Dia Nacional do teatro

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Noite fria, claro dia
lembranças de momentos tão distantes
cujas lembrança trazem
qualquer sentimento
exceto alegria
recordando a primavera
de uma existência
mergulhada em agonia
Aonde estão as caravanas de ciganos?
violinistas,flautistas
trapaceiros...vigaristas
Amigas amadas
com seus sorrisos de fadas
que eu via de manhã, quando acordava
que me sorriam, e como névoa
dissipavam
deixando seus sorrisos
e uma alegria que ficava no meu dia
Laranjeiras no quintal
insetos voando lentamente
Feitiço de bruxa
que só de maldade
traz e tira isso da gente
hoje não há mais fadas
e são maldosos os olhares
que outrora faziam sorrir
e não há boca pra dizer nada feliz
não há mais grama no quintal
e nem vontade de dançar na chuva
já não tenho mais ciência
do que haverá
depois da curva
o tempo passa
a vista turva
a luz que a vista ilumina
não mostra aonde
e muito menos quando
a estrada termina
o espelho não mostra um atalho
lá eu olho e vejo
apenas e tão somente
um sorriso de espantalho.

Inserida por edsonricardopaiva

Um dia
A vida vira uma miragem
Que a gente mira e não atinge
O tempo inexistia
Enquanto a vida passava
É quando a gente pára e olha
Que vai se dar conta
Que eles passaram de mãos dadas
E eles já vão ao longe
Quando a gente finalmente tem certeza
Que a vida e o tempo co-existem
Meu Deus
Que conclusão mais triste!

Inserida por edsonricardopaiva

O mais belo poema do dia
Nem sempre é aquele que lembra
Que a vida é um problema sem solução
Pois a vida não o é
Porém, muitos poemas que o dizem
São
A mais bela poesia
Nem sempre é aquela que agradece
O nascer de mais um dia
A vida merece que agradeçamos
Por cada momento que se vive
O dia é feito de momentos
Nem sempre há poesia
O mais bonito pensamento já escrito
Nem sempre aponta a solução
Alguns deles romantizam belamente
E apontam as folhas ao vento
Belíssimos de se ler
Quando quem as vai varrer
Não é a gente
O mais belo aforismo
Soneto, sextilha ou canção
Às vezes é aquele que diz
De forma simples e direta
Mesmo que para isso
Use palavras desconhecidas
Mas, mesmo assim, no fim
Todo mundo compreende
Que tudo aquilo que não ensina o amor
Com a dor a gente aprende.

Inserida por edsonricardopaiva

Na paz de mais um dia
Que eu vejo amanhecer assim; sereno
Olho pra Terra, olho pro Céu
Imagino a imensidão deste infinito
Impossível calcular
A vastidão deste Universo, tão bonito
Difícil crêr
Que este Sol tão imponente já nem brilha
Num espaço relativamente curto
Que eu perceberia
Se pudesse seguir esta trilha
Olho pra Terra, olho pro Sol
Instintivamente me sinto
Parte integrante de Algo muito maior
Sou parte do Todo que existe
Daquilo que vejo e que não vejo
Acontece e aconteceu
Disto tudo fazemos parte
Você e eu
Aquele que partiu
e o que ainda não nasceu
De alguma forma estivemos
e estaremos sempre
Tanto lá quanto aqui
Na paz de mais um dia
Dia que há de passar
Pois tudo passa
Hoje o Sol brilha no Céu
Sua Luz me abraça
Eu também haverei de passar
Como passam os dias
Mas outros dias virão
Outras pessoas também
As coisas vem e vão passando
Passaremos eu e o dia
Pra sermos ainda lembrados
Vez em quando
Tudo que existe aqui
haverá de existir mais além
deixo às crianças do futuro
Um "bom dia!", um abraço e um "Amém"

Inserida por edsonricardopaiva

"O Verdadeiro amor não te faz só cumprir as promessas que um dia fez; faz você sentir-se feliz e realizado por tê-las cumprido, faz sentir medo de não poder continuar cumprindo."

