Frases sobre educação escolar que despertam o prazer de aprender
REVIVENTE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Aprendi a crescer quando renasci. Quando voltei do meu fundo e vi que não tinha mais amarras, graças ao projeto pessoal de me tornar exatamente mais pessoal. Ou mais quem sou. Obriguei-me a saber viver, para não ser morto... nem elétrico... falante... notório, até vivo, e mesmo assim morto.
Afiei minhas garras, e como não conseguia sair do coma profundo, fiz o coma profundo sair de mim. Mostrei a cara pro espelho, desafiei meus olhos e disse ao silêncio: estou aqui... não puxei a cigarra... não pare o mundo, porque meu ponto é além... não sei onde, mas é além... ainda não quero descer.
INSOFRÍVEL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sofrimento não é sofrimento pra mim. Aprendi a sofrer sem sofrer porque sofro.
A ÓTICA DA ÉTICA E DA EDUCAÇÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ninguém é sem ética ou sem educação. Eis o princípio estabelecido por uma verdade sem rodeios: tais valores oscilam de acordo com grupo, cidade, região e país. Pode ser antiético e deseducado quem age com desrespeito aos princípios, regras, crenças e costumes... a identidade... a cultura... os valores do seu meio.
É também antiético e deseducado quem não respeita esse conjunto de características inerentes aos seus anfitriões... o grupo, a família, o povo que o recebe. Será próprio do bom anfitrião deixar à vontade sua visita, mas ainda mais próprio da boa visita, não constranger o anfitrião. Jamais abusar da hospitalidade, nunca menosprezar nem tolher o que ele cultiva, cultua, valoriza ou segue.
Não faltar com a ética e a educação é ter sempre um comportamento com a velha e boa noção de onde, quando, como e com quem. É respeitar identidades, culturas e valores. Não ferir princípios, mesmo com a certeza de que não sofrerá retaliações, em razão da generosidade - ou superioridade - dos atingidos.
ACREDITAR NA EDUCAÇÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Temos que acreditar na educação. Mesmo conscientes de que a burocracia da educação está inchada de política partidária. Gerida por pessoas ambiciosas; seja na coisa pública, onde o executivo e o legislativo, em nome de suas ambições se unem em prol do pior para os jovens que buscam um futuro digno, seja na iniciativa privada, onde os donos das instituições de ensino, em sua maioria não são educadores. São apenas ganhadores de muito; muito dinheiro.
Mas temos que acreditar. Acreditar na educação, mesmo sabedores de que no meio dos muitos professores comprometidos de fato, e dotados de profissionalismo, vocação e amor, existe o joio: aqueles professores que tentam deseducar; vingar suas frustrações e revoltas contra o sistema, especificamente nos alunos... e ainda emperrar a caminhada dos que não correspondem aos seus gostos, preconceitos e vaidades pessoais.
Que os nossos filhos e gerações seguintes não caiam nas armadilhas do poder público e dos empresários ávidos por mão-de-obra barata, passiva e sem noção de cidadania, de não crer mais na educação. E os futuros profissionais de qualquer área e setor não creiam desde agora, que basta ganhar dinheiro para viver, e que o saber não conta para os que eventualmente já têm vida ganha.
O saber é o sucesso. A educação é a riqueza. Conhecer o mundo que nos cerca é o maior bem que podemos ter, e ninguém poderá roubar. E é justamente esse bem que nos fará buscar sempre de forma justa, honesta e consciente, os bens materiais de que precisamos; o poder de consumo sem vícios e protagonismos cruéis para o outro. É a educação, exatamente, que nos faz respeitar a todos como cidadãos. Aos que têm e não tem educação.
E que nós, os pais desta geração nascida em tempos de corrupção nunca vista no mundo moderno, não deixemos nossos filhos desistirem. Não permitamos que eles troquem a educação pelo comodismo nem por essa ambição distorcida que marca os fúteis bem sucedidos materialmente; os facínoras bem sucedidos; os criminosos e os de má fé bem sucedidos. Tenhamos a dignidade de lhes mostrar que estes não são, de fato, bem sucedidos.
SABOR DE SABER
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Educar não precisa ser solene
feito missas rezadas em latim,
fim do mundo esperado em contrição
por cordeiros em filas indianas...
Estudar é pra vida; não pra morte;
para um mundo melhor; não pra batalhas;
pra ter norte, não pra ter labirinto;
pra vencer desafios; não pessoas...
