Coleção pessoal de Capessa
Crônica do Reino Onde o Povo Não Cabe
Ó terra formosa, de rios largos e sol antigo,
onde o chão é fértil, mas o pão é curto,
ergue-se um reino que se diz mãe,
mas que só embala alguns filhos no regaço
e lança outros ao frio da madrugada.
Neste reino de Angola
— que outrora cantou esperança
como quem canta a liberdade recém-nascida
—governam senhores de palavra grossa e ouvido fino,
mais atentos ao eco do próprio nome
do que ao clamor do povo que sangra calado.
Há um partido, não feito de todos,
mas de escolhidos.
Aos que juram fidelidade, chama “companheiros, camarada...os camaradas”;
aos que ousam pensar, chama “inimigos”.
E assim divide o corpo da nação
como espada que corta a própria carne.
Prometeram pão, mas deram discursos.
Prometeram justiça, mas semearam medo.
E enquanto o povo sua na lavra da vida,
os senhores banqueteiam-se em mesas altas,
onde a miséria não tem lugar nem nome.
Oh pátria minha, por que consentes tal trato?
Por que permites que te amem apenas em tempos de voto
e te esqueçam nos dias de fome?
És cantada em hinos, mas negada na prática;
és exaltada nos palanques, mas ferida nas ruas.
O pobre, que é maioria, tornou-se estrangeiro em sua casa.
O jovem, que é futuro, virou ameaça.
E a verdade, que deveria ser farol,
foi vestida de mentira
para não ofuscar os olhos do poder.
Mas saiba o reino — e saibam os senhores —
que nenhum poder dura quando despreza o povo,
pois a história, severa mestra,
cobra com o tempo aquilo que o medo adiou.
E virá o dia em que Angola não será partido,
nem cor, nem clã,
mas casa comum, onde ninguém será inimigo
por pensar,
nem excluído por existir.
Até lá, canta-se esta crônica
não por ódio, mas por amor à pátria,
pois quem critica por justiça
é mais fiel
do que quem aplaude por conveniência.
Quem seria poeta sem inspiração?
Quem seria escritor sem a caneta?
O que acontece com o peixe sem a água?
Quem seria o homem sem a mulher!?
Quem és tu sem Deus!?
-Nada és tu sem Deus!
Não te deixes deleitar tanto de uma mulher.
Está criatura é inconstante em toda sua vida, cuidado seus frutos são mais amargos que amorte!
SOU TUA POR DIREITO
Beija minha boca, que eu aceito, desperta meu prazer!
Toque-me sou teu piano, estou muito caído e nada há que fazer,
Aperta-me deixa-me louca, sufoca meu corpo com teu calor, esquece tudo que tem calor.
Senta-se a vontade podes mergulhar na minha suavidade de pele sem fervor.
Oh, como é agradável sentir tuas palpadelas deslizando sobre as corvas do meu corpo!
Que mão macia, que prazer, ai! que vontade de voar, minha alma sente cada um do teu sopro,
Teu calor inebria meus sentidos, homem selvagem com atitude de príncipe venerável!
Gosto de sentir isto bem lá no fundo da alma, oh! Queime com óleo brilhante e prazível.
Sou toda sua em toda parte deste mundo, no céu e na terra até no abismo!
Estou com aquele espirito que sobe as pessoas no dia do batismo,
Leve este corpo no mais alto nível até ser inadmissível!
Meu amor aperta! Aperta! Que faz calor podes deixar a janela aberta.
Não há homem nenhum a quem o próprio amor não inspire actos de bravura e não torne igual aos bravos por natureza!
CRISTAL DE MEL
C-om coração de Mulher
R-egida pelo amor
I-nteiro amor de irmã
S-em fingimento de dor
T-erna essência mor
Ì-ntima pessoa
N-unca te esqueça alma encantadora
A-mor de pessoa!
Peça aconteça
pois, quer que aconteça
Não a impeça...
Que tu pereça
E nós não temos
Não esqueça
Pois interessa!
