Coleção pessoal de Dexterth
Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.
Não aguento mais... Quero sumir por um tempo... Esquecer todos os problemas... Ir para um lugar deserto... Fugir um pouco da realidade... Não ter nenhuma obrigação... Ser do jeito que eu quero ser... Sem ninguém pra questionar meu modo de ser e de agir!
Você procura a perfeição e eu tenho andado sob efeito, mas posso te dizer que eu já não aguento mais.
Eu não aguento mais, está explodindo dentro de mim, tenho que chegar ao fim, talvez sabendo que você não vai estar lá, mas estou acostumada com a solidão.
Não aguento mais
Senhor, me dê forças
Meus sonhos foram quebrados
Meu coração em pedaços
Não sei o que faço
Estou perdido
Sem rumo, sem destino
Senhor, me dê forças
Para suportar esta dor
Não quero guardar rancor
Mas sinto que meus sentimentos
Perderam-se a cor
A cor da paixão
A cor do coração
Não existe ódio
Apenas frustração
Decepção
As palavras que saem da boca
Não são recíprocas com as atitudes
Levam-nos para o alto
E em segundos nos derrubam
Jogam-nos no asfalto
O sofrimento em silêncio
É o envelhecimento
Da alma, do espírito
Do sentimento
Estou tentando
Sofrendo e chorando
Não sei até quando
Mas vou continuar
Tentando...
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Borboletas de estômago
A pressão fez com que o gelo rachasse e as borboletas fugiram de sua fria cela. Afundando cada vez mais meu corpo perdia a noção de gravidade, meu ar acabou e meus pulmões se enchiam de líquido, pouca a minha tortura senti se densificar o sangue em minhas artérias, lentamente meu sangue parava de fluir do coração ao cérebro. Seriam minhas últimas palavras aquelas que mudariam tudo?
Para as borboletas de estômago esmagadas junto a minha carne putrefata e gelida sob teus pés, meu último eu sinto muito.
"Conheci homens que invocavam o nome do Príncipe da paz em seus discursos contra a guerra e que botaram nas mãos dos Pinkertons rifles que abateram grevistas em suas próprias fábricas. Encontrei homens incoerentes indignados com a brutalidade de lutas de boxe e pugilismo, e que, ao mesmo tempo, participavam da adulteração de alimentos que a cada ano mata mais bebês do que qualquer Herodes de mãos rubras jamais havia matado."
Ancestrais desejos nômades irrompem, enraivecidos pelo cativeiro. A condição de fera acorda de novo do seu sono brumoso.
