O que te move
Eu sinto que as normas da sociedade, as expectativas de gênero e até a simples biologia, me obrigaram a me tornar uma pessoa que eu não reconheço, e estou irritada o tempo todo.
Há um fogo que acende no inicio da juventude. Você atiça e cuida dele. Você o protege a todo custo. Não deixa que ele queime em toda a sua fúria porque não é próprio para uma garota. Você o mantém em segredo. Você o deixar arder. É a partir desse ponto, desse fogo, que você cria e luta, e abre o seu caminho pelo mundo. É a partir desse fogo que você dá a luz a algo novo. Uma nova versão sua ou uma pessoa inteiramente nova que não existia antes de você trazê-la a este mundo.
Será que eu tenho o direito de reclamar? É uma benção poder ficar com meu filho o dia todo. Eu devia agradecer.
Eu sou pelo, sangue e ossos. Sou instinto e raiva. Conheço apenas o ar da noite. Tenho apenas um pensamento: eu sou um animal.
Eu sempre vi a maternidade com um estado fraco do ser, mas a maternidade é uma coisa bem mais primordial e ativa do que isso. Deve ser a experiência mais violenta para um ser humano além da morte em si.
Às vezes eu olho pro meu filho e não sei dizer onde ele começa e eu termino. Porque ele faz parte de mim. Nós fazemos parte um do outro.
Eu diria que isso é ser animal. Abaixo da Lua, nos amontoamos em nossas cavernas quentes nos tornando uma criatura só para nos aquecer. É assim que sempre foi e é assim que sempre será.
Quando não temos vontade de arrumar a cama, o que fazemos? Pegamos o edredom e jogamos por cima. Pulamos uma etapa e só esticamos sobre a cama. Não é? Pra parecer que está arrumada. É isso que precisa fazer. Mulheres são assim. Parece um grande problema hoje, mas, daqui a uns dias, é como se não tivesse acontecido.
Vou ser melhor do que nunca. A esposa que você merece ter. Vou reconhecer tudo o que tenho e agir com gratidão.