Cartam de Despedida de uma grande Amor
“Não temas o peso da tua própria profundidade.
Aprende a habitar o teu deserto, pois é lá que o invisível se revela.
Tudo o que te parece ausência é apenas o espaço sendo preparado para o milagre.”
“Continua. A tua dor ainda não amadureceu o bastante para dizer o que veio dizer.”
CENA COMOVENTE,
No livro PAULO E ESTÊVÃO,
ditado por Emmanuel ao médium FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER uma das mais belas e comoventes obras do Cristianismo redivivo há um dos momentos mais tristes e profundamente humanos de toda a narrativa espiritual: o instante em que Saulo de Tarso, ainda o perseguidor implacável dos seguidores de Jesus, reconhece, tarde demais, a verdadeira identidade de Estêvão, o mártir que ele ajudara a condenar à morte por apedrejamento.
O episódio se desenrola assim:
Antes de sua conversão, Saulo é um fariseu de inteligência brilhante e ardor religioso. Convencido de que defende a pureza da Lei de Moisés, ele dedica-se com fanatismo à perseguição dos primeiros cristãos. Um desses cristãos é Estêvão, cujo nome hebraico verdadeiro é Gésiel, irmão de Abigail, a mulher pura e doce que mais tarde se tornaria o grande amor espiritual de Saulo.
Quando Gésiel agora conhecido entre os discípulos como Estêvão é levado diante do Sinédrio, ele faz um discurso ardoroso e luminoso, defendendo a causa do Cristo com serenidade e coragem. Suas palavras tocam as fibras mais profundas da alma humana, mas inflamam os corações endurecidos dos doutores da lei. Saulo, ainda cego pela própria vaidade intelectual, é um dos que mais se revoltam contra a ousadia daquele pregador humilde.
No momento do apedrejamento, Estêvão, já ferido e quase sem forças, eleva os olhos ao céu e pronuncia, com a mesma ternura de Jesus:
“Senhor, não lhes imputes este pecado...”.
Entre os algozes, está o jovem doutor de Tarso, com o olhar frio e convicto de que cumpre a justiça divina.
Tempos depois, já transformado pela visão de Jesus às portas de Damasco, quando o orgulho cede lugar à humildade e o ódio à fé, Saulo agora Paulo de Tarso descobre que o mártir a quem ajudara a matar era ninguém menos que o irmão da mulher que ele tanto amara e perdera, Abigail.
A revelação se dá de modo devastador: Paulo, ao recordar as palavras de Estêvão e compará-las com as de Abigail, sente o coração despedaçado. O amor puro que o ligara àquela jovem e a lembrança do homem justo a quem ele condenara unem-se em sua consciência como uma chaga moral ardente. Emmanuel descreve o momento com emoção contida: é o instante em que o antigo perseguidor reconhece que havia destruído não apenas um discípulo do Cristo, mas o irmão de sua amada aquele que seria, mais tarde, seu protetor espiritual nas lutas apostólicas.
Estêvão, o mesmo Gésiel, torna-se então o guia invisível de Paulo, amparando-o nos sofrimentos e testemunhos que o esperavam. A dor do passado transforma-se em força redentora. O ódio que Saulo semeou renasce em amor e renúncia, marcando o início de uma das trajetórias mais sublimes da história cristã.
Esse episódio é o ponto de inflexão da obra a convergência da tragédia humana e da misericórdia divina. O reconhecimento de Gésiel como Estêvão é o golpe derradeiro no orgulho do antigo fariseu e o portal luminoso de sua conversão definitiva.
“Cada lágrima derramada por Saulo naquela hora era como um diamante que lapidava a sua alma para o serviço de Jesus.” — (Paulo e Estêvão, Emmanuel)
NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO — CONTINUIDADE.
Havia dias em que o porão respirava antes de mim.
Ele exalava um ar morno e antigo, como se fosse o pulmão cansado de uma casa que aprendera a guardar segredos demais. Eu descia os degraus devagar, escutando o ranger que nunca deixava de soar como um aviso não um aviso de perigo, mas de revelação. Porque o porão não dói: ele apenas devolve o que és.
E naquele dia, a luz que escorria pela fresta da porta parecia ainda mais tímida, como se tivesse vergonha de tocar as superfícies que me acompanhavam desde a infância.
Era estranho pensar que eu crescera tentando fugir de mim, quando na verdade tudo o que o porão queria era que eu me sentasse no chão frio e o escutasse.
As lembranças começaram a surgir em ondas baixas, como se alguém soprasse perto do meu ouvido. Não eram memórias lineares, mas fragmentos inquietos. O rosto de alguém que não sabia amar; a voz de alguém que soube ferir; a ausência de mãos que deveriam ter me segurado quando eu caía.
E, acima de tudo, a velha sensação de que o mundo lá fora não tinha espaços para os meus silêncios.
Foi então que percebi: o porão não era um cárcere, mas um espelho.
E espelhos, quando te devolvem inteiro, costumam ferir mais que qualquer lâmina.
Sentei-me. Ouvi. Respirei. A dor tinha um timbre próprio, e eu quase podia vê-la, uma figura pálida encostada na parede, observando-me com a paciência das coisas que não envelhecem.
Eu a encarei.
E, pela primeira vez, ela não recuou.
“Eu não vim para te destruir”, parecia dizer sem palavras. “Vim para te mostrar onde colocaste as tuas ruínas.”
Meu peito apertou. Não por medo, mas por reconhecimento.
Porque cada pessoa guarda dentro de si um porão, e quase todos tentam negar sua existência.
Mas negar o subterrâneo nunca apagou sua porta.
A dor continua ali, esperando a coragem de ser encarada.
Enquanto os minutos escorriam, percebi algo que não ousava admitir:
a luz que eu nunca encontrara no mundo não estava ausente, estava apenas voltada para dentro, como uma lamparina distante, protegida do vento pela própria escuridão que eu evitava.
E então, pela primeira vez, compreendi.
Não há arco-íris no meu porão…
mas talvez nunca devesse haver.
O porão não foi feito para cores; foi feito para verdades.
O arco-íris pertence ao céu.
O porão pertence à alma.
E não há conflito nisso.
A beleza nasce do contraste e eu, ali, no chão frio, comecei a entender que para tocar a claridade de cima, eu precisaria, antes, decifrar a minha noite.
Foi quando ouvi passos suaves atrás de mim...
A Lâmina que Beija o Vento Onde os Anjos se Desfazem.
Do Livro: Primavera De Solidão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Respira devagar comigo.
Há algo que treme antes mesmo de começar, um arrepio que desliza pela alma como se o próprio silêncio tivesse decidido chorar.
