é uma pequena coroa.

o cotovelo esquerdo dela está
sobre a mesa
e em sua mão
ela segura o
cigarro
entre o polegar e o
indicador
e
enquanto ela o
observa
as ruas lá fora
florescem
sob a
noite.

Tudo o que era mau atraía-me: gostava de beber, era preguiçoso, não defendia nenhum deus, nenhuma opinião política, nenhuma ideia, nenhum ideal. Eu estava instalado no vazio, na inexistência, e aceitava isso. Tudo isso fazia de mim uma pessoa desinteressante. Mas eu não queria ser interessante, era muito difícil.

É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa.

Não, eu não odeio as pessoas. Só prefiro quando elas não estão por perto.

O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.

Não posso acreditar num Deus que quer ser louvado o tempo todo.

SIMULTANEIDADE

- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.

O meu maior desgosto é que Deus, na realidade, não exista, privando-me assim do prazer de o insultar mais positivamente.

Somos muito injustos com Deus. Nem sequer Lhe permitimos pecar.

Todos procuram um amigo, e ninguém procura ser um deles.