Cada um tem de Mim Exatamente o que Cativou e
Eu sobrevivi a mim mesmo nos meus dias mais sombrios, e isso é uma vitória invisível que nenhum aplauso seria capaz de traduzir.
Dentro de mim ainda vive aquele menino ferido, mas hoje eu o abraço, porque finalmente aprendi que ele também merece amor.
Carrego em mim a estranha mutação que nasceu no instante em que percebi que, mesmo em ruínas, ainda havia algo que se recusava a ceder, um pulso teimoso, quase indomável, insistindo em existir contra o próprio vazio.
A vida não me moldou com cuidado, ela me atravessou até que eu descobrisse o que em mim era inquebrável.
Eu não fui salvo, fui atravessado pela ruína até que algo em mim deixasse de ceder, não intacto, não ileso… mas irrepetível na queda e, por isso, cada vez mais difícil de ser destruído.
Carrego em mim versões que não resistiram ao tempo. São fragmentos de quem eu fui e precisei abandonar para seguir adiante. Às vezes sinto falta até das dores antigas. Elas, ao menos, eram conhecidas, este vazio novo ainda me nomeia.
Existe uma parte de mim que continua acreditando. Mesmo quando tudo ao redor desmente qualquer esperança. É ela que me mantém de pé quando o resto já vacila. É ela que me empurra adiante. E, por vezes, essa pequena chama vale mais do que qualquer certeza.
Há dias em que eu não quero ser forte. Quero apenas descansar de mim mesmo. Mas a vida não oferece pausa para a alma cansada. Então sigo, mesmo exausto, porque desistir nunca foi uma possibilidade que o destino me permitiu.
Há palavras que nunca saíram de mim. Não por falta de desejo, mas porque pressenti que o mundo não saberia recebê-las. Então elas ficaram aqui, acumulando peso e silêncio. E o que não se diz, com o tempo, também fere.
Há noites em que sinto a alma caminhar por corredores invisíveis dentro de mim, como se Deus permitisse que certas dores permanecessem apenas para que eu jamais esquecesse a profundidade daquilo que sobrevivi.
Há em mim uma melancolia antiga, quase litúrgica, como se minha alma carregasse memórias de tempestades que minha própria consciência já não consegue nomear.
O que me fere não é apenas perder, mas descobrir que parte de mim já havia se despedido antes de eu perceber.
A solidão é a sala onde o mundo tira a máscara e me obriga a descobrir se existe alguém em mim além da voz que os outros ouviram.
Quando olho o infinito que existe em você… lembro que o infinito também mora em mim.
Sua alma toca a minha de um jeito que o mundo não consegue explicar.
Ela cura sem prometer.
Abraça sem prender.
Transborda sem pedir nada em troca.
Talvez porque sejamos feitos da mesma essência…
Folhas da mesma árvore.
Raízes da mesma vida.
Pó da mesma criação.
E, diante dessa conexão, meu coração apenas sussurra: amém.
Porque reconhecer você em mim…
é, finalmente, reconhecer a mim mesma em você.
No fim, talvez o amor mais verdadeiro seja aquele que desperta a consciência de que nunca estivemos separados.
La vie presque en rose!
Está tudo tão diferente...
Às vezes sinto saudade de mim, de quem eu era. O problema é que não me lembro mais de como eu era! Tão pouco tempo, e tantas mudanças! Não sei onde me perdi, também não sei se me encontrei! Sequer sei se foi melhor ou pior. Quando tiver essa resposta, digo-vos...
Se algum dia eu a tiver...
Mas, sabe de uma coisa?
Está tudo tão diferente...
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