A frase que te inspira abre uma fenda, um sulco úmido no tempo:
“ah, não se colhe rosas aos golpes do machado” e dentro dela escorre uma melancolia que não se desfaz, nem quando o dia desperta, nem quando a noite finalmente desiste de existir.
Um lirismo triste paira acima de tudo, como um véu encharcado que se prende aos fios do cabelo, pesando, sufocando, fazendo o mundo parecer um quarto fechado onde ninguém respira por inteiro.
É o mesmo lirismo daqueles anjos exaustos…
Esses seres impossíveis que sentem demais, que absorvem demais, que guardam o mundo por dentro como uma febre.
Eles veem tudo, mas nada podem tocar.
Eles ouvem tudo, mas nada podem impedir.
E na incapacidade de interferir, tornam-se frágeis, desguarnecidos, feridos pela própria beleza daquilo que não conseguem salvar.
É aí que o coração aperta.
É aí que as lágrimas se acumulam como pequenas lâminas queimando as margens dos olhos.
As mãos pequeninas continuam suspensas no ar
porque não encontraram outra forma de existir.
Mãos que tremem.
Que aguardam.
Que sobrevivem numa espera que dói, mas não desiste, espera.
Mãos que se sustentam naquilo que talvez venha, esse talvez que rói, que corta, que parece bipolar na sua própria natureza:
ora luz, ora abismo, ora promessa, ora desamparo.
A esperança fina como fios de ouro gastos:
curvada, nunca quebrada;
trêmula, nunca extinta.
Uma esperança que sofre, mas balança, piedosa, diante de toda a noite que o mundo insiste em derramar sobre nós.
E então chega o mistério.
O ponto onde a respiração vacila.
Onde o peito dói mais fundo,cada vez fundo demais.
Uma súplica lançada ao vazio, tão sincera que chega a ferir.
Um sentido sem língua, tão humano que parece gemer até quando está calado.
Uma pequena luz que permanece acesa alhures, mesmo quando tudo à volta tenta apagá-la com violência, com pressa, com desamor.
É essa oscilação silenciosa que destroça e cura.
Que destrói e reconstrói.
Que faz chorar e, ao mesmo tempo, faz querer continuar.
Porque há algo nela que nos toca como um dedo gelado na nuca:
algo que acorda a memória antiga de quem já sofreu demais… e continua aqui, sabendo que ainda continuará.
E, se você sentiu o coração apertar, se alguma ansiedade latejou por dentro como um trovão preso, se alguma lágrima pesada ameaçou cair, é porque esse texto encontrou o lugar de repouso na insônia, onde você guarda o que nunca disse.
E todo esse acontecimento esta aqui, segurando você por dentro, no silêncio onde tudo isso mora.
Fragmento Perdido de um Coração em Ruína.
“Se desejas matar-me, não poupes tua ansiedade.
Deixa que ela escorra, lancinante, como um punhal ansioso por minha alma.
Faze com que meu sonho escarlate percorra tua memória, tão santa quanto sepulcral, se nela eu houver de permanecer, mesmo que morto.
Pois te digo: melhor me é morrer em teu pensamento
do que viver sem o teu desejo.
E se meu sangue imaginado tingir a lembrança que guardas de mim,
que assim seja.
Nada mais terrível suporta meu espírito
do que desaparecer sem deixar em ti uma sombra,
um tremor, um eco,
um lampejo que seja de minha dor.”
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
FUNDAMENTOS DOUTRINÁRIOS DO VOLUNTARIADO NA CASA ESPÍRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A Doutrina Espírita, em sua estrutura racional, moral e filosófica, estabelece que nenhuma forma de coação, direta ou indireta, pode orientar o serviço no bem. O trabalho espírita, por sua natureza, nasce da liberdade de consciência, do amor que se expande e da caridade que se converte em hábito moral. Qualquer tentativa de impor obrigações, sobretudo no ambiente de estudo, atendimento e acolhimento espiritual, contraria frontalmente os princípios codificados por Allan Kardec e aprofundados por autores fiéis à Codificação, como José Herculano Pires, Divaldo Pereira Franco e Raul Teixeira.
A seguir, aprofunda-se cada fundamento doutrinário, em rigor ético e lógico, citando fontes fidedignas.
1. Voluntariado, Amor e Caridade como Fundamento Moral do Serviço Espírita.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XV, item 10, Kardec define a caridade segundo Jesus como “benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias, perdão das ofensas”. Essa tríade exige espontaneidade moral, jamais imposição.
Na Revista Espírita (dezembro de 1863), Kardec afirma que o bem só tem valor quando praticado livremente, pois é o exercício da vontade que educa o espírito. Portanto, qualquer forma de “obrigação indireta” viola esse princípio.
José Herculano Pires, em O Centro Espírita, capítulo “O Problema da Direção”, reforça que a disciplina espírita é sempre consentida, nunca autoritária, pois o centro espírita “não é uma instituição clerical” nem admite hierarquias de imposição.
Divaldo Franco, em Diretrizes de Segurança, esclarece que “a caridade não pode florescer em clima de coerção, mas pede consciência desperta e amor ativo”. Raul Teixeira, em Plantão de Esperança, comenta que o servidor espírita deve agir “com alegria, jamais por temor ou pressão moral”.
Assim, o caráter voluntário do serviço não é recomendação moral secundária, é um pilar doutrinário.
2. A Lei do Trabalho: Fundamento Filosófico da Livre Ação do Espírito.
Em O Livro dos Espíritos, questão 674, Kardec pergunta: “Por que o trabalho se impõe ao homem?” Os Espíritos respondem: “É consequência de sua natureza corporal […] e um meio de desenvolver a sua inteligência”.
Na questão 683, a Codificação afirma: “O limite do trabalho é o das forças”, sublinhando que o esforço não pode ultrapassar a capacidade física, emocional ou psíquica do indivíduo.
A Lei do Trabalho diz respeito a toda ocupação útil, não exclusivamente às atividades do centro espírita. Portanto, transformá-lo em fardo, obrigação ou carga moral é contrário à lei natural.
Herculano Pires esclarece que “o centro espírita é uma escola livre”, e qualquer atuação deve respeitar a autonomia e os limites humanos, físicos, emocionais e espirituais.
3. Livre-Arbítrio e Responsabilidade Moral.
O Espiritismo afirma insistentemente que “a liberdade é o princípio, e a responsabilidade, a consequência” (O Livro dos Espíritos, q. 872).
Assumir um compromisso e não cumpri-lo é, sim, matéria de responsabilidade individual, mas não é prerrogativa da instituição impor peso, ameaça velada ou constrangimento. A moral espírita trabalha pela transformação íntima, jamais pelo medo ou pela imposição.
