Cem Sonetos de Amor de Pablo Neruda (trechos inesquecíveis do autor chileno)
O amor, quando chega para alguém como eu, não entra pela porta da frente com flores, mas infiltra-se como a umidade nas paredes, gelando os ossos antes de se tornar parte da estrutura. É uma dor bonita, um jeito de sofrer acompanhado por alguém que também tem medo do escuro.
O amor é um exercício de vulnerabilidade que eu já não pratico com tanta frequência, por medo de que o que sobrou de mim não suporte mais uma decepção. Fechei as janelas do peito, não por ódio, mas para proteger as últimas velas que ainda insistem em não apagar.
O amor verdadeiro é aquele que permanece quando a beleza se vai e a saúde se despede, deixando apenas dois espíritos cansados se apoiando um no outro. É a caridade do olhar que não julga a falha, mas acolhe o que restou de humanidade no outro.
O amor é um hóspede barulhento que bagunça toda a casa da nossa alma e depois vai embora sem ajudar na limpeza, deixando apenas o cheiro de um perfume que odiamos lembrar. Mas, no fundo, a gente sabe que a casa vazia e limpa é muito mais triste do que o caos que ele causou.
A espera pelo primeiro amor não foi apenas tempo, foi vida doada. Foi a paciência de quem cultiva uma flor em solo estéril, acreditando que o amor, por si só, teria o poder de fazer brotar a reciprocidade.
Um amor transcende o outro. No final, a dor de não ser correspondido revela a nossa própria capacidade de amar além da lógica, de esperar além do limite e de sobreviver ao próprio naufrágio.
O amor-próprio não é um estado de espírito ensolarado, é um trabalho de mineração em solo rochoso, onde você retira os entulhos do que os outros disseram sobre você até encontrar aquela pequena pepita de verdade que diz: você ainda é digno de ser amado, apesar das rachaduras.
Passei tanto tempo construindo muralhas contra a dor que, quando o amor finalmente chegou, encontrou apenas ruínas e portas enferrujadas.
Por amor ou admiração, as pessoas irão te servir, te defender e até se arriscar por você, mas por ou com repulsa, nem pagando elas irão. Por isso a importância de, se possível, ser admirado até pelo inimigo.
Amor é algo da qual não sou digno de possuí-lo, eu vi uma rosa, queria estar com ela o tempo todo, queria mais do que apenas olhar, eu queria tê-la para mim, contudo quando cheguei perto ela abriu seus espinhos, eu poderia ter arrancado do chão. Poderia ter pegado ela para mim, mas a beleza dela era tão esplêndida que não podia fazer isso. Então com a tristeza no coração eu a deixei lá.
O ciúme dominador despreza um dos princípios mais elementares do amor: deixar o outro livre para partir quando quiser. Afinal, quem ama de verdade permanece por vontade própria.
não sou ateu, só não acredito num deus que dizem ser de amor e não vejo nas páginas onde ele mora nenhum ato de amor.
"O ciumento necessita de um escravo; o ciumento pode amar, mas o amor é para ele apenas um sentimento extravagante; o ciumento é antes de tudo um proprietário privado."
Meus filhos, ninguém jamais conseguiu atender ao amor sem corresponder primeiramente a simplicidade em si mesmo.
O sol vai esquecer de amanhecer amanhã, pois ele me disse que o amor era mais quente que ele, mas eu disse que amanhã eu estarei só para você, então ele estará normal...
