Caráter
Eu mudei há muito tempo.
Não por ser um mau-caráter, nem por ser um tolo distraído.
Mudei porque não aceito mais caminhar lado a lado com o caretismo que me acompanhava nas vilas da vida.
Não faço questão alguma de voltar ao que eu era antes.
Acordei a tempo de me proteger da tempestade,
de erguer minha própria fortaleza,
de entender que a mudança não foi fraqueza,
foi coragem.
Hoje sigo firme, sem olhar para trás.
Quem quiser caminhar comigo, que venha com verdade.
Quem não quiser, que fique preso às suas próprias sombras.
Eu sigo livre. Eu sigo desperto sem ninguém pra me atrapalhar.
A última etapa para alcançar a sabedoria verdadeira é o teste de caráter, a saber a prova da humildade em tempo tempestuso, e o domínio próprio em situações de cruéis injustiças, é onde o trigo pisado vira farinha e o joio vira veneno mortal.
A religião não provou, não prova e não provará o caráter de alguém. O que prova o caráter são as ações.
O caráter é a característica que alavanca seu potencial; mude quando for preciso, mas não se cobre tanto. Acima de tudo, se vista de amor.
A tristeza definitivamente não é para fracos. Apenas pessoas de caráter são verdadeiramente capazes de fazer dela um degrau importante de sua vida.
O verdadeiro caráter de uma pessoa se revela na maneira como ela celebra os sucessos alheios e acolhe a gratidão, mostrando a generosidade e a humildade que habitam em seu coração.
"Palavras convencem, mas o exemplo arrasta. Que o seu caráter grite tão alto que as pessoas não precisem perguntar no que você crê."
-Dr. Diogo Sena
A prece que desmascara
Na maioria das vezes, eu não peço bens.
Peço caráter.
Peço temperança.
Peço que meu coração seja tocado — e que isso me tire do lugar.
Porque oração que não move o corpo é apenas som bonito.
Ser melhor para si mesmo não é se poupar, é se corrigir.
É parar de se tratar como vítima eterna e assumir responsabilidade pelo próprio impacto no mundo.
Ser melhor para os outros, então, é sair da zona confortável da opinião e entrar no território do gesto.
Ser melhor é descer do carro quando ninguém desce.
É atravessar a rua quando todos desviam o olhar.
É carregar peso que não é seu só porque alguém não aguenta mais.
É ajudar quem está parado numa sinaleira,
quem não enxerga o caminho,
quem envelheceu carregando sacolas demais,
quem tem fome agora — não no discurso.
Não, isso não muda o mundo sozinho.
Mas quem usa isso como desculpa para não fazer nada
já decidiu ser parte do problema.
Eu não sinto prazer em ser ajudado.
Sinto em ajudar.
Porque ajudar revela quem você é quando não há plateia.
É sair de casa de madrugada por um amigo numa estrada perigosa.
É colocar o vizinho doente no carro sem perguntar o que vai ganhar.
É entender que bondade não é moeda de troca nem estratégia de imagem.
Por isso, se você vive para si, algo deu errado.
Se prega bondade em rede social, mas não se move quando ela custa tempo, conforto ou risco,
uma das suas missões está errada.
O mundo não precisa de mais gente opinando sobre o bem.
Precisa de gente praticando.
No fim, minha oração não pede que Deus me dê mais coisas.
Ela pede que Ele me tire desculpas.
Que me faça menos discurso e mais atitude.
Porque passar pela vida sem aliviar o peso de ninguém
não é neutralidade.
É omissão.
E essa, sim, é uma escolha.
PRECONCEITO... é a prova de um incomum caráter, é a demonstração explícita da maldade, a falta de luz na alma,
falta de amor no coração, é a prova da ignorância e da desinteligência.
Flávia Abib