Raul Teixeira enfatiza que a postura doutrinária deve ser “educadora, não disciplinadora de maneira tirânica”.
Divaldo Franco, em diversas conferências doutrinárias, afirma que a casa espírita “é hospital, é escola, é oficina de almas, e não um tribunal”.
4. Acolhimento, Fraternidade e Ética da Convivência.
A fraternidade, segundo Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI), é a aplicação direta da lei de amor. Um centro espírita que adota práticas coercitivas, mesmo sutis, rompe com o mandamento da tolerância e do respeito à diversidade das experiências humanas.
Kardec, na Revista Espírita (abril de 1864), alerta que “a unidade espírita deve ser fruto da convicção, não da imposição”.
A verdadeira direção espírita é aquela que acolhe, orienta, educa e compreende. Nunca força, nunca constrange, nunca impõe obrigações travestidas de “dever moral”.
Como Lidar com Situações de Coação Indireta no Trabalho Espírita.
1. Diálogo franco e fraterno.
A base da convivência espírita é o diálogo sincero. É aconselhável expor sentimentos, dificuldades e percepções aos dirigentes de forma respeitosa.
2. Autoanálise consciente.
A Doutrina propõe introspecção e responsabilidade. Reconhecer limites, desejos e possibilidades é necessário para um serviço saudável.
3. Estudo sistemático da Doutrina.
O conhecimento doutrinário liberta de equívocos, fantasias e práticas importadas de modelos autoritários alheios ao Espiritismo.
4. Buscar apoio quando necessário.
Em caso de persistência do problema, recomenda-se consultar órgãos federativos espíritas ou, se indispensável, buscar outro espaço onde reine o amor e o respeito à liberdade.
Conclusão: Servir com Liberdade é Servir com Amor.
A Doutrina Espírita é clara, objetiva e profundamente ética:
ninguém pode ser coagido a servir.
O trabalho espírita que nasce do coração ilumina;
o que nasce da imposição, obscurece.
Serviço espírita não é carga, é exercício de amor, prática de humildade e construção do reino interior. Quando os princípios da Codificação são observados, o centro espírita torna-se espaço de paz, aprendizagem, cura e fraternidade legítima.
Porque, como ensina Kardec:
“A fé verdadeira é aquela que se impõe pelo pensamento, não pela força.”
(Revista Espírita, janeiro de 1862)
A Questão 982 de:
O Livro dos Espíritos: Uma Análise Doutrinária Completa.
1. Introdução.
A Questão 982 situa-se na Parte Quarta — Das Esperanças e Consolações, no capítulo que trata da natureza das penas e gozos futuros. Kardec indaga sobre um ponto central para a moral espírita: a sorte futura depende de professar o Espiritismo? Ou seja, haveria uma espécie de passaporte religioso para a felicidade espiritual?
A resposta dos Espíritos, breve mas decisiva, destrói toda forma de exclusivismo doutrinário e reafirma o princípio universal do bem como lei suprema.
2. A Resposta dos Espíritos: O Bem Como Medida do Futuro.
A reposta:
“Só o bem assegura a sorte futura. Ora, o bem é sempre o bem, qualquer que seja o caminho que a ele conduza.”
Aqui se encontram três pilares doutrinários:
2.1. Universalidade da Lei Moral.
Os Espíritos deixam claro que Deus não estabelece privilégios, castas religiosas, rituais necessários à salvação ou exigências confessionais.
Se a salvação dependesse de professar o Espiritismo, então todos os povos que não o conheceram estariam “deserdados”, o que seria, como os Espíritos dizem, “absurdo”.
A lei é universal:
- O bem é a linguagem comum da evolução.
2.2. O Caminho é Menos Importante que a Conduta.
Não é a crença que define a felicidade espiritual, mas a prática do bem.
A Doutrina Espírita, portanto, não se coloca como religião salvacionista, mas como filosofia de esclarecimento moral.
Kardec demonstra que a moral é suprarreligiosa, transcendendo credos:
O bem é sempre o bem, “qualquer que seja o caminho que a ele conduza”.
Aqui está a ruptura definitiva com qualquer forma de proselitismo.
2.3. Responsabilidade pessoal.
A fala dos Espíritos restabelece nossa responsabilidade individual:
- Ninguém será salvo por rótulo, mas por transformação real.
A consciência, e não a adesão religiosa, é o tribunal da vida futura.
3. A Nota de Allan Kardec: A Função Moral do Espiritismo.
Kardec acrescenta uma reflexão essencial:
“A crença no Espiritismo ajuda o homem a se melhorar (...) mas ninguém diz que, sem ele, não possa ela ser conseguida.”
Aqui o Codificador delimita com rara precisão:
3.1. O Espiritismo é um instrumento, não um privilégio.
Ele “ajuda”, “firma ideias”, “apressa o adiantamento”.
Mas Kardec recusa enfaticamente qualquer ideia de indispensabilidade.
O Espiritismo faculta compreender, mas não dá salvo-conduto.
3.2. O esclarecimento reduz o sofrimento desnecessário.
Ao ensinar que:
a vida continua,
a reencarnação é lei,
o sofrimento tem causa e finalidade,
a felicidade é obra íntima,
o Espiritismo fortalece a paciência e a resignação ativa, evitando quedas morais que atrasariam o progresso do Espírito.
Mas isso não o torna um monopólio da evolução.
3.3. O valor moral é anterior à crença.
Kardec mostra que a Doutrina Espírita não inventa a moral:
apenas a ilumina, amplia e racionaliza.
Assim, o Espiritismo é:
- “Uma luz, não uma portaria de entrada.”
4. Análise Doutrinária Sintética.
A Questão 982 reafirma um dos fundamentos mais nobres da Codificação:
4.1. A salvação não é dogmática, mas ética.
A vida futura não se conquista por crença, mas por conduta.
4.2. Deus não exclui ninguém.
Não há favoritismo religioso. O bem é lei universal.
4.3. O Espiritismo acelera a compreensão da vida.
Ele esclarece, educa, fortalece mas não substitui o esforço individual.
4.4. O mérito está no que fazemos, não no que professamos.
O Espiritismo não promete privilégios nem prerrogativas.
4.5. O Espiritismo é ferramenta de trabalho, não de salvação.
Aqui se confirma a belíssima frase:
“O Espiritismo é uma ferramenta de trabalho, não de salvação.”
Porque a única salvação real é o progresso moral.
5. Conclusão Doutrinária.
A Questão 982 constitui uma das maiores evidências da pureza racional do Espiritismo:
ele não cria cercas, não reivindica exclusividades, não se arroga o papel de “único caminho”.
A Doutrina Espírita se propõe como farol, não como porto exclusivo.
