Coleção pessoal de apabranches

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Não é glorioso viver a vida com muita coragem
e
morrer vivendo uma fama eterna !

Nem o céu admite dois sóis, nem a terra dois senhores.

Meu pai me deu este corpo que é efémero; mas o meu mestre me deu uma vida que é imortal

A filosofia faz o homem ir de encontro ao cataclismo da existência... Leva o homem ao ar da beleza e do saber, bem como ao desespero e o caos, tendo em vista quem sabe um próximo melhor suspiro, ou a confiança por uma potência... Quem sabe??

Suspeito que o homem votou pela morte de Deus decretando seu " fim ", não por motivo supostamente nobre que o valha, tendo em vista uma mudança de rumos e atitude quanto à própria evolução. Creio que isso seja improvável, e que sua escolha se baseia no medo e no pavor! DEUS NÃO ESTÁ MORTO.

Nietsche nunca foi ateu... Essa é uma das maiores bobagens ditas por quem não compreende ou não deseja entender suas obras. DEUS ESTÁ MORTO nunca foi uma afirmação do filósofo quanto à sua inexistência... O que ele disse é que DEUS é morto para o homem que diante de sua própria insensatez, tomado por sua inconsciência, optou por negar a concepção de uma divindade potente e reguladora da vida.

Nietzsche e Apolo;
Mas tampouco deve faltar à imagem de Apolo aquela linha delicada que a imagem onírica não pode ultrapassar, a fim de não atuar de um modo patológico, pois do contrário a aparência nos enganaria como realidade grosseira: isto é, aquela limitação mensurada, aquela liberdade em face das emoções mais selvagens, aquela sapiente tranquilidade do deus plasmador. Seu olho deve ser ‘solar’, em conformidade com a sua origem; mesmo quando mira colérico e mal-humorado, paira sobre ele a consagração da bela aparência”.

Nietzsche e Dionísio;
O êxtase do estado dionisíaco, com sua aniquilação das usuais barreiras e limites da existência, contém, enquanto dura, um elemento letárgico no qual imerge toda vivência pessoal do passado. Assim se separam um do outro, através desse abismo do esquecimento, o mundo da realidade cotidiana e o da dionisíaca”.

Não ouvimos o barulho dos coveiros a enterrar Deus? Não sentimos o cheiro da putrefação divina? – também os deuses apodrecem! Deus está morto! Deus continua morto! E nós o matamos!” – Nietzsche, Gaia Ciência, §125

De fato, nós, filósofos e ‘espíritos livres’, ante a notícia de que ‘o Velho Deus morreu” nos sentimos como iluminados por uma nova aurora; nosso coração transborda de gratidão, espanto, pressentimento, expectativa – enfim o horizonte nos aparece novamente livre, embora não esteja limpo, enfim os nossos barcos podem novamente zarpar ao encontro de todo perigo, novamente é permitida toda a ousadia de quem busca o conhecimento, o mar, o nosso mar, está novamente aberto, e provavelmente nunca houve tanto ‘mar aberto’“ – Nietzsche, Gaia Ciência, §343

Como nos consolar, a nós assassinos entre os assassinos? O mais forte e mais sagrado que o mundo até então possuíra sangrou inteiro sob os nossos punhais – quem nos limpará este sangue? Com que água poderíamos nos lavar? Que ritos expiatórios, que jogos sagrados teremos de inventar? A grandeza desse ato não é demasiado grande para nós? Não deveríamos nós mesmo nos tornar deuses, para ao menos parecer dignos dele? Nunca houve um ato maior – e quem vier depois de nós pertencerá, por causa desse ato, a uma história mais elevada que toda a história até então” – Nietzsche, Gaia Ciência, §125

" Conhece-te a ti mesmo, E nada em demasia "... [ do Templo de Apolo ].

" A omissão sempre beneficia, um dos lados de qualquer questão ".

Não se impressione com belas palavras, lindas imagens, músicas suaves e sorrisos sedutores... O mal, se disfarça!

Enquanto o belo discurso cativa muita gente, o caráter fraco age com maldade...
Enquanto uns mentem sobre a receita do bolo, outros já o fizeram e conhecem o sabor... Enquanto os "espertos" levam vantagem sobre os "bobos", o olho que tudo vê se arregala!

Talvez paz seja para muitos um estado de espírito, até pela própria subjetividade... Por isso sentir paz deveria ser fácil, uma vez que toda a desgraça externa fosse ignorada... Mas como vivemos em meio à lei imperativa de uma dualidade, paz na Terra ainda é um discurso utópico dos sonhadores infantis, ou dos predadores hipócritas... Eu gosto de pensar, sempre que posso, que a Terra gira no próprio eixo pra devolver-nos o lixo que despejamos... Posso estar iludido.

Não existe isso de uma vida calma e tranquila, essa é uma das maiores falácias da história da humanidade... Idealizar um tempo, uma fase, ou alguns anos de tranquilidade à uma idéia de paz ininterrupta, não muda o fato real de que a humanidade é violenta, mata, e devora com a voracidade de um canibal... Essa idéia é utópica, irreal e infantil... Mas vamos brincar de sonhar: Supondo que eu escolha viver uma paz plena enquanto irmãos são massacrados, o que serei? No mínimo um louco.

Os inconformados, os incomodados, os estranhos que estranham, sofrem por uma busca... Enquanto muitos olham apenas para o lindo céu azul...

Não é que eu não acredite em política ou religião... Eu apenas acho que crianças gostam de fantasiar... de imaginar... de sonhar... de brincar...

Não existe retrocesso, uma vez que não há progresso.