Coleção pessoal de bobkowalski
Chamam de tradição aquilo que sobreviveu não por ser verdadeiro, mas por ter sido imposto com eficiência.
A "loucura" — no sentido planetário de ignorar valores humanos — talvez seja a única resposta lúcida para um sistema que exige que você sorria enquanto se decompõe.
Se a inteligência fosse realmente um traço evolutivo de sucesso, a espécie humana não passaria tanto tempo inventando deuses para pedir desculpas por existir.
A verdade não liberta; ela apenas redefine os limites da sua cela para que você saiba exatamente onde vai bater a cabeça.
O niilismo é a ideologia dos eternamente adolescentes que confundem desespero existencial com sabedoria e apatia com iluminação.
Niilismo é a masturbação intelectual de quem descobriu que a vida não tem manual de instruções e decidiu que, então, não vale a pena jogar o jogo.
O niilista diz: "Sem deus, tudo é permitido." O humanista responde: "Sem deus, somos totalmente responsáveis por tudo que permitimos."
O niilismo te liberta de deus mas te aprisiona no nada. O humanismo te liberta de deus e do nada te dando responsabilidade total sobre tua existência!
No fim, o niilismo não é vencido por argumentos. É vencido pela vida insistente, teimosa, que continua importando apesar de todas as teorias que dizem o contrário.
O niilista pensa que sem deus não há moralidade. O humanista sabe que a verdadeira moralidade só começa quando deus sai de cena e somos forçados a cuidar uns dos outros.
O niilismo mata a esperança ingênua em salvação divina. O humanismo ressuscita a esperança madura na ação humana. Um destrói, outro reconstrói.
Sim, vamos todos morrer e ser esquecidos. Mas entre agora e a morte, podemos amar, criar, lutar, construir. O niilista enxerga só a morte. O humanista enxerga o "entre".
Humanismo é o reconhecimento de que somos insignificantes no cosmos, mas também é a decisão heroica de ser significativos uns para os outros.
Não há sentido cósmico? Então façamos sentido terrestre. Não há justiça divina? Então construamos justiça humana. O humanismo é a recusa de esperar salvadores.
O niilista encara a ausência de deus e paralisa. O humanista encara a mesma ausência e diz: "Perfeito. Agora somos livres para ser humanos de verdade."
Niilismo é a ideologia dos covardes que preferem adorar o nada a ter coragem de construir algo do nada.
O niilismo não é uma filosofia profunda. É desistência intelectualizada, preguiça existencial com nome chique.
Niilismo é olhar para o abismo e se jogar dentro. Humanismo é olhar para o abismo, cuspir nele e construir uma ponte por cima.
O niilismo te diz que nada importa. O humanismo responde: "Justamente por isso, podemos escolher o que importa." A diferença entre desespero e liberdade está nessa escolha.
