Coleção pessoal de antonio_evangelista_1

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Todos procuram um amigo, e ninguém procura ser um deles.

Entre dois amigos, apenas um é amigo do outro.

Eu creio no Deus que fez os homens, e não no Deus que os homens fizeram.

A amizade de duas mulheres é sempre a conspiração contra uma terceira.

O silêncio é a mais perfeita expressão do desprezo.

Quando um amigo morre, uma coisa não lhe perdoamos: como nos deixou assim sem mais nem menos, assim no ar, em meio de algo que lhe queríamos dizer ou – pior ainda – em meio do silêncio a dois no bar costumeiro? Que outros hábitos, que outras relações terá ele arranjado? Que novas aventuras ou desventuras de que não nos conta nada?

Não pretendo que a poesia seja um antídoto para a tecnocracia atual. Mas sim um alívio. Como quem se livra de vez em quando de um sapato apertado e passeia descalço sobre a relva, ficando assim mais próximo da natureza, mais por dentro da vida. Porque as máquinas um dia viram sucata. A poesia, nunca.

Jardim interior

Todos os jardins deviam ser fechados,
com altos muros de um cinza muito pálido,
onde uma fonte
pudesse cantar
sozinha
entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência
nem o abandono...
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por eles passa indiferente.

Deve ser o fio de vida que vai unindo, pedaço a pedaço, essa colcha de retalhos que é a história do mundo.

Acusarem um poeta de ser egoísta é acusá-lo de ser ele mesmo.

Há dois sinais de envelhecimento. O primeiro é desprezar os jovens. O outro é quando a gente começa a adulá-los.

A morte é o aperitivo da vida.

A idade é o menor sintoma de velhice.

Velhice é quando um dia as moças começam a nos tratar com respeito e os rapazes sem respeito nenhum.

O bicho,
quando quer fugir dos outros,
faz um buraco na terra.

O homem,
para fugir de si,
fez um buraco no céu.

As religiões cresceram entre os humildes porque aqueles que estavam por cima já se julgavam no paraíso.

Como é que pode escrever certo quem não sabe ao certo o que procura dizer?

A tarde é uma tartaruga com o casco pardacento de poeira, a arrastar-se interminavelmente. Os ponteiros estão esperando por ela. Eu só queria saber quem foi que disse que a vida é curta...

O problema, seu poeta, é ocupar o espírito sem ao mesmo tempo estraçalhá-lo.

Toda opção é um ato de desespero.