Uma escola não tem que ser um templo,
um exemplo não tem que ser severo
nem o mundo precisa ser cruel...
Pode ser meio circo, meio pão,
ilusão que seduz a realidade
de quem sabe achar sabor no saber...
O PIOR ALUNO DA ESCOLA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Naquela escola, o título de pior aluno tinha um dono absoluto. Ele conquistara o posto a duras penas, ao desbancar um a um todos os rebeldes sem causa como o próprio, que ousaram a tentativa de usurpar o poder. Para cima dele ninguém se deu bem, pois a sua criatividade para ser cruel, baderneiro, armador e sonso o bastante para não ser expulso não tinha limite.
Houve até um menino que uma vez - ou era uma vez - chegou bem perto de se tornar pior do que o pior aluno da escola. Foi páreo duro, mas quando o dono do pedaço viu que a coisa estava feia, reagiu radicalmente. Tão radicalmente, que o aspirante sentiu na pele, nos olhos, no queixo, nos dentes, na boca e na boca do estômago, que a honra de ser pior - ou melhor pior do que o pior - poderia lhe custar muito mais caro do que o previsto. No fim das contas, ele foi obrigado a reconhecer a supremacia do melhor pior que aquela escola poderia ter, de fato.
Para não ficar sem trono e não sofrer para sempre as consequências drásticas de ameaçar o posto do pior aluno, aquele segundo pior, que detestava ser o segundo e queria ser o primeiro em algo, fez o percurso inverso: decidiu ficar bem bonzinho; cada vez mais bonzinho, estudioso, e decidiu enfim se conformar com o posto de o melhor aluno da escola.
O pior dessa história de ser o melhor é que o cargo não dura muito. O melhor vai em frente, passa de ano e tem sempre que recomeçar. Fazer tudo de novo por uma nova fama. Sendo assim, aquele já melhor aluno também resolveu radicalizar; fazer história: virar um nerd sem precedentes; um CDF inveterado; em outras palavras, um chato de galocha... ser o melhor aluno de todos os tempos, daquela bendita escola.
Por uma sorte torta, ser o melhor aluno da história daquela escola, de certa forma realizou seu primeiro sonho, porque chegou-se a um ponto em que ninguém o suportava com aqueles ares de o melhor, do bonzinho que virou bonzão, que fizeram dele o pior. O mais impopular de todos. Aquele que os meninos e meninas queriam desbancar, para ele deixar de ser besta.
E por sorte ainda mais torta, ocorreu que o pior aluno da escola nem se dava conta da inversão de valores que o tornara melhor do que o melhor aluno.
CULTURA NÃO ATRAPALHA EDUCAÇÃO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Realizar um evento cultural sem a tutela dos projetos oficiais, os esquemas e planejamentos especificamente pedagógicos, numa unidade escolar, é uma verdadeira batalha, quando quem o faz não tem não tem lá seus prestígios. Arte e literatura em forma de exposição e espetáculo sempre foram muito temidas na educação, desde tempos imemoriais. Ainda hoje são vistas como reuniões de subversivos; de pessoas que podem "pôr caraminholas" na cabeça do jovem ou "coisa de gente que vive nas nuvens" e, por isso, nada tem a acrescentar de bom para moças e moços em formação. Só desvirtuá-los.
Naquelas escolas onde já se permite – apenas permite – realizar o evento cultural, sem a mínima oferta de suporte, apoio, e sem nenhuma representação por meio de pessoas da direção, do corpo docente, do quadro funcional como um todo, eventos artísticos e literários são coisas de "cantinhos". Os alunos locais devem se manter distantes, porque do contrário, "perdem conteúdo". Sempre perdem conteúdo, não importa que sejam eventos bem pontuais ou esporádicos, eivados de muito conteúdo transversal que alguns professores possam aplicar em suas aulas ou até usar esses momentos como aulas diferentes e desafiadoras para os seus educandos.
Cultura atrapalha a educação. Essa é a ideia pedagógica – e patológica – que se tem do que foge aos itens específicos e obrigatórios do ofício de ensinar, quando só é um ofício. Ensinar sem educar, ao contrário do que é propagado. Arte e literatura na escola, e ainda estendida aos alunos, só se tiverem natureza especificamente disciplinar. Se estiverem ligadas a datas comemorativas formalmente atadas ao PPP. Ou se, em último caso, forem determinadas isoladamente pelas secretarias de educação, as coordenadorias, os políticos locais ou quaisquer outras figuras poderosas. Assim não é subversão; não é empecilho nem vagabundagem, entre outras desqualificações encontradas direta ou indiretamente.
