S. inácio
A idade não deve influir em seus atos, e sim a bondade do seu ser, ame sem limites entregue-se a gentileza, critique menos, ensine mais e seus dias serão leves!
Marinete Inocencio
-
Onde os homens estiverem proibidos de honrarem um rei, hão de honrar milionários, atletas ou estrelas de cinema; até famosas meretrizes e bandidos. Porque a natureza do espírito, como a natureza do corpo, servir-se-á; neguem-lhe comida e beberá veneno.
Não somos donos do coração alheio. Mas somos responsáveis pelas marcas que deixamos nele.
Responsabilidade afetiva é não brincar com fogo em terreno de sentimentos. É não acender esperanças que não pretendemos sustentar. É não alimentar ilusões que sabemos frágeis demais para sobreviver.
Não é culpa. Não é prisão. Não é obrigação de corresponder. É consciência.
O outro pode distorcer. Pode se sabotar. Pode vestir o vitimismo como armadura. Mas isso não nos torna culpados. Nos torna apenas testemunhas da escolha dele.
Responsabilidade afetiva é clareza. É dizer “não” sem crueldade. É dizer “sim” sem manipulação. É dizer “eu não posso” sem medo.
Não carregamos o peso das narrativas inventadas. Não somos responsáveis pelos abismos que o outro cava para si. Somos responsáveis apenas por não empurrá-lo lá dentro.
Amar é liberdade. Relacionar-se é pacto. E responsabilidade afetiva é o fio invisível que sustenta esse pacto.
Ela termina onde começa a escolha do outro. Ela se dissolve quando a verdade é distorcida. Ela se mantém viva apenas na honestidade.
Porque no fim, responsabilidade afetiva é isso: um compromisso silencioso de não ferir além do inevitável, de não causar tempestades desnecessárias, de não transformar o encontro em campo de batalha.
É poesia feita de respeito. É ética feita de cuidado. É amor feito de verdade.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Oração à Água
Água, que corre sem pedir licença. Água, que leva embora o peso do dia. Água, que dissolve o cansaço e devolve o silêncio.
Que tu tragas leveza. Que tu tragas paz. Que tu tragas o descanso que o corpo implora.
Que cada gota seja alívio. Que cada corrente seja abraço. Que cada onda seja promessa de recomeço.
Água que não guarda rancor. Água que não prende, que não exige. Água que apenas flui, e ao fluir ensina: tudo passa, tudo se renova, tudo se transforma.
Que eu possa repousar em ti, como rio que encontra o mar. Que eu possa me entregar ao teu fluxo, sem medo, sem resistência, sem dor.
Água, lava-me. Água, acalma-me. Água, embala-me.
E no fim do dia, quando o sol se despede e a noite se abre, que tu sejas meu refúgio, meu descanso, minha paz.
É no confronto com a dificuldade que sou convocado à serenidade e o estoicismo se revela como prática.
Tão doce toda via é tocar-te, é sentir o frescor e o arrepio de tua pele ao encontro de nossas almas numa entrega sem pudores!
Entrega-te a mim porque sabes o que sou... Levo-te do medo ao prazer, flertando o desejo a dor, os enigmas que trilhas ao amor.
Senhor do teu ser, senhor da tua alma...
Dono da tua carne, dono do teu íntimo, sacana e mais profano desejo...
Empatia
não se vê hoje em dia,
mesmo que tudo se finda,
Trocar-se-á por apatia.
O futuro nebuloso já predizia,
não se sabe ao certo ainda,
mas esta escasso a empatia.
Não há formula produzida,
nem empatia pela própria vida.
O completar de que falo não é porque algo nos falte, nem porque haja uma peça ausente no quebra-cabeça. O completar de que falo é sobre pele, sobre encaixe, sobre dividir — e jamais subtrair. É encaixe na alma do outro; é dividir risos, os dias, as manhãs, as semanas e os fins de tarde… é dividir a Vida!