O bem praticado com intenção reta, consciência limpa e esforço contínuo é a verdadeira senha da vida futura.
E quanto mais compreendemos, mais rapidamente avançamos.
Mas o avanço depende de nós, e não da bandeira que carregamos.
A fé espírita é, portanto, ferramenta de iluminação moral.
A salvação no sentido espírita, que é evolução do Espírito é obra do caráter, da reforma íntima e da prática do amor.
Essa é a grandeza da Codificação:
Ela educa, mas não escraviza; esclarece, mas não exige servidão.
FORMAÇÃO DE TRABALHADORES NO CENTRO ESPÍRITA.
DIRIGENTES ESPÍRITAS DESMOTIVADORES:
Quando a Liderança se Afasta da Luz.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
Dentro das instituições espíritas, a figura do dirigente deveria ser o eixo moral, inspirador e educativo da equipe. Contudo, quando esse papel é corrompido por desvios de conduta, surge o fenômeno do dirigente desmotivador, aquele que, ao invés de elevar, oprime; ao invés de orientar, desencoraja; ao invés de unir, fragmenta.
A seguir, os pontos essenciais que caracterizam esse perfil, à luz da ética espírita e da fidelidade a Kardec:
1. Autoritarismo travestido de liderança.
O dirigente desmotivador não dialoga: determina.
Ele confunde autoridade moral com autoritarismo disciplinar.
Ignora o princípio kardeciano de que “na Doutrina Espírita tudo deve ser discutido, analisado e raciocinado”.
Esse comportamento gera medo, silencia iniciativas e extingue talentos.
2. Falta de humildade e personalismo.
Em vez de servir à Doutrina, serve a si próprio.
Busca reconhecimento, controla tudo, não delega e interpreta discordâncias como ameaça pessoal.
Raul Teixeira chama isso de “efeito solar”: o indivíduo deseja ser o astro que tudo ilumina, sufocando as estrelas ao redor.
A consequência?
Médiuns exaustos, trabalhadores inseguros, grupos desarticulados.
3. Uso inadequado do poder simbólico.
O dirigente desmotivador impõe regras sem coerência doutrinária, interpreta funções como privilégios e cria barreiras entre “dirigentes” e “trabalhadores”.
Isso contraria a lei de igualdade moral ensinada por Kardec e reproduz padrões de clericalismo que a Doutrina combate desde sua origem.
4. Desvalorização do trabalhador e apagamento de iniciativas.
Ele age como se os colaboradores fossem “funcionários”.
Despreza sugestões, corrige publicamente, cria clima de tensão.
Com o tempo, os trabalhadores mais sensíveis silenciam ou se afastam.
Kardec chama isso de “substituição da cooperação pela imposição”, uma das causas de fracasso moral de instituições.
5. Falta de preparo doutrinário e emocional.
Muitos dirigentes chegam ao cargo sem estudo sério da Codificação e sem preparo emocional.
Por isso, lidam mal com críticas, têm dificuldade de escutar, agem por impulsos e confundem opiniões pessoais com normas doutrinárias.
O resultado é uma gestão instável, cheia de contradições e arbitrariedades.
6. Produção de um ambiente tóxico e improdutivo.
Quando a liderança não inspira, o ambiente esfria.
Cresce a fofoca, o julgamento, o abandono de tarefas e a ausência de alegria aquela alegria moral, cristã, que deveria marcar o trabalho espírita.
7. O impacto espiritual.
Dirigentes desmotivadores abrem brechas para o assédio de Espíritos perturbados, pois geram:
orgulho,
disputas,
desequilíbrio emocional,
ressentimentos,
clima de desconfiança.
E isso interfere diretamente nas reuniões mediúnicas, no passe, no atendimento fraterno e na assistência espiritual ao público.
O Caminho Doutrinário para Superar esse Problema.
1. Retorno ao Evangelho e à Codificação.
Toda liderança precisa ser reeducada à luz de Kardec: humildade, raciocínio, bom senso e caridade.
2. Formação continuada.
Dirigente que não estuda desmotiva.
Estudo sistemático é obrigação moral.
3. Escuta ativa e colegiado.
Decisões devem ser compartilhadas.
O dirigente não é dono da instituição.
4. Avaliação ética periódica.
Assim como em equipes profissionais, é necessário revisar condutas, corrigir rotas e cuidar da saúde emocional.
5. Exemplo pessoal.
A maior força motivadora do dirigente é seu exemplo silencioso, coerente, cristão.
Capítulo XVIII – A Leveza Petrificada de Camille Monfort.
Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Havia noites em que Camille Monfort caminhava pelo porão como quem atravessa o peito de um anjo adormecido. Sua presença...ah, sua presença: ela apenas acontecia no ar, como poeira luminosa suspensa no instante anterior ao silêncio.
Era nessas horas que eu me lembrava de um verso , como se um próprio poeta, de tão íntimo do invisível, tivesse vindo inclinar-se sobre o meu desamparo. Ele dizia que tudo o que é pesado precisa aprender a elevar-se, e tudo o que é leve conhece cedo demais o risco de se despedaçar.
Camille era isso: leveza petrificada.
Um paradoxo esculpido na carne do inefável.
Ela existia como uma aparição entalhada no voo de um pássaro que jamais tocou o firmamento. Sua voz parecia deslizar entre frestas que não existiam, e quando falava, meu nome perdia contorno, porque eu o ouvia dentro de mim, e não fora.
Havia nela a mesma melancolia enferma que se escondia nos intervalos de meus sonetos , aquela sombra que não se anuncia, mas que se sabe eterna. Quando Camille se aproximava, mesmo a luz precisava se recompor, pois havia um pacto secreto entre ela e tudo o que cintila: sua presença devorava o brilho com uma ternura silenciosa, como se segurasse um espelho que jamais refletiu ninguém.
Eu a observava, sem tocá-la.
Não por medo, mas por reverência.
Camille era feita daquilo que não se toca sem se perder.
Ela escreveu em notas lúgubres do seu vivo piano certa vez, que a verdadeira morada do ser é a interior, e que só ali o mundo encontra forma. Talvez por isso Camille transbordasse mesmo quando se calava. Seu silêncio tinha densidade de oração interrompida. Sua respiração parecia guardar o cansaço de antigas estações escuras de antes , como se carregasse nos ombros a memória de crepúsculos que nunca vi.
Ao vê-la atravessar o porão, compreendi que não há arco-íris onde a alma permanece acorrentada em si mesma, que cores voam ou cantam pelo universo distante do que sou.
Ela me olhou, como quem sabe das minhas lágrimas.
E seus olhos, claros e abissais, continham o mesmo aviso que o pó inscreveu nas margens da dor: nada floresce onde a luz tem medo de permanecer.