Também respeitados, e bem queridos pela escola, que até paga muito caro por eles, caso precise, são os famosos. Aí sim; os eventos nem têm que ser culturais. Basta serem divertidos, dançantes ou, inversamente, bem solenes. Neste caso, realizados por figurões repletos de títulos e com diplomas internacionais. Figurões enviados por órgãos superiores, e que tratam a todos com refinada arrogância, porque disso todos gostam, respeitam e recebem com tapetes vermelhos.
Não e não. Cultura não atrapalha a educação. Agrega. Especialmente quando se trata de cultura local. Quem faz cultura e a dissemina em sua cidade não deve ser tratado como uma figurinha que estende um chapéu e recebe um favor; um cantinho; uma aquiescência distante seguida da simpatia zombeteira de um, a grosseria disfarçada de outro e a mensagem silenciosa de "lamba os dedos; ai está o espaço e nos deixe em paz, porque temos mais o que fazer; estamos trabalhando".
Faz tempo que não condeno a distância ou a falta de interesse e atenção; a futilidade cultural e até a agressividade de grande parte dos alunos em ensinos fundamental e médio para quem oferece cultura, quando comparo esses comportamentos com os de quem os escolariza e, especialmente, os de quem dirige quem os escolariza. Os alunos realmente não têm culpa. Estão sendo escolarizados assim, exatamente como querem os políticos que mandam na educação, os cordeiros que obedecem porque "têm juízo" e não querem perder seus status, e dos que obedecem aos que obedecem, nem se fala.
A intenção clara ou obscura, consciente ou inconsciente dos educadores – e administradores – contra cultura é apenas uma: formar cidadãos que mais tarde "não perturbem" a paz dos governantes. Dos parlamentares que precisam se corromper e ludibriar o povo sem serem perturbados com ações de quem teve a mente aberta pela arte, a literatura e a cidadania desatreladas da obrigatoriedade fria, específica, impessoal e pedagógica reinante na escola.
Sou arte-educador. Um professor que trabalha com arte; literatura; cidadania. Designado pela Secretaria Estadual de Educação lá no governo Brizola, para disseminar cultura na escola em que sou lotado e tentar fazê-lo em outras unidades da rede pública. Isso não é nada fácil, porque nós, os arte-educadores, já não somos importantes na educação estadual; não utilizamos patente; não somos autorizados – nem queremos – a estender crachás nas demais unidades e dizer que lá estamos em nome dos mandatários da educação formal, que também nem se lembram de quem somos.
Por isto peço, e com muita humildade. Quando consigo, dou-me por satisfeito com as expressões simpaticamente contrariadas e sem graça, os espaços cedidos a contragosto, a ausência de representantes locais e a interrupção abrupta de algum funcionário que surge “brabo”, para dar bronca nos alunos formidavelmente ousados que foram participar ou assistir por conta própria, e por isso estão “perdendo conteúdo”.
A contracultura dos “donos” e diretores da educação, incutida gradativamente nos educadores (nem todos, pois muitos resistem), está vencendo os fazedores culturais não influentes; não poderosos; não famosos; não oficiais; não impostos. Tudo isso me faz reservar para daqui um tempo, a frase final de um célebre desabafo do saudoso educador, antropólogo, escritor e (até) político Darcy Ribeiro: “Eu detestaria estar na pele de quem me venceu”.
LIÇÃO DAS RUAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Aprendi muito cedo, que aprender,
ver o mundo com olhos de procura,
tem a fórmula simples do poder
que não têm os que perdem a ternura...
Foi a rua que disse; a vida é dura;
quem só ganha dinheiro há de perder;
não há bem que valha mais que a cultura
para quem não corrompe o seu saber...
Aprendi com a rua esta verdade;
aprender não combina com vaidade;
ser quem sou é maior que o que se tem...
Nem é crime ou pecado ter conforto,
só não faça das posses o seu porto;
seja quem, onde o caso é que ou quem...
FORMAS E FÔRMAS DE APRENDER
Demétrio Sena, Magé – RJ.
