Coleção pessoal de astre_vuz
O sol do entardecer
Os raios de sol alaranjados do entardecer
Varam o céu e causam belas listras nos objetos que tocam
As nuvens belas se revelam nessa hora
Um resplendor de milhares de quilômetros de água em vapor
O sol brilha infinitamente
A sua luz gira como fogo espiral
A rotação infinita da luz divina
Meus olhos se cegam ao olhar ou encarar
Mas é lindo demais para eu não o fazer
As cicatrizes são feitas na minha íris
Minha visão manchada é um prenúncio de que eu vou poder me lembrar disso
E que talvez possa
Só mais uma vez
Ver isso de novo amanhã
Com amor
Obrigada
A noite infinita
Eu amo a noite.
Amo-a como quem ama um segredo
que só se revela aos que ousam fechar os olhos do mundo.
Quando o dia se impõe,
com sua pressa branca e seus ruídos,
eu me entristeço —
não por medo da luz,
mas porque a noite dura pouco,
escorre pelos dedos
como tinta rara que não se pode refazer.
Ah, se dependesse de mim,
a lua não minguaria jamais.
Ela duraria anos,
décadas,
sonhos inteiros.
Eu a penduraria no alto
como um selo de eternidade,
um brasão de prata sobre o céu escuro,
e decretaria:
que nunca amanheça.
Porque é na noite
que o silêncio tem voz.
Que as memórias caminham sem sapatos.
Que as feridas respiram
sem serem vistas.
A noite não me exige máscaras.
Não cobra respostas.
Não me mede,
não me pesa,
não me chama de excesso.
Ela me aceita vasto,
inteiro,
imperfeito como as crateras da lua
— e ainda assim luminoso.
Se eu pudesse,
assinaria um tratado com o tempo:
em troca de todos os meus dias apressados,
dai-me uma noite sem fim.
Uma noite que dure o suficiente
para que a tristeza adormeça,
para que os sonhos amadureçam,
para que o amor encontre coragem.
Eu amo a noite.
E fico bravo porque ela dura pouco.
Mas enquanto houver
um fragmento de sombra no horizonte,
erguerei meus olhos
como quem guarda um reino secreto —
sabendo que,
mesmo breve,
ela sempre volta.
«Até mesmo as eternidades apodrecem, pois o próprio tempo é apenas um molde no túmulo da Existência.>>>
-Hysteria
Estranhamente nuvens se juntam em padrões ordenados, a maravilha enorme da vida; as sombras me lembram... Amor.
Mundos ficcionais já resolveram todos os nossos problemas políticos, sociais e econômicos; só precisamos implantar.