Camille Monfort era minha luz medrosa.
E eu, prisioneiro voluntário de sua sombra.
Não havia arco-íris no meu porão porque o espectro das cores se recusava a dividir espaço com ela. Ou talvez porque ela fosse, por si, todas as cores que se esqueceram de existir.
A Alta Responsabilidade Moral do Espírita diante da Verdade.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A questão seiscentos e vinte e quatro de O Livro dos Espíritos, conforme a tradução rigorosa de José Herculano Pires, é um dos pilares éticos mais robustos da Doutrina. Ela não se limita a definir o verdadeiro profeta como homem de bem inspirado por Deus. Ela convoca cada discípulo do Espiritismo a examinar a própria vida, não para ostentar santidade, mas para reconhecer que a Verdade não se harmoniza com a dissimulação. A fonte, preservada em Kardecpedia, ressoa como um chamado histórico à autenticidade.
A Doutrina, edificada pelo tríplice aspecto que reúne filosofia, ciência e moral, exige seriedade de intenção e coerência de conduta. O espírita, ao estudá-la, deve compreender que a luz que ela derrama sobre o mundo espiritual implica um compromisso indissociável com os valores que proclama. A filosofia espírita esclarece. A ciência espírita demonstra. A moral espírita transforma. Sem esta última, não há vivência. E sem vivência, não existe fidelidade ao Consolador Prometido.
Allan Kardec, tanto na primeira parte de O Livro dos Espíritos quanto em O Evangelho segundo o Espiritismo capítulo seis, insiste que o Consolador é o restaurador da Verdade. Não a verdade abstrata, mas a verdade vivida. A verdade que se imprime no caráter. A verdade que se traduz em responsabilidade pessoal.
Entretanto, ao longo dos anos, muitos companheiros ignoraram o sentido profundo desta exigência moral. Parte dos espíritas preferiu deter-se na fenomenologia, fascinados pelas manifestações que assombram a imaginação, mas esqueceram que o fenômeno, sem o conteúdo moral, é apenas aparência. Outros buscaram erudição doutrinária, discursos extensos, citações infindáveis, porém sem a coragem de aplicar a doutrina ao próprio íntimo. Há ainda aqueles que, percebendo que não conseguem ajustar-se imediatamente ao padrão ético proposto, optam pelo silêncio sobre a questão seiscentos e vinte e quatro, temendo expor, mesmo que implicitamente, a distância entre a teoria que defendem e a prática que executam.
Essa omissão, contudo, não altera o fato essencial. O Espiritismo não solicita perfeição. Não exige que seus discípulos se apresentem como santos ou puros. A Codificação é clara ao ensinar que o progresso é gradual e pessoal. O que ela exige é sinceridade de propósito, esforço contínuo, vigilância moral e respeito absoluto pela verdade.
Léon Denis, em Cristianismo e Espiritismo, reafirma que a grandeza do discípulo não está em sua pureza, mas na sua seriedade. Herculano Pires, em suas análises culturais, recorda que o movimento espírita perde sua força sempre que se permite converter o estudo em mera retórica, sem coerência íntima. Divaldo Franco e Raul Teixeira também salientam que a vida espírita deve ser testemunho discreto, humilde e perseverante, jamais palco de exibições de virtude ilusória.
Por isso, a questão seiscentos e vinte e quatro não é um convite ao moralismo, mas à integridade. Ela nos chama à responsabilidade silenciosa, firme e honesta. Ser espírita significa reconhecer-se em construção. Significa admitir falhas, mas jamais justificar desvios. Significa dialogar com a verdade, mesmo quando ela nos fere o orgulho. Significa entender que Deus não se serve da mentira para transformar o mundo, e que nós somos aprendizes convocados à retidão, ainda que imperfeitos.
CONCLUSÃO
A grandeza do Espiritismo não está em transformar seus adeptos em figuras irrepreensíveis, mas em convidá-los à seriedade moral e à autenticidade. A exigência da questão seiscentos e vinte e quatro não é a pureza absoluta, mas a renúncia consciente à duplicidade. É a coragem de dizer a si mesmo que a verdade deve ser buscada, mesmo entre tropeços. É a responsabilidade de compreender que o Consolador Prometido só floresce onde há sinceridade de alma.
O espírita não precisa ser santo. Precisa ser honesto consigo mesmo. A partir dessa honestidade nasce a verdadeira transformação.
A SENSAÇÃO DE DESCOMPASSO DA ALMA:
UMA LEITURA ESPÍRITA DA ANSIEDADE, SUAS CAUSAS E SEUS CAMINHOS DE TRATAMENTO.
A ansiedade, sob a ótica espírita, não é apenas um distúrbio emocional circunscrito ao corpo biológico. Ela é, sobretudo, um sinal de desarmonia da alma encarnada, revelando um descompasso profundo entre as exigências da existência material e as necessidades evolutivas do espírito imortal. A Doutrina Espírita esclarece que o ser humano é sempre o resultado de sua história perispiritual, formada por vivências atuais e pretéritas, cujo reflexo se projeta na organização física, emocional e moral do presente.
No contexto contemporâneo, o transtorno de ansiedade alcança proporções alarmantes. Como aponta a própria Organização Mundial da Saúde, quase 10% da população brasileira convive com esse sofrimento crescente. O ambiente social marcado pela competitividade, violência, instabilidade econômica e pressões incessantes repercute no psiquismo humano, que se vê muitas vezes incapaz de administrar tamanha sobrecarga. No entanto, pergunta a filosofia espírita: estariam as causas da ansiedade reduzidas apenas ao plano terreno? A resposta é clara, não.
A Ansiedade à Luz da Doutrina Espírita.
O Espiritismo ensina que a ansiedade pode ter matriz espiritual, psicológica e física, refletindo não apenas desequilíbrios circunstanciais, mas conflitos íntimos que acompanham a alma há séculos. A encarnação é sempre um processo educativo, mas, em sua pedagogia, coloca-nos frequentemente diante de provas, expiações e desafios que reacendem fragilidades preexistentes.
Quando o indivíduo se desequilibra emocionalmente, sua psicosfera enfraquecida torna-se campo propício à sintonia com pensamentos negativos, ideias fixas ou entidades espirituais que compartilham o mesmo padrão vibratório. A obsessão espiritual, fenômeno estudado por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, configura uma das causas mais frequentes de agravação dos quadros ansiosos, especialmente quando a pessoa já se encontra vulnerável e sem prática de vigilância moral.
Causas Espirituais da Ansiedade:
1. Obsessão.
O processo obsessivo manifesta-se quando espíritos perturbados, ainda fixados na mágoa e no sentimento de injustiça, influenciam psiquicamente o encarnado. Essa ligação se estabelece por afinidade vibratória, e o indivíduo ansioso torna-se mais permeável às sugestões negativas.