As crianças amadurecem brincando; sendo alegres; fazendo aquilo que lhes apraz. Admirando a leveza de seres e coisas. Apreciando os desempenhos fáceis; as soluções simples. Quando crescem um pouco, passam a ser assediadas pelos discursos de que só o sofrimento amadurece. Tão só a dor ensina. Só os percalços as tornarão fortes e as providências burocráticas resolverão a contento suas futuras pendências.
É bem verdade que o sofrimento, as dores e os percalços podem amadurecer, ensinar e fortalecer as pessoas, mas isso não é obrigatório. Muita gente sofre os diabos e continua imatura. Tem dores inimagináveis e não aprende nada. Enfrenta os mais duros percalços e continua fraca; em todos os sentidos. Ao mesmo tempo muita gente vive bem, com poucos problemas, quase não convive com dores, tem poucos percalços e mesmo assim amadurece, aprende, se torna forte. São pessoas que sabem aprender. Que observam a vida, o mundo e o sofrimento alheio. Foram ensinadas, quando crianças e adolescentes, a não ser egoístas; pensar no próximo; amar e fazer o bem; respeitar diferenças, escolhas e orientações pessoais... simplificar o que pode, para o mundo ficar mais leve.
Há formas e fôrmas de aprender. De fazer o melhor e o pior das vivências; dos ensinamentos que se recebe da vida e dos mais experientes. Ninguém há de sofrer por escolha própria, chamar para si as dores e as intempéries, para tão somente aprender e se tornar um bom ser humano. Tornar as coisas complexas, burocráticas e difíceis para só aí valorizá-las é estupidez. Já existe muito sofrimento em derredor. Muita gente que precisa de ajuda e de conselhos; de compreensão e solidariedade. De facilidades possíveis às relações interpessoais e resoluções de problemas. Podemos aprender muito, e crescer infinitamente, fazendo algo pelo próximo. Isso é bom para ele, para nós, porque soma na construção de um mundo melhor. Uma sociedade mais justa; igualitária; mais próxima do ideal.
Chavões não podem mudar o mundo. Atitudes podem. Os discursos valem bem pouco. Inclusive o discurso que os seus olhos percorrem neste momento, se não existir ação. Se nenhuma intenção real de seguir as próprias admoestações acompanhar o discurso e, se tudo for transformado em equações complexas propositais. A sociedade já está (in)devidamente cheia de arrogância, hipocrisia e má vontade.
BASTA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Aprendi a conter os meus rompantes
de carinhos, cuidados,atenções,
meus instantes de quando sou notório
aos teus olhos de pouco acolhimento...
Resolvi me afastar das tuas fugas;
teus temores de minha confiança;
dessas rugas na testa inquisidora
das verdades do afeto que devoto...
Já me calo no tom do teu silêncio,
me resfrio no freezer dos teus traços
e nos braços cruzados do teu ser...
Tua guarda montada em cada gesto,
cada linha indigesta sobre o rosto
têm um gosto que chega de sentir...
DO QUE PENSO QUE SEI
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Aprendi a não ser o guardião da vida
e não ter as certezas que nos equivocam,
nos evocam pro salto nesse cais do caos
de quem acha que tudo se rende a seu olho...
Sei que sei muito aquém do que penso que sei,
porém algo; pois nada, só quem não viveu;
há um eu razoável curtido em meu peito
que não tem pretensão de ser cofre do mundo...
A estrada termina para quem chegou;
quem é pleno está pronto para ser colhido;
tem um show que nos pede para prosseguir...
Alcancei a ciência de crer no futuro,
meu agora é o escuro sobre o que será,
só existe o saber que se constrói sem fim...
SOBRE O CRISTO VENCIDO NA SAPUCAÍ
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Não acho que o desfile da Escola de Samba Gaviões da Fiel tenha tentado afirmar que Jesus Cristo foi ou será vencido definitivamente pelo Satanás. O contexto é uma eterna guerra entre o bem (representado pela figura de Jesus Cristo) e o mal (representado pela figura do satanás), na qual muitas batalhas são vencidas pelo mal. O mesmo desfile mostra, lá no finzinho - mas quem ficou assombrado fez xixi na calça e não conseguiu vê-lo inteiro -, que o bem finalmente vence o mal. Em suma, Jesus Cristo vence o satanás, pois é imortal, segundo a Bíblia que fala de sua ressurreição e do fato de que Jesus é O Próprio Deus Feito homem, justo para morrer e ressuscitar, como ato definitivo da vitória do bem.