Inserida por edsonricardopaiva

Os pássaros comemoram
cantando o amanhecer
de mais um dia
Mas não é
Em todos os cantos do Mundo
Que existe alegria
Muitas vezes
Junto à chuva que cai
uma lágrima discreta
ali vai, despercebida
Nem sempre é correta a afirmação
Que um sorriso se traduz em alegria
Há almas cujo medo
Conduz em segredo
Por caminhos parecidos
às paisagens existentes
em nossos piores pesadelos
Mas sorriem
Há semblantes alegres
Semelhantes
à simples cartões de visita
E o que mais me irrita
É que há pessoas
Que tem todos os motivos pra sorrir
e choram
Outros dias há de vir
Os Sóis se vão
As estrelas também não se demoram
Olhai os Lírios do Campo
Sejais pois
Iguais aos pássaros
Que despreocupadamente comemoram.

Inserida por edsonricardopaiva

Anos atrás eu escrevia
Minha poesia rupestre
Escondida à luz do dia
Inexistia um guia
Não carecia de mestres
E também não havia
Erros mortais
A queimar em alguma pira
Como em qualquer
Livro que eu já tenha visto
Um misto de verdade e invenção
Me adentrou o coração
Um ser que tocava lira
E encomendou-me um poema
Que tivesse o amor como tema
E eu fui atender a tal pedido
Sem saber
Que o diabo é pai da mentira.

Inserida por edsonricardopaiva

Hoje
Meu coração amanheceu
Tão frio quanto este dia
E não sei
Quanto tempo eu vou viver
Sem saber se novamente
Haverá nele calor
Eu pensava que o amor
A gente levasse com a gente
Não percebi que ele morria
Pois nele eu vivia absorto
Não via que estava morto
E vivia em mim somente
Nem sei se existiu de fato
Ou foi coisa da minha mente
Amor, algo assim, abstrato
Verdadeira mentira
Pura ilusão
Concreta agora
É somente a ira
Que me congela o coração.

Inserida por edsonricardopaiva

O dia e a noite brigaram
Por causa de encontro marcado
Pois um veio antes da hora
E o outro, demais atrasado
Não conversam mais, agora
Quando um chega, o outro se vai
Hoje de manhã
Por um instante se olharam
Mas cada qual hoje tem compromisso
Nada mais os pode unir
O dia casou-se com a Aurora
E a noite namora o Ocaso
Eu, órfão da Madrugada
Vejo tudo e sinto dó
Que me dói no coração
Quando um vem despontando
O outro partiu pro Japão.

Inserida por edsonricardopaiva

Soneto

Um menino está brincando
Solitário no quintal
Todo dia para ele
é sempre igual

Faz brinquedos com as tralhas
Que vai juntando pela vida
Nunca foi primeiro em nada
E nem nunca teve nada de primeira

Nunca teve segredos
Mas guardou no coração o medo
de viver na eterna solidão

Encontrou somente a companhia
Quem lhe atirasse as migalhas
Que houvessem restado ao fim do dia

Inserida por edsonricardopaiva

Aonde foram parar
Onde será que estão
Será que algum dia existiram
Aquilo que a gente pensou
Que pra sempre existiria
Ou será que desde aquele tempo
A gente estava
tão somente
Se iludindo
A vida foi pura e simplesmente
um rio fluindo
Fluiu para um lugar
Onde a ponte ruiu
A ilusão
Para sempre partiu
Nossos sonhos
pra sempre perecem
No fundo do rio.

Inserida por edsonricardopaiva

Todo dia, ao nascer da noite
Me aprumo e desço as escadas
Rumo à escuridão sem rumo
vou me enturmando
com a turma que vive
o avesso da vida
e aqueles que nada tem
procurando me equilibrar
tentando me manter em paz
Após cada tropeço
Que o escuro traz
No começo eu chorava
apesar de ninguém querer saber
agora choro pouco
mas aprendi
Que mesmo poucas as lágrimas
elas ainda me lavam a cara
A escuridão aumenta
e a noite não pára
Mesmo assim o tempo passa
e passando me separa
a cada vez mais
da esperança de um dia
voltar a conhecer
algo que me faça capaz
de ver a luz
toda noite, ao nascer do dia
Este maldito amanhecer
me arrepia
e eu não me acostumo
Me arrumo e subo as escadas
Em pouco tempo
As calçadas estarão lotadas
de gente
com as quais não me enturmo
pessoas que vivem
o lado quente da vida
Aquela amiga desconhecida
que me esqueceu.

