Coleção pessoal de BajosseBaca
A SOMA DE TUDO O QUE HÁ DE MAIS BELO NAS CANÇÕES.
Há músicas que são analgésicos: serenam os músculos, acariciam os ouvidos, massageiam a alma, dissolvem a dor.
São como bonecas de pelúcia, ternas e macias, tão fofas quanto a suavidade do teu toque.
Há um tipo de canção que transcende letra, género ou idioma, cuja melodia traduz a tua paz num cosmos minimalista de notas de amor, eternizando o teu sereno olhar.
Alcanço-te involuntariamente ao escutar Semba, Fado, MPB, Jazz, Blues, Pop Contemporâneo ou Bachata.
És uma playlist escolhida pela própria contingência, um rumor nos fones de ouvido que inspira o melhor texto, induzindo a poética numa prosa prodigiosa como esta.
Este texto é a voz enrouquecida, emergindo do fundo da garganta já cansada, de um poeta embriagado não apenas de afeto, mas da consciência de que amar é reconhecer a precariedade da vida.
E, mesmo assim, proclamar com a lucidez de quem sabe que tudo é transitório, e com o fervor de um fanático imprudente, que és a soma de tudo o que há de mais belo nas canções, e aceitar o facto de que és igualmente o eco daquilo que jamais será plenamente cantado.
A CHUVA É UM POEMA.
Petricor,
da cor de maçã
Verde,
folha da tamarineira,
tão fina, delicada e esperançosa quanto és.
Minha Ex. Atual, talvez futura.
Uma gota doce de ti,
escorre entre os meus lábios.
Lembro-me do céu,
do teu beijo que me dá a eterna água na boca.
O céu outrora nublado
agora clareado de tua pele iluminando o meu dia cinza.
A chuva é um poema do céu lacrimejante,
sorrindo,
do teu sorriso que o arco-íris desenhou.
Perco-me entre ti e o céu,
me reencontro entre vós.
Abraço-te solto,
largo-te no vazio.
Convido-te a embalar neste som melódico da água caindo
gota a gota
no balde do teu banho solitário,
que me causa ânsia e ciúmes descontrolados.
Suspiro preocupado num instante de nada.
Penso: quem dera ser eu a chuva para banhar em ti,
sobre o teu corpo nu.
Pois,
a chuva é um poema que dançou o linguarejar gemido dos nossos corpos húmidos,
que murmuravam prazer nas nossas tantas vigias amorosas.