É também um alerta: vivemos tempos de muita intolerância, no Brasil. De muito preconceito e uma raiva imensa dos próprios cristãos contra o próximo que não os obedece ou não segue seus passos, tintim por tintim. Especialmente no contexto equivocado e lamentável desta fase na qual políticos que se autointitulam cristãos podem tudo, com o apoio incondicional da maioria do povo, que os pôs no poder. Para tanto, basta exibirem o rótulo de cristãos, mesmo se contradizendo em atos e palavras terríveis que ostentam a cada dia. Esses políticos, regidos pelo seu líder maior, o presidente da república, têm como soldados fiéis, dispostos a matar e morrer por eles, nada menos do que sessenta ou mais milhões de brasileiros. É assustador.
Neste contexto, é que o mal está vencendo o bem. Pelo menos temporariamente. O amor ao próximo seja ele quem for... a graça... o livre arbítrio... as virtudes que fazem acolher o outro sem perguntar qual é sua crença, ideologia, orientação, escolha pessoal... tudo isso acabou entre nós, por determinação política instigadora do espírito de vingança, soberba, segregação, racismo e todas as demais fobias contra o próximo não ajustado às rédeas de um grupo que arroga deter as verdades da vida e da morte.
Nem falo do mundo. Falo do Brasil. Este país que se fechou pra nova mentalidade necessária perante as mudanças da humanidade. Mudanças sociais. Nada a ver com o mundo espiritual, que não é regido pela sociedade política; econômica; tocável, como se prega. É orientado pela fé e as divindades possíveis, nas quais não creio, mas respeito quem crê. Por ora, o mal vence o bem, como aquele Demônio da sapucaí venceu temporariamente o Cristo (ou o Santo Antão, como alguns disseram, e vale a pena ler sobre tal santo). Espero sinceramente que os cristãos - notadamente os evangélicos - acordem a tempo de não sacrificarem mais ainda o bem, que perde muitas batalhas para o mal.
ARMA COMO SÍMBOLO EQUIVOCADO EM EDUCAÇÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Fico bem preocupado ao ler nas paredes de uma escola, que a educação é a melhor arma para vencer a ignorância... é arma para se alcançar um futuro digno; conseguir vencer na vida. É arma contra isso; arma para mais aquilo; para ser uma pessoa do bem; um vencedor. Aí você dirá que se trata de figura de linguagem, como se não houvesse outra. Poderia dizer que a educação é o melhor meio, dispositivo, caminho, ferramenta... e uma série de outras classificações ou figuras de linguagem disponíveis no vasto vocabulário de nossa língua riquíssima em recursos. Uma das mais ricas do mundo.
Mas a violência está no inconsciente. A mesma que nos faz dizer que matamos a cobra e mostramos o pau; matamos dois coelhos em uma cajadada só. Também matamos um leão por dia, e muitas vezes, à unha. Quebramos tudo, como metáfora de fazer sucesso. Arrebentamos; esfregamos na cara; brigamos por objetivos; damos a cara a tapa e classificamos trabalho como luta; batalha.
Infelizmente, não arrancaremos do imaginário popular as metáforas relacionadas a outros casos... mas pelo menos na escola, chega de armas, reais ou imaginárias. Chega dessa fomentação enviesada ou transversal da violência entre jovens estudantes, especialmente nestes tempos em que o próprio presidente da república legaliza, enaltece, fomenta e justifica a violência, como resposta pessoal à violência, dada pelo cidadão comum. Se nossos filhos e alunos não crescerem com essa imagem a martelar na mente, mesmo como figura infeliz de linguagem, eles terão mais chances de não serem adultos violentos.
A arma é a própria ignorância que supomos vencer, quando a usamos como símbolo de poder contra a ignorância. E a utilização continuada desse símbolo tem tudo para levar um cidadão às vias de fato, em algum momento da vida, com a materialização do que não será mais uma citação retórica; metáfora ou símbolo, e sim, a consumação fatal do que foi plantado no imaginário fértil de meninas e meninos.
EM NOME DA TELEVISÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
A família perniciosa fica ensinando à televisão uma série de coisas que não prestam. Depois, vem um monte de personagens e faz tudo igualzinho nas novelas.
Aqui em casa eu já disse: Vamos preservar a televisão! Temos que desligar a família, para que a televisão recupere aquela inocência de gerações anteriores.
