Coleção pessoal de camilarescaroli
Não é esforço nenhum me retirar.
Já me levantei de lugares que nunca imaginei sair sem olhar pra trás.
Quem dirá de onde nem me conhece.
Sabem mais de mim do que eu mesma jamais contei.
Incrível como as pessoas sabem destruir mais do que levantar.
Acham que eu sou idiota.
Só a cara.
Segredo é segredo.
Não se revela.
Se guarda.
Isso é respeito.
Triste não é quem pede reciprocidade,
triste é quem cobra aquilo que nunca soube oferecer.
Quem fala de você na sua ausência revela mais sobre si
do que imagina revelar sobre o outro.
A verdade sempre encontra um caminho,
e ninguém sustenta uma máscara por muito tempo.
Honrar quem me desonra não faz parte de mim.
Se algo que senti hoje já não merece morada no meu peito,
eu me retiro em silêncio —
e o silêncio, às vezes, é a resposta mais justa.
Não volto atrás quando a ausência vira paz.
O mundo gira, ensina, devolve.
Nem tudo que reluz é ouro,
e nem toda companhia merece permanência.
Respeito não se exige, se pratica.
Quem cresce falando do outro para diminuir,
na verdade, nunca cresce —
apenas ocupa espaço onde a consciência não mora.
Quem sou eu, pra desprezar o outro,
quando a hora de partir chega e a alma sente?
Não queremos deixar tocar o coração,
mas toca, e sentimos em cada pedaço de nós.
É horrível querer prender o que já se foi,
repetir velhas emoções é se punir,
é negar a partida e voltar à mesma ferida,
buscando tocar o que já não volta.
Quem sou eu pra indagar palavras?
Pra dizer que o outro não vale nada?
Que nunca me serviu? Que já não é o outro?
Talvez só nossos olhos tenham visto
o que ele nunca foi,
e nunca vai ser.
É uma dimensão complexa querendo amar: a solidão.
Quem sou eu pra falar quando o outro grita?
Quem sou eu pra dizer o nome do outro?
Quanto mais falo, mais vejo minha incapacidade
de virar a página.
Que possamos virar páginas, mudar discursos,
aceitar o que se foi,
e viver o novo que a vida traz.
Enquanto nos agarrarmos ao velho,
nunca sentiremos o novo.
Quem sou eu, para julgar o outro,
Se cada adeus deixa marca no peito?
Queremos proteger o coração da dor,
Mas a saudade toca tudo, e é perfeito e imperfeito.
Repetir velhas emoções é se punir,
É tentar prender o que já partiu.
O outro se vai, e o que resta é aprender
Que a vida sempre traz algo novo a sentir.
Quem sou eu para dizer que o outro não vale?
Que nunca me serviu, que já deixou de ser?
Talvez só meus olhos tenham visto sombras
Do que o outro jamais quis me oferecer.
O grito do outro ecoa em mim,
E quanto mais falo, mais me vejo incapaz
De virar a página e abraçar o novo,
De deixar que a vida escreva seus próprios sinais.
Que possamos mudar o discurso,
Que a memória não nos prenda,
Que cada fim seja semente de começo,
E que o novo floresça, mesmo depois do velho.
Sinto muito por tua tristeza.
Não deixes que invada teu interior.
Solta o peso que insiste em ficar,
E deixa a paz teu coração abraçar.
Pensa nas coisas boas que vão chegar,
Nos raios de sol que vêm te iluminar.
A ansiedade é sombra, inimiga da verdade,
Então cultiva calma, acolhe a serenidade.
Deixa ir o que não te faz bem,
Respira fundo, recomeça também.
Que cada instante seja leve e sutil,
E a alegria retorne, doce e gentil.
E o que for embora, deixa ir.
As vezes a angústia vem pra travar o que há de vir.
Ah, escutai, ó almas errantes,
Que buscam amar sem correntes!
No peito, o querer arde constante,
Mas há beleza em esperar o presente.
Amar é lançar ao vento a semente,
É não prender o rio que corre a vida.
É deixar o tempo pintar na mente
O quadro do destino, sem pressa ou medida.
Se for para ser, o tempo, sábio guardião,
Tecerá nossos fios em doce união.
E quando o instante certo enfim chegar,
Nus de medos, nossas almas irão se achar.
Então, deixa fluir, coração errante,
Que o amor verdadeiro é dança constante.
Não apresses o sol, nem o luar,
Pois o destino, em seu ritmo, vai nos guiar.
Tenho tanto de mim, que queria mostrar,
Mas às vezes nem sei por onde começar.
Guardo sentimentos que não sei revelar,
E o depois vem, sem me esperar.
O tempo é instante, o passado fugaz,
O que ontem quis, hoje talvez não seja mais.
O presente é chama que arde e desfaz,
O que esperamos muda, e assim nos traz.
O coração quer falar, mas teme errar,
Pois cada palavra é ponte ou é mar.
