"As Boas Ações" Bertold Brecht

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Tem alguma coisa errada comigo. E eu não sei o que é.

A gente aceita o amor que acha que merece.

— Posso fazer uma pergunta?
— Sim, Charlie.
— Porque as pessoas legais escolhem amar as pessoas erradas?
Silêncio.
— Bem… Nós aceitamos o amor que achamos merecer.

É muito mais fácil não saber das coisas de vez em quando.

— É tanto sofrimento e eu não sei como ignorar isso.
— O que te machuca?
— Não, não é comigo. São eles. É todo mundo. Não acaba nunca. Você entende?

Sei que as coisas pioram antes de melhorar porque é o que diz meu psiquiatra, mas esta fase pior está grande demais para mim.

Faminto, pega no livro: é uma arma.

Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver.

Nação miserável é aquela que precisa de heróis. Os verdadeiros heróis são, em verdade, os cidadãos que enxergam.

Felicidades

O primeiro olhar da janela de manhã
O velho livro perdido e reencontrado
Rostos animados
A neve, a sucessão das estações
Jornais
O cachorro
A dialética
Tomar banho, nadar um pouco
A música antiga
Sapatos macios
Compreender
A música nova
Escrever, plantar
Viajar, cantar
Ser camarada

Nada deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar.

Sob o cotidiano, desvelem o inexplicável. Que tudo que seja dito ser habitual cause inquietação.
Na regra é preciso descobrir o abuso, e sempre que o abuso for encontrado, é preciso encontrar o remédio.

Não há problema em hesitar se depois prosseguir.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!

Bertolt Brecht

Nota: Trecho extraído do poema “Aos que vierem depois de nós” publicado no caderno ‘Mais’ Folha de São Paulo – projeto releituras

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⁠Há muitas maneiras de matar. Podem enfiar-te uma faca na barriga, arrancar-te o pão, não te curar de uma enfermidade, meter-te numa casa sem condições, torturar-te até a morte por meio de um trabalho, levar-te para a guerra, etc. Somente poucas destas coisas estão proibidas na nossa cidade.

Nos tempos sombrios,
Se cantará também?
Também se cantará
Sobre os tempos sombrios.

Homem com fome, alcance o livro: é uma arma.

O homem, meu general, é útil:
Sabe matar e sabe voar
Só tem um defeito, sabe pensar

Todavia, prossigamos! Seja de que maneira for! Saímos a campo para uma luta,lutemos, então! Não vimos já como a crença removeu montanhas? Não basta então termos descoberto que alguma coisa está sendo ocultada? Essa cortina que nos oculta isto e aquilo, é preciso arrancá-la!

Não aceites o habitual como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.