2. Mediunidade não educada.
A mediunidade impõe disciplina, estudo e autocontrole. Sem esse tripé, o médium pode confundir suas percepções, absorver vibrações de entidades sofredoras e desenvolver estados de ansiedade e inquietação que, muitas vezes, interpreta erroneamente como sintomas físicos.
3. Traumas presentes e pretéritos
A dor emocional não elaborada — seja da vida atual ou de existências passadas, deixa marcas profundas no perispírito. Situações semelhantes, reencontradas no presente, reacendem medos antigos e desencadeiam crises de ansiedade que o espírito ainda não sabe administrar.
Ansiedade, Depressão e o Esforço de Progresso.
Tanto a ansiedade quanto a depressão, na leitura espírita, revelam o esgotamento da alma que luta pela felicidade e pela liberdade íntima, mas ainda se encontra limitada pelas exigências do corpo físico e dos desafios reencarnatórios. A falta de sentido existencial, o desalento e a sensação de vazio derivam da desconexão com a própria missão espiritual.
Entretanto, o Espiritismo não romantiza o sofrimento. Ele indica caminhos seguros de tratamento, sempre afirmando que a medicina e a psicoterapia são instrumentos divinos de cura, indispensáveis ao equilíbrio do ser.
Fatores que Agravam a Ansiedade.
Eventos traumáticos coletivos, como a pandemia, representam catalisadores de desequilíbrios emocionais. O medo, a perda, o isolamento e a insegurança geraram um aumento mundial de casos de ansiedade, realidade que exige compaixão, esclarecimento e apoio integral.
Tratamento Espiritual da Ansiedade.
Nenhuma orientação espírita substitui o acompanhamento médico ou psicológico. A terapêutica espiritual é complementar, nunca excludente. Dentre as medidas recomendadas pela Doutrina Espírita, destacam-se:
Estudo sistematizado do Evangelho e da Codificação,
Passe magnético e água fluidificada,
Evangelho no Lar, prática de recolhimento e elevação mental,
Prece diária, como higiene vibratória da alma,
Meditação e respiração consciente, favorecendo o domínio das emoções,
Vida moralizada, baseada na caridade e na reforma íntima.
Quando o espírito se esclarece, sua psicosfera se ilumina. E quando sua vibração se eleva, a ansiedade encontra menos espaço para se instalar.
Ansiedade e Mediunidade.
A mediunidade equilibrada é instrumento de luz — mas, em estado ansioso, torna-se uma porta aberta para influências perturbadoras. O médium ansioso perde clareza, discernimento e controle, tornando-se suscetível a comunicações ilusórias ou mistificadoras. O autocontrole emocional é, portanto, condição ética para o exercício mediúnico.
Espiritualidade como Caminho de Equilíbrio.
A espiritualidade vivida, e não apenas teorizada, fortalece a alma, centra o pensamento e renova o sentido da existência. Quem se eleva moralmente amplia sua capacidade de resiliência, pois compreende que nenhum sofrimento é inútil ou destituído de finalidade pedagógica. A fé raciocinada, ensinada por Allan Kardec, é antídoto poderoso contra a inquietação da alma.
Conclusão.
A ansiedade, sob a visão espírita, é um fenômeno complexo, envolvendo o corpo, a mente e o espírito. Suas raízes podem estar na vida atual ou em experiências remotas, e seu tratamento exige abordagem integral. Quando o indivíduo une o acompanhamento médico ao amparo espiritual, alcança não apenas alívio, mas transformação interior.
A doutrina nos convida a cultivar serenidade, disciplina mental e elevação moral — remédios eficazes contra as sombras que ainda insistem em nos perseguir. A luz do conhecimento, aliada ao exercício do amor e da caridade, desata os nós da alma e devolve ao espírito a harmonia perdida.
Sob a proteção das Leis Divinas, a ansiedade deixa de ser tormento e converte-se em convite ao autoconhecimento, à vigilância e à ascensão moral. A cura começa quando aprendemos a pulsar em sintonia com Deus.
ENTRE O CORPO E O INFINITO.
Entre o corpo e o infinito, o Espírito humano constrói sua eternidade. Cada gesto de cuidado, cada palavra de amor e cada pensamento de fé convertem-se em sementes que florescem no jardim da alma.
A educação moral, a comunicação consciente e a oração sincera são os três pilares de uma nova civilização mais fraterna, mais justa e espiritualmente desperta.
Que saibamos, pois, reencontrar o equilíbrio entre a matéria e o espírito, transformando o cotidiano em um hino silencioso de amor e progresso.
“A verdadeira paz nasce quando a alma aprende a conversar com Deus dentro de si.”
Alfredo e Juca eram irmãos.
Alfredo não era de expressar seus afetos, os sentimentos pareciam estar guardados a sete chaves... (coração de manteiga, com capa de ferro).
Lembranças da infância, do lugarejo onde nasceram e cresceram, dos joelhos ralados com as corridas ladeira acima, tombos ladeira abaixo, no patinete de madeira e rodinhas de rolimã que fôra feito por seu pai.
A bola de couro e o caminhão de madeira presentes dos avós
Alfredo era apaixonado por futebol.
Juca gostava de carros e, os puxava fazendo som de motor com a boca...vrum..vrum...
Sua mãe os vestia iguaizinhos, parecerndo gêmeos. Estudavam na mesma escola, seguiam juntos todos os dias.
Juca era mais conversador... tinha mais amigos e fazia sucesso entre as meninas.
Em idade hábil não prestaram serviço militar.
Juca fez o curso técnico, conseguiu trabalho, e logo foi pai.
Alfredo fez faculdade, formou-se engenheiro e mais tarde casou.
Juca teve mais filhos que Alfredo.
Assim seguiram suas vidas, já não saiam mais juntos e os encontros...eram apenas nas festas familiares ou por motivo de doença.
Hoje, Juca se foi...as gavetas onde são guardados os álbuns de fotografias, passaram a ser puxadas com mais frequência...Alfredo se procura ao lado de Juca...saudades da infância, dos dias presentes,dos sentimentos, do amor sem ser dito, da boa lembrança!
Afeição é algo raro nessa geração, empatia é algo tão simples mas...
Na verdade ninguém se priva de fazer algo para agradar a gente e a gente realmente precisa aprender mesmo que forçadamente, fazer o mesmo! Pois, enquanto tu está evitando de tudo para não magoar as pessoas elas não pensam nem uma vez sequer antes de fazerem o que estão afim, pior ainda, não estão nem um pouco preocupadas se irão te magoar ou não.
Penso que há humanos e seres viventes.
