S. inácio
Eu — eu mesmo:
sou aquele que, de si,
tudo e nada sei.
O que não deveria saber,
ainda assim, sabendo,
de mim quero o bem.
Não importa o quão longe ou perto se vá,
nem o quão rápido ou devagar:
se não contemplares o caminho,
vã será a viagem.
Não é possível progredir acorrentado,
seja ao passado ou às ideologias.
A mudança parte de mentes não estagnadas.
O homem que se vê às portas do inferno, já não lhe cobrem véus — e é então que se revela, nu, diante de si mesmo.
Quando já não couber no coração
o que em pergaminho verte paixão,
e não couber mais nos sonhos
o fel antigo da inspiração,
há de a pena romper silêncio
e dos versos o próprio incêndio.
Pelos corredores velados dos teus desejos, teu mestre oficia nas liturgias ocultas de tu’alma. Nele repousam o mapa do paraíso perdido e a chave dos abismos que ainda não ousaste tocar.
Em teus labirintos, não busques a saída: quanto mais te perdes e mais fundo mergullhas, mais te tornas propriedade do meu domínio.
Aproveite cada minuto do seu dia.
Não trace planos — permita-se ao inesperado; descubra a magia dum sorriso verdadeiro.
Apega-te ao que é certo e justo;
guarda-o no peito, junto ao coração.
Porque a virtude sustenta a vida.
Aquele que apenas por si e pelos seus se levanta em ira colherá silêncio à mesa;
pois o coração que não se compadece do próximo caminha para a destruição.
