Andre guide
Quando o amor bater na sua porta esteja preparado:
Seja um Homem livre para recebê-lo;
Seja um Homem amoroso para guardá-lo;
Seja um Homem sonhador para vivê-lo.
Se amor um dia existiu no caminhar,
Não percebemos as flores morrendo.
O caminho alegre se entristeceu
E no horizonte ficou apenas o olhar.
Dos jovens que um dia nós fomos,
Ficou a presença nas tristes rugas.
Dos sonhos irrealizáveis sonhados,
Ficou a realidade do que somos.
Devemos combater o vício da certeza.
Torna-se urgente aprender a olhar não somente o novo, mas aprender a olhar de novo.
Quando me calo ao ver injustiças,
Permito ao chicote zurzir...
Quando me calo à beleza da vida,
Abro a porta para a morte entrar...
Quando me calo ao ver teus olhos,
Aceito viver na solidão...
Quando me calo para uma borboleta voando,
Não vejo as rosas no jardim...
Quando me calo para uma criança chorando...
Deixo a vida, com com certeza, mais triste,,,
Quando me calo, calo-me apenas,
Fecho os olhos e esqueço de mim...
O Retrato
As lágrimas que na face rolaram
Cicatrizes no retrato deixaram
O riso puro que na foto existe
Fica sendo mais tarde o toque triste.
A cor que era viva o tempo apagou
Triste olhar na foto foi o que restou
O sonho da vida torna-se passado
Só lembranças no peito já cansado.
Na imagem da criança agora eu noto
Já desejava a vida além da foto
E o adulto cansado de não viver
Consegue escutar na foto sem cor
O coração da criança sem dor
Bater forte querendo apenas ser.
Não sou de direita e nem de esquerda, tão pouco do centro, nem ocupo a posição de cima ou de baixo, se é que existem como definição politica...
Ocupo a posição vertical na Terra, ando, sorrio, choro, leio, odeio como qualquer vil Humano.
Ocupo também, às vezes, uma posição horizontal quando durmo ou amo, embora essa posição será para sempre no final.
Morrot
Sorrio mesmo quando estou triste
E a minha alegria é a dor que sinto,
Mas o pranto que no meu peito existe
É a verdade que eu escondo e minto.
Quem dera pudesse nesse meu cantar,
Reviver o canto alegre dos pássaros.
Adormecer entre sonhos de criança
E num leve sopro de mãe despertar.
Queria ver teus olhos com meu olhar de hoje,
Ver seu olhar ao perceber o que hoje sou.
O espanto seria meu e a tristeza seria sua.
Olharia para mim como um estranho que olha para um espelho…
O que vc diria para mim?
O que eu diria para você?
Eu teria a ternura de um pai…
Você teria a angústia de um filho…
Eu olhando o que um dia eu fui,
Você sabendo no que se tornou
E os dois chorando por um passado e futuro
Minutos, horas, somam-se anos...
A vida surge nas mãos postas.
A cada dia novos desenganos,
Tantas perguntas sem respostas.
Minutos, horas, os anos passam...
No íntimo resta uma esperança.
construir um mundo em que se enlaçam
O amor e amizade sem cobrança.
No início dos tempos, sem haver o tempo, existia o vazio, o nada...
Uma escuridão sem limites, sem claridade, existia o silêncio, o vácuo...
Um universo ainda não nascido, um infinito sem área e inconspícuo.
Surgindo do vazio, Deus grita por luz, explode a vida numa jornada.
Quem dera o tempo não existisse, fosse apenas uma ilusão
E que a vida fosse somente um simples passar das horas.
O medo da noite eterna me persegue na aurora,
Os vaga-lumes brilham como estrelas na minha noite.
No quarto o monstro da madrugada flutua perfumado,
Sinto o aroma da fronha nos meus sonhos verdejantes,
Nunca disseste que a vida era dura com quem vive,
Nunca sorriste para mim com a ternura de um olhar infantil.
Tempo! Tempo cruel e ingrato,
Por favor, não pare, volte atrás...
Devolva o sonho e a esperança,
Torna-me novamente criança,
Depois eu morro e nada mais...
Devolva as brancas asas foragidas
Ao meu coração sofredor.
Leve para longe esta negra tristeza,
Devolva a infantil e pura realeza
Que era viver num tempo sem dor.
Eu derivei meu amor
Mas percebi que o limite
Tendia para o infinito.
Como solução
Somente a integração.
Usei a integral indefinida
Para calcular seu tamanho
Mas percebi
Que era n-dimensional.
Então achei
Que era tudo relativo.
Cheiro de infância risonha no fogão,
Lenha queimando em ardente brasa
Criança adormecida voando alto
Num mundo colorido e sem asa.
Gosto de café com amendoim torrado,
Perfume do campo lembrando flor.
Lençol branco secando no varal
E no peito da criança somente amor.
Se um anjo de olhos claros, cabelos dourados e encaracolados, com um olhar meigo e lábios úmidos de infância, descesse à Terra e me concedesse um único e derradeiro pedido, para que eu possa viver que por medo não vivi ou para que eu possa corrigir o que por mim foi vivido, se uma última chance me fosse dada por esse anjo que possui o olhar de quem indaga e a boca de quem não responde, se uma última chance me fosse dada, eu não iria desejar não morrer, iria apenas desejar não ter nascido, para nunca em momento algum sentir falta do que já passou ou muito menos sentir falta do que nunca existiu.
O dia rasgou a noite num horizonte vermelho, afastando as estrelas como as velas dos barcos que se distanciam ao navegar no imenso oceano.
Trouxe seu sorriso de infância, num retrato de um passado envelhecido pelo tempo.
E o amarelado do retrato transformou-se em rugas no semblante do adulto que olha o horizonte a procura dos sonhos não realizados e que se tornam nevoeiro, flutuando como fantasmas atormentando as estrelas no mar infinito.
Da janela da minha casa vejo meu quintal...
As árvores, as montanhas e o azul do céu que corta seus cumes,
Tudo que está além da minha casa é o meu quintal...
Posso andar, navegar, sobrevoar... basta apenas sonhar...
Da janela da minha casa vejo teu olhar refletido no meu pensamento,
Teus olhos cor de folha de abacateiro...
Mais fácil penetrar na profundeza do mar
Do que entender o silêncio do teu olhar.
Da janela da minha casa contemplo o mundo
Com ar de filósofo...
Ainda sinto o perfume da fronha acalentando o medo da noite eterna e com teus olhos me velando, entregava-me ao sono profundo;
Ainda escuto tua voz na sala, quando deitado, ficava esperando o monstro da noite chegar flutuando no escuro do quarto de dormir;
Ainda sinto os delírios da febre na pele, suando na cama, tendo tua presença na doce mão tocando minha testa, fazendo-me crer que na manhã seguinte ouviria os cantos dos pássaros num cantar de mulher;
Ainda vejo os brinquedos no chão, onde criança eu construía os mundos, habitados por duendes e monstros e protegidos por um olhar atento de uma mulher;