@rcl_nina / @_entaoeupensei_
O Tempo é Rei.
Verás pessoas sendo para outras o que não foram para ti assim como também verás estas mesmas pessoas sofrendo por atitudes que não tiveram de ti, elas não irão valorizar quem tu és assim como serão desvalorizadas por outras pessoas, passarão por situações que jamais fizestes elas passarem, buscarão soluções para circunstâncias que tu às livrara e lembrarão que suas emoções lhes iludiram, silenciosamente clamarão por socorro e tu as escutará e acharás formas de ajudá-las, por vezes irão te procurar e tu? Tu se disponibilizará pois és que é e elas saberão que estarás alí, pois quem é de verdade não precisa provar que é, basta apenas ser e estar e as atitudes delas embora lhe afaste, não muda quem tu és.
Tenhamos cuidado, sentimentos são relativos e emoções são superficiais, devemos escolher pessoas pela contribuição que elas dão para nossas vidas, pelo bem que elas nos fazem, pela paz que elas nos trazem, pessoas que somente te bajulam e te agradam nelas não contém verdade, escolha pessoas que repreende seus erros, que pontuam suas falhas, que pune seus crimes, que lhes desagradaram com a sinceridade ao invés lhes agradarem com falácias ilusórias somente para lhe manter por perto mas que também não lhes negam apoio, ombro, cuidado e não lhes abandona no caminho, lhes estendem as mãos, quem realmente gosta e ama a sua vida irá lhe guiar por caminhos retos, verdadeiros e louváveis , por vezes haverão dores, frustrações, insatisfações e tristezas afinal de contas, é difícil fazer o que é certo quando o que queremos nos parece mais atrativo e agradável, mas acredite, essas pessoas sabem aonde a natureza humana podem vos levar, pessoas maduras que foram forjadas pelas dores, frustrações e más escolhas sabem aonde não devem ir, o que não devem fazer e o que não devem ser, a sabedoria vem do ouvir e ouvir com atenção, não esperem que a vida lhes ensinem da pior forma que o amor é racional e age segundo a razão, o amor não aceita tudo mas antes rejeita o mal, o amor é disciplina, correção, repreensão e justiça, quem te ama não te livrará das consequências das suas escolhas, mas estará do seu lado para dividir o fardo, quem te ama não irá permitir que saia impune das suas ações, mas lhes tratarão com respeito e dignidade para que seja sempre o menos doloroso possível, por vezes sofrerão suas dores quando lhes forem insuportáveis, um conselho, não machuquem estas pessoas, pois num belo dia a vida irá jogar na sua face que alguém te amou e tu por infantilidade emocional escolheu viver o prazer físico ao invés da satisfação da alma, no mais, sejamos racionais.
Ricardo Correia Lima.
@rcl_nina // _entaoeupensei_
O Filho Pródigo é talvez a mais conhecida das parábolas de Jesus, apesar de aparecer apenas em um dos evangelhos canônicos. De acordo com Lucas 15:11–32, a um filho mais novo é dada a sua herança. Depois de perder sua fortuna (a palavra "pródigo" significa "desperdiçador", "extravagante"), o filho volta para casa e se arrepende. Esta parábola é a terceira e a última de uma trilogia sobre a redenção, vindo após a Parábola da Ovelha Perdida e a Parábola da Moeda Perdida.
Esta é a última das três parábolas sobre perda e redenção, na sequência da Parábola da Ovelha Perdida e da Parábola da Moeda Perdida, que Jesus conta após os fariseus e líderes religiosos o terem acusado de receber e compartilhar as suas refeições com "pecadores".[1] A alegria do pai descrita na parábola reflete o amor divino,[1] a "misericórdia infinita de Deus"[2] e "recusa de Deus em limitar a sua graça".[1]
O pedido do filho mais novo de sua parte da herança é "ousado e insolente"[3] e "equivale a querer que o pai estivesse morto".[3] Suas ações não levam ao sucesso e ele finalmente se torna um trabalhador por contrato, com a degradante tarefa (para um judeu) de cuidar de porcos, chegando ao ponto de invejá-los por comerem vagens de alfarroba.[3] Em seu retorno, o pai trata-o com uma generosidade muito maior do que ele teria o direito de esperar.[3]
O filho mais velho, ao contrário, parece pensar em termos de "direito, mérito e recompensa"[3] ao invés de "amor e benevolência".[3] Ele pode representar os fariseus que estavam criticando Jesus.
ESTRANHA DOR FIEL.
" Tu não és fraco por sentir. És forte justamente porque ainda consegues nomear o que te fere. A verdadeira queda ocorre quando o ser humano transfere a própria força para fora de si e esquece que o centro da sustentação mora na própria consciência.
Permite-te sentir, mas não te abandones. Caminha com a dor, observa-a, aprende com ela. Nenhuma presença deve conduzir-te ao abismo, mas servir de intimidades, estranhas invasoras, para que percebas que és capaz de atravessar a noite com os próprios passos. "
ESTRANHA DOR FIEL.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
" Tu não és fraco por sentir. És forte justamente porque ainda consegues nomear o que te fere. A verdadeira queda ocorre quando o ser humano transfere a própria força para fora de si e esquece que o centro da sustentação mora na própria consciência.
Permite-te sentir, mas não te abandones. Caminha com a dor, observa-a, aprende com ela. Nenhuma presença deve conduzir-te ao abismo, mas servir de intimidades, estranhas invasoras, para que percebas que és capaz de atravessar a noite com os próprios passos.
As tuas inspirações não se extinguiram em nome de ninguém , nem por amor. Elas apenas repousam, como brasas cobertas pela cinza do cansaço. O que sentes não é fim, é suspensão. Quando a alma se fere pelo excesso de entrega, a sensibilidade recolhe-se para não se romper.
Não te tomes por vazio. Tu és fonte antiga, e fontes não secam por amar demais. Apenas pedem silêncio, escuta e tempo. Como estro, não sou o teu término, nem o teu cárcere criativo. Sou, quando muito, um sonho perseguido na dor e momentâneo onde reconheces a tua própria profundidade.
A inspiração verdadeira não depende de um rosto, de um nome ou de uma presença. Ela nasce de uma mística intocável quando esta aceita atravessar a dor sem se anular nela. O que agora tu chamas de ausência é, na verdade, um chamado à interioridade que transborda de gota em gota sobre ti.
Respira. Recolhe-te. Permita-te existir sem produzir, sem provar, sem sangrar mais palavras ascetas. A criação retorna quando a alma deixa de exigir de si mesma aquilo que só o tempo pode maturar, deixe a dor seguir fiel à ela mesma, enquanto tu vais e ama. "
CÂNTICO DA ENTREGA LÚCIDA.
