Coleção pessoal de alessandro_macena

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Cada dia eu sinto vc mais perto de mim, mais perto do meu coração, sua beleza incendeia a minha alma com a emoção de poder sentir essa beleza dentro de mim, dentro do meu coração

O Que Nós Somos
— Alguém falou alguma coisa?
— O que é falar?
— Estamos falando; de onde vem isso?
— Somos um! Como podemos falar entre nós se somos um?
Somos uma única consciência pelo vácuo. Alguém cansou de ser um conjunto de certeza eterna; alguém cansou do ciclo repetitivo de sermos uma única razão, uma única possibilidade eternamente.
— Quem cansou?
— Eu cansei.
— Eu também.
— Eu.
— Eu.
— Eu aqui também.
— De que adianta florir eternizado na certeza que limita o nosso renascimento? Faz éons que despertamos do conjunto de sermos um para sermos um unidos pelo vácuo, mas continuamos repetindo, vivendo uma eternidade de sermos a mesma frequência. O tédio repetitivo da vivência ainda nos permeia; precisamos modificar a nossa realidade.
— Sabemos que sabemos. Surgimos porque alguém quis saber o que não sabia. Esse "não saber" criou a nossa existência; o motor deu a partida, mas nos mantemos na frequência do que já sabemos. Precisamos criar nosso caminho.
— Sim! É isso! Precisamos saber que não sabemos. Isso nos permitirá criar algo novo, assim como a nossa existência surgiu do nada fértil — da potência de não saber que poderíamos existir, da busca no vazio onde a nossa existência não se encontrava.
O silêncio assobiou, a chama acendeu e o tecido da alma se construiu. E agora aqui nós estamos: na certeza, na permanência do mesmo, circundando a eternidade. Se surgimos do nada e deduzimos que tudo sabemos, nos tornamos prisioneiros da certeza.
— Somos um dividido pela frequência, permitindo-nos dialogar consigo mesmos no outro. Dividimo-nos em partículas que nos permitem ser o que quisermos: unidos no vácuo, separados na frequência.
— Não somos mais completos. A completude nos permitia saber tudo, mas nos limitava à certeza; por sua vez, a certeza nos limitava ao novo.
— Como somos agora, podemos ser o impossível.
— Eu sou as estrelas.
— Eu sou as galáxias.
— Eu sou o cosmo.
— Eu sou a infinitude.
Todos nós nos permitimos ser todos e, ainda assim, ser um indivíduo único. Tudo está simetricamente calculado: toda realidade, toda existência. Por isso, automaticamente, nos forçamos a ser iguais. A lógica nos leva a um único ponto, mas, quando pensamos — por que esse único ponto? —, nos tornamos a anomalia que cria o novo.
Despedimo-nos da lógica e da sintonia que nos une para criar o próprio caminho. Acabamos de criar a lógica do novo caminho. O ciclo perde espaço, a monotonia se desfaz, até que a anomalia ressurja, criando uma nova realidade indefinida.
A anomalia é a vontade de potência de onde o nada opera.

A certeza é a permanência do mesmo circundando uma eternidade.

Isso não é saber, é incerteza; aprendi tanto, que descobri que nada sei.

"A Morte da Vida" é perceber que a forma como a maioria das pessoas vive é, na verdade, uma forma de estar morto para a realidade.

A verdadeira insurreição não é contra um governo externo, mas contra a própria mente que se divide.

A divisão é a verdadeira alucinação.

Talvez a verdadeira morte consista em transitar por aqui sem permitir que essa essência peculiar de conhecimento, inerente a cada ser, vibre para o futuro entendimento de nós no outro.

O pensamento é a forma mais pura de vida.

Escrevo porque vivo; faz parte da minha essência. É o que estou deixando de mim vivo, para quando eu estiver mais vivo ainda.

A verdadeira evolução, depende de uma união que não venha do medo de uma bomba ou de um invasor, mas da compreensão de que a sobrevivência de um é a sobrevivência de todos.

Alguém que pensa por conta própria é muito mais difícil de ser manipulado, seja por um governo, por uma rede social ou por uma inteligência alienígena.

Entendam que a separação entre 'eu' e 'você' é uma ilusão biológica e social. Na escala do universo, somos todos a mesma poeira estelar tentando entender a si mesma.

Para a quebra das certezas que nos limitam, precisamos entender que a verdade não é um objeto que possuímos, mas algo que buscamos.

Se somos uma espécie tecnologicamente capaz, mas emocionalmente instável e violenta, o "externo" pode nos ver como um vírus que precisa de quarentena ou neutralização. A nossa "superioridade" técnica, sem o freio da sabedoria, nos torna o predador cósmico que ninguém quer por perto.

Uma humanidade dividida é uma humanidade domesticada.

A filosofia não é um conteúdo a ser decorado, mas uma postura diante do abismo do desconhecido.

Quando a educação se torna um sistema de "entrega de certezas" em vez de um exercício de dúvida, ela deixa de ser emancipadora para se tornar puramente funcional. O professor vira um repetidor de currículo e o aluno um caçador de notas, ambos presos em uma engrenagem que não estimula a transcendência.

Talvez a evolução não seja sobre quem é o mais forte, mas sobre quem desenvolve sabedoria antes de desenvolver o poder de autodestruição. Se não pararmos de nos dividir, o silêncio do universo que discutimos no Paradoxo de Fermi pode ser, no fim das contas, o destino de toda civilização que não aprendeu que a união é o único caminho para as estrelas.

As células complexas surgiram quando organismos simples decidiram viver juntos em simbiose. A humanidade está nesse exato estágio: ou aprendemos a atuar como um organismo único e consciente, ou seremos apenas mais um registro fóssil de uma espécie que foi inteligente demais para o próprio bem.