AOS PROFESSORES, PELA SUPERAÇÃO DIÁRIA
Demétrio Sena
Escolhi ser um professor de cultura e cidadania, um arte-educador, quando não existiam formalmente os arte-educadores. Alcancei este sonho, já nos primeiros anos de minha maturidade, quando o governador Leonel Brizola abraçou o sonho de seu vice-governador e Secretário de Educação Darcy Ribeiro, de criar os CIEPs e aquela fantástica estrutura: horário integral, educação de primeiro mundo, quatro refeições diárias, esportes, médicos, dentistas, psicólogos e animadores culturais; os arte-educadores. Tudo dentro de uma estrutura física adequada a todas as práticas e necessidades locais, além de farto material pedagógico, artístico, funcional e utilitário. Naquela época, os CIEPs acolhiam alunos do primeiro segmento do ensino fundamental, e os ginásios públicos, com a mesma estrutura, jovens do segundo segmento. Prioridade absoluta para os mais pobres; os moradores de áreas discriminadas e de conflitos.
Hoje, ao olhar em volta e ver as escolas públicas sucateadas...ver os profissionais da educação menosprezados como nunca pelo poder público... perceber os alunos orientados pelos governantes a odiar professores, como parte de um projeto de desescolarização das camadas desfavorecidas, lamento profundamente. Lamento ainda mais, ao ver justamente as pessoas mais desfavorecidas cultuando essa política pública anti-educação, convencidas pelas pessoas de vida ganha... pessoas que sempre tiraram e tirarão ainda mais vantagem da desgraça social, por esse projeto de favorecimento das classes politica, empresarial e outras que gozam de privilégios às custas de quem mais sofre. Inclusuve alguns que parecem gostar de sofrer, fingindo pertencer às elites.
Não queria tecer lamentos, mas é inevitável. Queria só parabenizar aos professores pelo seu dia, incluindo-me no contexto. Se não há o que se comemore no que tange a valorização, as condições, estruturas de trabalho e políticas salariais, enalteçamos a força e a capacidade que o professor tem, de não desistir. E o seu amor pelo próximo, que o faz insistir no sonho de um país melhor para todos os brasileiros.
Enalteço também os professores da iniciativa privada, que vêm enfrentando em salas de aula o preconceito de alguns pais abastados ou pseudo-abastados que não dão limites aos filhos. Filhos estes, que quando resolvem levar os professores ao extremo da estrutura emocional, sabem que podem se valer do status de "clientes pagantes" e do desfavorecimento do professor sem estabilidade empregatícia. Minha esposa Eliana é uma dessas professoras, e só ela sabe com que força e talento se aposentou e continua trabalhando como admirável professora da rede privada.
Minha grande admiração, meu reconhecimento e o carinho a estes e aqueles! Estamos todos no mesmo barco, pelejando para não naufragarmos!
O SENTIDO E OBJETIVO DA EDUCAÇÃO COMO UM TODO
Demétrio Sena - Magé
Não é ingrato quem se desprendeu de minhas cordas ou teias e caiu no mundo sem me consultar. Quem abriu parêntesis no que aprendeu comigo e desenvolveu conhecimento próprio. Nenhuma ingratidão existe no meu protegido, que agora voa; na minha pretensa descoberta, que se redescobriu e recriou; no meu pupilo, que amadureceu e já vê a vida com olhos independentes.
Ingrato sou eu, se não ficar feliz porque meu ensinamento empoderou alguém; minha educação o levou à liberdade, a tal ponto que o livrou de mim... e minha verdade abriu o leque das múltiplas verdades que a vida proporciona. Ingratidão é me frustrar porque minha proteção deu asas; meu olhar sobre o outro ampliou seus horizontes... meu investimento em um ser humano fomentou sua inquietação e o fez descobrir sendas pessoais para investir por conta própria em seus sonhos, esperanças e visões independentes da sociedade... até para discordar de mim e chegar à conclusão de que meus conceitos petrificaram.
Amemos o próximo e não a nós mesmos no próximo. Quando fizermos algo por alguém, que seja mesmo por ele; não por nós. Fomentemos o pensamento crítico, nos dispondo à possível crítica futura desse pensamento. Fiquemos orgulhosos quando as pessoas a quem demos a mão estiverem seguras para soltá-la... quem um dia orientamos, resolver tomar caminhos diversos, até adversos, indo muito além do que fomos. São estes, o sentido e objetivo da educação verdadeira. Se havemos de conduzir um indivíduo por um tempo, que seja no seu tempo e a condução nunca seja repressora; mandona; coercitiva.