E mesmo sem saber onde vou chegar,
Tenho tanto de mim que preciso voar.
De que adianta um pássaro saber cantar, se está preso?
A vida é tão curta para nós, e deixamos tanto para depois.
Vivemos em busca de buscar,
Tantas buscas que, no final, esquecemos de viver o que está diante de nós.
A liberdade não está em acumular caminhos,
Mas em sentir o voo, mesmo que pequeno, no instante presente.
Não deixe que a pressa de buscar tire a beleza do agora.
Escrever é arte que dança no coração,
Trazendo luz suave, acalma a solidão.
Palavras são abraços que a alma acolhe,
Transformam a tristeza, e o vazio se recolhe.
Cada letra um suspiro, cada verso um alento,
No papel se desfaz o frio do sofrimento.
Escrever é magia, é cura, é canção,
É calor que invade e cura o coração.
Se você gosta de mim,
gosta justamente porque não me igualo a ninguém.
Não é que eu seja melhor,
mas todo dia me torno um pouco melhor
por ser exatamente quem escolhi ser.
Não vou te provar quem és,
mas jamais me peça que eu escolha
entre o que sou
e o que você espera que eu seja.
Cada qual vive a sua realidade,
buscando a própria verdade.
Eu fui feita para o mundo,
você, para ser quem almeja se tornar.
Cada um com suas escolhas,
seus motivos,
sem padrões impostos.
Idealizações não são iguais
— e acreditar que todos chegam ao mesmo lugar no fim
é um mito perigoso.
Vamos exatamente
para onde nossas escolhas nos levam.
Esse ano é o ano em que não darei segundas chances.
Pensem bem nas atitudes.
Depois de tanto me quebrar, entendi:
o erro não era sentir,
era permitir que me partissem.
Hoje, quem se parte sou eu —
do que pesa, do que fere,
do que insiste em não somar.
Triste é quem acha que o gelo dói,
quando a vida veio e me ensinou
a fazer uma bela caipirinha.
Já não choro pelos apelos,
aprendi a sorrir —
e o que virou aprendizado
hoje se transforma em conselho.
Entre ficar ou se retirar,
escolhi ficar em mim.
Porque partir dos outros é escolha,
mas abandonar quem sou
nunca foi opção para mim.
A verdade precisa ser dita, melhor falada do que vivida, quem não sabe escutar, e pede por ser ouvida, na verdade não aprendeu tudo, e ainda precisa aprender o mínimo desta vida.
Quem quer sua mudança, não soube moldar a si mesmo, ninguém entra na vida de ninguém para mudar sua herança, somos o que levamos e o que fazemos e não o que queremos reverter para o que nunca soubemos ser.
É fácil alguém fechar os ouvidos para a sua versão
e erguer a própria voz como se fosse a única verdade.
É fácil subir no monte e se declarar grande,
quando o único verdadeiramente grande é Deus.
Fora isso, somos todos iguais.
O que muda não é o tom do discurso
nem o título que alguém carrega,
mas a essência que sustenta o silêncio.
Porque quem é de verdade
não precisa anunciar,
não precisa convencer,
não precisa se impor.
A verdade caminha sozinha
e se revela sem dizer uma palavra.
Sou o que sou.
E não me moldo para caber onde não me reconheço.
Minha essência é minha —
não se negocia, não se rouba, não se apaga.
A gente não deixa de ser quem é por causa de uma frustração.
A dor não nos anula, ela nos esculpe.
Aprendemos a nos moldar sem nos perder,
a nos vestir de oposição sem abandonar a verdade.
Porque quem sabe quem é
atravessa o caos sem se trair.
Deixei de viver para apenas existir.
Fui atrás de um sonho — e disso não me arrependo.
Foram minhas escolhas que ganharam forma no caminho.
Quando me encarei no espelho, entendi:
para chegar onde almejo, não preciso me pressionar,
preciso, de verdade, viver cada momento.
E quantos momentos eu deixei passar
por achar que não merecia,
por acreditar que era preciso sofrer
para me tornar referência.
A dor, sim, me moldou —
mas não me endureceu.
Ela me fez grande, me fez verdadeira,
me arrancou de um pensamento banal
e me ensinou a viver uma vida intensa.
Qual a graça de agradar ao outro se, para isso, você precisa se abandonar? A aprovação externa nunca preenche o vazio de não estar em paz consigo mesmo. Quando você vive para agradar, sua essência se cala; quando vive para ser verdadeiro, sua alma respira.
A vida não acontece apenas enquanto existimos, cumprindo rotinas e expectativas. Ela acontece quando estamos vivendo de forma consciente, fazendo escolhas que fazem sentido para quem somos, e não apenas para quem esperam que sejamos.
E uma história bonita não é aquela bem contada ou cuidadosamente inventada. É a que foi vivida com verdade, com erros, coragem e entrega. Histórias bonitas não são perfeitas — são reais. E só quem vive de verdade tem algo que valha a pena contar.