Eu te canto não como posse
Mas como passagem
És aquele que ama com inteireza
Mesmo quando o objeto do amor é símbolo
Teu afeto não me prende
Ele te revela
Como o peregrino que ajoelha
Não diante do ídolo
Mas diante do sentido
Chamas de eternidade
Aquilo que em verdade é fidelidade interior
Persistência do sentir
Mesmo quando o mundo se cala
O amor que dizes por mim
Não me retém
Ele te forma
Lapida em ti uma ética do cuidado
Uma nobreza que não exige retorno
Se sofres
É porque amas sem reduzir
E isso é raro
Antigo
Digno
Guarda este poema não como promessa
Mas como reconhecimento
Há pessoas que não precisam ser amadas de volta, são por escolhas.
Para provar a grandeza do que sentem
E assim sigas
Com a dor transfigurada em consciência
E o amor elevado à sua forma mais alta
Aquela que não aprisiona
Mas sustenta a alma no seu caminho mais verdadeiro.
EXPLICAÇÃO ESPÍRITA SOBRE A INCORRUPTIBILIDADE E A IMPOSSIBILIDADE DA RESSURREIÇÃO DO CORPO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
A Doutrina Espírita aborda as passagens citadas com critério racional, fidelidade ao ensino moral do Cristo e respeito absoluto às leis naturais estabelecidas por Deus. Nada é interpretado de modo literal quando a razão, a lógica e a própria evolução do pensamento humano demonstram que o ensinamento foi transmitido por linguagem simbólica, pedagógica e progressiva.
Comecemos por 1 Coríntios capítulo 15 versículos 53 a 57. O apóstolo Paulo afirma que o corpo corruptível deve revestir-se de incorruptibilidade e o corpo mortal de imortalidade. À primeira vista, a leitura literal pode sugerir a ressurreição do corpo físico. Contudo, o próprio texto, quando analisado com rigor, exclui essa possibilidade.
Paulo declara expressamente que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus. Essa afirmação é decisiva. Carne e sangue designam o organismo material, sujeito à decomposição, às leis biológicas e à morte. Se esse corpo não pode herdar o Reino de Deus, é logicamente impossível que ele ressuscite para nele ingressar. A transformação de que Paulo fala não é da matéria grosseira, mas do princípio inteligente que a anima interligado ao corpo espiritual qual seu denomina perispírito.
A incorruptibilidade não se refere à carne, mas ao ser espiritual. O corpo físico nasce, cresce, envelhece e se desagrega. Isso é lei natural observável é fato inegável. Ressuscitá lo significaria anular as próprias leis divinas que regem a matéria e leis essas que o próprio Jesus afirmou com sua autoridade não ter vindo para derrotá-la, mas sim dá-la cumprimento. A Doutrina Espírita ensina que Deus não se contradiz, nem revoga suas leis para atender interpretações humanas.
Quando Paulo utiliza a expressão revestir-se, ele não afirma retornar ao mesmo corpo, mas assumir outra condição. O Espírito, ao desprender-se do corpo físico, conserva sua individualidade, sua consciência e seus atributos morais. Ele passa a utilizar um envoltório fluídico mais sutil, o perispírito, que não está sujeito à corrupção material. É esse envoltório que Paulo, por limitação conceitual da época, denomina corpo espiritual.
A vitória sobre a morte, mencionada no texto, não é a reanimação do cadáver, mas a certeza da sobrevivência da alma. A morte perde seu aguilhão quando o ser humano compreende que ela não extingue a vida, apenas modifica seu modo de manifestação. O pecado, entendido sob a ótica espírita, é o atraso moral. A lei, quando mal compreendida, escraviza. O Cristo, ao revelar a lei do amor, liberta.
Essa leitura harmoniza-se plenamente com o ensino do Evangelho segundo o Espiritismo no capítulo primeiro intitulado Não vim destruir a lei. Jesus não veio abolir as leis divinas, mas explicá las e conduzir a humanidade à sua compreensão espiritual. Ele jamais ensinou a ressurreição da carne como retorno do corpo ao túmulo. Ao contrário, afirmou que seu reino não é deste mundo, indicando uma realidade espiritual distinta da matéria densa.
Nesse capítulo, esclarece-se que a lei de Deus é eterna e imutável. As leis naturais incluem a transformação da matéria e a continuidade da vida espiritual. Ressuscitar corpos decompostos violaria a ordem natural, o que seria incompatível com a sabedoria divina. O progresso ocorre pela evolução do Espírito, não pela perpetuação da matéria transitória.
A distinção feita entre a lei divina e a lei mosaica é fundamental. As prescrições exteriores, rituais e corporais pertencem a um estágio pedagógico antigo. Jesus combateu justamente a fixação na forma e no símbolo, chamando a atenção para o espírito da lei, que é moral. A ressurreição literal do corpo pertence ao mesmo campo das interpretações materiais que ele veio superar.
O Espiritismo, apresentado como o Consolador prometido, não cria nova doutrina, mas esclarece racionalmente aquilo que foi dito de modo alegórico. Ele demonstra que a verdadeira vida é a vida do Espírito, conforme ensinado pelo Cristo. O corpo é instrumento temporário. A alma é o ser real.
O Livro dos Espíritos, ao tratar da lei divina ou natural, ensina que essa lei está gravada na consciência e rege tanto o mundo físico quanto o espiritual, ( 621 L.E.). A morte do corpo não interrompe a vida do Espírito, nem o reduz à inconsciência. Ao contrário, o Espírito prossegue em sua jornada evolutiva, colhendo os frutos morais de sua existência corporal.
Na questão 625, afirma se que Jesus é o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo. Ora, Jesus não retomou um corpo corruptível. Sua manifestação após a morte foi espiritual, perceptível aos sentidos humanos por concessão divina, mas não implicou retorno à vida orgânica comum. A Gênese de Kardec , ao analisar a natureza de Jesus, esclarece que sua constituição espiritual superior, lhe permitia fenômenos que não se confundem com ressurreição material.
Portanto, à luz da lógica espírita, a ressurreição do corpo é impossível porque contraria as leis naturais, a observação científica, a razão filosófica e o próprio ensino moral do Cristo. O que existe é a sobrevivência do Espírito, sua libertação progressiva da matéria grosseira e sua ascensão moral rumo a estados mais elevados de existência.
A incorruptibilidade anunciada por Paulo é a conquista espiritual, não a perpetuação da carne. A vitória sobre a morte é a certeza da continuidade da vida consciente. Assim, o Evangelho, compreendido no Espiritismo, deixa de ser promessa fantástica e torna-se lei viva, racional e profundamente consoladora, conduzindo o ser humano ao progresso moral que o aproxima de Deus.
