Coleção pessoal de astre_vuz
Quando for postar uma frase, sempre poste uma chinesa, não só pq eles tem muitas frases, mas também se vc falar uma frase cristã te acham religioso, e falar uma frase de Himmler te deixa estranho.
Uso crueldade no sentido de vida, no sentido gnóstico de turbilhão de vida que devora as trevas, no sentido da dor fora de cuja necessidade inelutável a vida não consegue se manter.
Cassettepunk, cyberpunk, biopunk, nanopunk, grimdark e gothic...
Todas essas combinam com uma alemanha japonêsa ou um Japão alemão.
Escrever é mastigar a própria carne e servi-la ao outro.
Enquanto o leitor palita os dentes, o escritor remói o osso.
A humanidade transforma tragédia em mito e beleza desde sempre; pq eu não posso fazer isso? Pq não posso fazer tempos passados meus guias e mitos?
Pq não posso tornar o inferno de gás mostarda em uma lição de vida?
Pq dar ordens para si mesmo funciona?
Eu sei a resposta, mas eu presciso dessa confirmação, presciso ter certeza, matar minhas dúvidas. Extrair tudo.
Essa necessidade de saber de tudo só para ter certeza de que não perderá nenhuma oportunidade de alcançar um futuro eu ideal que talvez nunca chegue... O talvez é minha esperança gritando.
A necessidade falsa de que não é o suficiente; a fome é uma mestra cruel. Como a inveja.
O sol do entardecer
Os raios de sol alaranjados do entardecer
Varam o céu e causam belas listras nos objetos que tocam
As nuvens belas se revelam nessa hora
Um resplendor de milhares de quilômetros de água em vapor
O sol brilha infinitamente
A sua luz gira como fogo espiral
A rotação infinita da luz divina
Meus olhos se cegam ao olhar ou encarar
Mas é lindo demais para eu não o fazer
As cicatrizes são feitas na minha íris
Minha visão manchada é um prenúncio de que eu vou poder me lembrar disso
E que talvez possa
Só mais uma vez
Ver isso de novo amanhã
Com amor
Obrigada
A noite infinita
Eu amo a noite.
Amo-a como quem ama um segredo
que só se revela aos que ousam fechar os olhos do mundo.
Quando o dia se impõe,
com sua pressa branca e seus ruídos,
eu me entristeço —
não por medo da luz,
mas porque a noite dura pouco,
escorre pelos dedos
como tinta rara que não se pode refazer.
Ah, se dependesse de mim,
a lua não minguaria jamais.
Ela duraria anos,
décadas,
sonhos inteiros.
Eu a penduraria no alto
como um selo de eternidade,
um brasão de prata sobre o céu escuro,
e decretaria:
que nunca amanheça.
Porque é na noite
que o silêncio tem voz.
Que as memórias caminham sem sapatos.
Que as feridas respiram
sem serem vistas.
A noite não me exige máscaras.
Não cobra respostas.
Não me mede,
não me pesa,
não me chama de excesso.
Ela me aceita vasto,
inteiro,
imperfeito como as crateras da lua
— e ainda assim luminoso.
Se eu pudesse,
assinaria um tratado com o tempo:
em troca de todos os meus dias apressados,
dai-me uma noite sem fim.
Uma noite que dure o suficiente
para que a tristeza adormeça,
para que os sonhos amadureçam,
para que o amor encontre coragem.
Eu amo a noite.
E fico bravo porque ela dura pouco.
Mas enquanto houver
um fragmento de sombra no horizonte,
erguerei meus olhos
como quem guarda um reino secreto —
sabendo que,
mesmo breve,
ela sempre volta.
«Até mesmo as eternidades apodrecem, pois o próprio tempo é apenas um molde no túmulo da Existência.>>>
-Hysteria
Estranhamente nuvens se juntam em padrões ordenados, a maravilha enorme da vida; as sombras me lembram... Amor.