Seres humanos não são animais domésticos, que não podem ter vontade própria... nem plantinhas de apartamento, que jamais poderão escolher os próprios vasos... ou troféus, medalhas e certificados de honra ao mérito, que sempre vão circular entre nossas mãos, gavetas, estantes e paredes... muito menos objetos de nossa ostentação pública diária ou eterna vaidade pessoal.
SOBRE OS OUTROS
Demétrio Sena - Magé
Venho trocando meu carinho por educação. Carregamentos de amizade por alguma simpatia. Meu afeto por boa vontade. Isso me causa esvaziamento, é prejuízo profundo e demanda grandes esforços de quem ocupo dessas abordagens. Tenho que aprender a desonerar os outros.... a livrar as pessoas de mim.
ANIMAÇÃO CULTURAL - SAGA E SOLIDÃO
Demétrio Sena - Magé
Dizer que o arte-educador (animador cultural, no sistema da Secretaria Estadual de Educação) não faz nada, é o hobby de alguns colegas regentes. "Não fazer nada" significa não promover festas diárias, e sim, oferecer conteúdos culturais mais profundos, cujo engajamento discente não é incentivado nas aulas convencionais. Em cada unidade que tem o luxo de contar com esse profissional, trata-se de um, no máximo dois. E a nossa função é oferecer "aulas" livres, oficinas e projetos não obrigatórios a jovens que, além do desinteresse em razão do que a sociedade lhes oferece, ouvem outros profissionais nos desqualificarem.
Há colegas formidáveis em algumas unidades. Onde sou lotado, conto com a compreensão e às vezes o apoio ativo de alguns docentes regentes, além da direção, sempre solícita, para que meu trabalho flua. Mas nem isso impede, por tantos outros, os olhares e até citações pejorativos, como forma de repetição da sociedade que sempre desqualificou artistas não famosos e ricos. Temos, sim, espaços fisicamente ociosos entre uma ação e outra, um projeto e outro... espaços em que projetamos novas ideias, recebemos alunos em nossas salas (quando as temos) e promovemos momentos de reflexão, bate papos e cultura geral desobrigada em seus horários também ociosos. Fora dos olhares oficiais.
E para quem desqualifica a formação dos animadores culturais, é justo sempre lembrarmos que além de nossa formação acadêmica, temos em nosso portifólio cursos e capacitações em diversas áreas culturais: na UERJ, UFRJ, UFF, Universidade Popular da Baixada , ABEU, UNIGRANRIO entre outras instituições. Tudo por exigência dos governos estaduais anteriores que nos tinham como essenciais. Para Brizola e Darcy Ribeiro, éramos "as meninas dos olhos" das unidades escolares.
Quem desqualifica o animador cultural na ausência ou "pelas costas", como se diz popularmente, não é covarde nem medroso. É prudente. Sabe que não teria como sustentar qualquer argumentação, perante os olhos e as refutações argumentativas e comprobatórias de qualquer um desses profissionais que há trinta ou mais anos existem e resistem bravamente no sistema da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro.
Nossa gratidão aos poucos professores e professoras regentes, diretores e diretoras, além de outros colegas que sempre somaram conosco. E que hoje nos apoiam na luta contra a extinção dessa categoria também odiada por alguns dos últimos governos e de forma ostensiva e contundente pelo governador Cláudio Castro e sua equipe. Cultura na educação realmente amedronta os governos fascistas, os grupos sociais e as massas populares de manobra que aprenderam a não aprender com o que sofrem por causa desse atraso sociopolítico de séculos e séculos.
... ... ...
#respeiteautorias Isso é lei
OBRIGADO, PROFESSORA... PARABÉNS, PROFESSOR
Demétrio Sena - Magé
- Oi, professora; tudo bem?
- Quanto tempo, professor! O senhor ainda é professor?
- Professora! Lembra de mim? Sou aquele capeta que não dava sossego!
- Caramba, professor... como dei trabalho...
Ninguém diz: "Oi, engenheiro!", "Como vai, advogada?", "Lembra de mim, médico?", "Que saudades, pedreiro!", "Que bom revê-la, artesã!".
Tirando os títulos de citação pública ou pontual, obrigatória, o professor é o único profissional que todos chamam nominal, carinhosa e livremente, pelo seu ofício.
Parabéns, professora ou professor... e muito obrigado... não só por hoje, mas por todo o passado, presente e futuro!
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