Inserida por edsonricardopaiva

Um dia
eu ainda vou conseguir
Viver somente aquele dia
Sem precisar pensar
Nos problemas de amanhã
adquiridos ontem
Vou viver
Somente aquele dia
Igual eu fazia na infância
Eu vou vê-lo amanhecer
e, excepcionalmente
Vou almoçar
Na hora do almoço
Conversar com alguém à mesa
sem raiva, sem discussão
reclamação ou acusações
Apreciar a refeição
e o tempero
de uma comida que eu não fiz
À tarde
Vou caminhar.
ou olhar o Sol
ou lêr um livro
ou dormir
Quem sabe
Eu possa até sorrir
Sem haver necessidade
de explicar
o motivo do sorriso
Meu Deus
Eu pensei
Que a vida toda seria assim
Não foi
Mas o Senhor sabe que eu preciso
viver ao menos um dia
Antes que anoiteça
definitivamente
Em minha vida
E nesse tão acalentado momento
Que nunca chegou
Pois
Por motivo de amor
Eu o deixei cair no esquecimento
O amor não veio
A alegria não veio
esse dia não veio
O tempo prosseguiu
Minha esperança partiu
Eu parei
Aqui no meio.

Inserida por edsonricardopaiva

Hoje eu queria
Apenas um pouco
um pouquinho só
daquela alegria
que um dia
vivemos juntos
Não peço muita
Porém, preciso muito
daquilo que alguém espalha
depois que a gente junta
Mas, juntando a gente vê
Que não fica mais
do mesmo jeito
Aquilo que um dia foi perfeito
de alguma maneira
você se esqueceu de cuidar
Aquilo que hoje pede a Deus
Ele te deu
Mas acho que alguém não quis
Às vezes parece irritante
o ato de ser feliz
Hoje eu queria
Mas penso sinceramente
Que pra gente
não é mais possível.

Inserida por edsonricardopaiva

Nem tudo a gente sabe
aonde é que se inicia
Porém, todo mundo sabe
Que tudo um dia chega ao fim
A vida te dá o que pedires
Pede então, a parte que te cabe
Peça o que houver
Lá no fim do Arco-íris
Pois antes que a vida se acabe
Muita coisa chega ao fim
Simples assim
Termina pra você
Excede também pra mim
Resta apenas a Luz da Lua
Iluminando a nosso casa
Que ficava no fim da rua
Hoje a gente nem mora mais lá
Chegamos ao fim do caminho
Hoje, estou aqui sozinho
Melhor que seja mesmo assim
Enfim, vou-me embora
do mesmo jeito que um dia vim
enfim
Tudo um dia chega ao fim.

Inserida por edsonricardopaiva

No dia em que chegaste, primavera
Trouxeste consigo teus irmãos
Maior fosse tua família
traria juntos pais e irmãs
Amanhã, já ninguém se lembra
Que ontem foi mudança de Estação
As folhas já nem sabem mais
Qual é seu tempo certo de cair
Num mesmo dia vem aqui todos vocês
Não existe mais prevalecência
de um irmão sobre os outros três
Eu fico aqui, coberto de descrença
Sem saber dizer ao certo
Quando era mesmo que floresciam os Ipês
Alguém me disse, quase com certeza
não haver mais a antiga beleza
Que gerava as festas das Mudanças de estação
Pois o ano inteiro parece ser um só Verão
Não há mais chuvas finas
Flores, borboletas, abelhas e pássaros
Garoas não mais existem
Nem frio, nem romantismo
O Humano sinismo
que hoje a tudo envolve
Envolveu também a Natureza
Que hoje
Todo aquele cretinismo nos devolve

Inserida por edsonricardopaiva

Os ponteiros marcam
as horas no terceiro dia
de uma terça-feira qualquer
na verdade
hoje não é dia nenhum
nem acontece nada importante
não há nada
que não tenhamos visto antes
Talvez, se a gente pudesse
aguçar a terceira visão
alçasse, então
O voo tão desejado
rumo ao conhecimento
Que em outros tempos deixamos de lado
por não saber-lhe a importância
a relevância tão acalentada
Que nossa juvenil irreverência
não viu
foi deixada em segundo plano
por anos e anos
Terceirizada
Como se nada fosse
Mas é preciso passar por isso
Pra finalmente compreender
Que esta metafísica jornada
relegada à condição de coisa qualquer
Não é
É algo
Que vai muito além disso
Mas apenas haveremos de enxergá-la assim
Quando firmarmos compromisso
com nós mesmos
Pode ser perto do fim
ou pode ser também agora
enquanto isso
os ponteiros marcam as horas
em uma tarde qualquer

Inserida por edsonricardopaiva

Hoje em dia eu nem sei mais
O que é claro e o que é escuro
Nem sei mais a diferença
Entre o raro e o banal
Hoje eu não mais compreendo
O que é vento e o que é mar
O que é lento ou está parado
O que é fumaça e o que é ar
O que não tem graça
e o que é pra rir
Quem está contra mim
e quem está ao meu lado
Quando eu vou dormir
está de um jeito
Quando eu acordo
Não sei se acho feio ou bonito
deixaram tudo misturado
Não sei se o Mundo anda esquisito
Ou se sou eu
Que ando meio pirado

Inserida por edsonricardopaiva

Hoje em dia eu nem sei mais
O que é claro e o que é escuro
Nem sei mais a diferença
Entre o raro e o banal
Hoje eu não mais compreendo
O que é vento e o que é mar
O que é lento ou está parado
O que é fumaça e o que é ar
O que não tem graça
e o que é pra rir
Quem está contra mim
e quem está ao meu lado
Quando eu vou dormir
está de um jeito
Quando eu acordo
Não sei se acho feio ou bonito
deixaram tudo misturado
Não sei se o Mundo anda esquisito
Ou se sou eu
Que ando meio pirado
Agora mesmo eu estava lendo
Um artigo que dizia
Que aquele problema antigo
Que parecia resolvido
Será recebido de volta
e com festa
E nessa festa haverá música
e serão cantadas
canções sem nenhuma poesia
dizem que a moda agora é esta
Eu olho pros lados
e não sei dizer quem é homem
Parece que o normal
hoje em dia é ver a fome
Como coisa natural
E que os salvadores
na verdade
São aqueles
Que a todos comem
Me disseram que agora a cobra voa
Eu concluo que por mais que eu diga
Estarei falando à toa
Pois hoje o mal é coisa boa

Inserida por edsonricardopaiva

Outro dia, em sonho, entrei na mata
E à beira de uma cascata eu vi sentado
Sem qualquer possibilidade de fuga
Não sei se era tartaruga
Não sei se era Jabuti
Não sei se era Cágado
A única certeza que eu tenho
É que foi numa tarde de sábado
Num galho pertinho dele
Me olhava manso, o Sabiá
Não me canso de lembrar
Que cansado que eu estava
Disse quase resfolegando
Fica tranqüilo meu amigo
Em minha presença não há perigo
Hoje ando quase tão lento
Quanto a Preguiça e quanto a ti
Minha passagem por aqui
é coisa que invento
Pra espantar a solidão
Nem trago no coração
A antiga maldade de outrora
E somente o que peço agora
É um pouco de companhia
E então o bicho respondeu
Pois eu há muito espero este dia
Pois já te vi correr como o vento
E percebi
quando começaste a ficar lento
No meu íntimo,
também conheço os teus intentos
Apesar da aparência de bicho
Sou alguém que há muito conhece
e nunca andei depressa
Apesar das tuas preces:
Meu nome é tempo
Aquele, que mesmo quando você me esquece
Te encontra nas ruas
e ainda te reconhece
Quando do tempo eu tentei fugir
O Pássaro encantado
Que até então, se encontrava calado
Olhou pra mim como que rí
e simplesmente falou:
Bem-te-ví

Inserida por edsonricardopaiva