Miguel delibes
A partir do momento em que colocamos algum empecilho, limite ou obstáculo para sermos felizes, nós não somos dignos de sê-lo.
Se você acredita em alguma coisa, vá até o fim. Haverá quem acredite em você, mas tenha certeza, haverá o dobro, o triplo, incontáveis pessoas que tentarão te fazer parar, desanimar, desistir.
Não se espelhe em um amigo ou em qualquer pessoa que sonha conhecer e que talvez seja muito feliz para dizer que admira essa pessoa e que quer ser igual a ela. Não admire uma pessoa assim, SEJA ESSA PESSOA
Não deixe ninguém interferir na sua decisão de ser feliz, porque apenas você pode viver a sua vida. Apenas você irá vivê-la até o fim.
Então, faça-o de maneira plena, deixando que a introspecção adicione felicidade nas pequenas coisas.
HOMENAGEM AO SEU DIA, “PAI”...
Creio em você, “filho”!
Creio no seu sorriso,
janela aberta do seu ser.
Creio nos seus olhos,
espelho de sua honestidade.
Creio em suas mãos,
sempre abertas para dar e receber...
Creio na sua alma,
acolhimento sincero de seu coração.
Creio na sua palavra,
exposição sincera do que você é!
Creio em você, filho amado,
na eloquência do seu silêncio!
Maria de Lourdes M. Abrahão
15/08/2009
(...) Francamente, envelhecer não é tornar-se um sábio! Envelhecer é, sobretudo, perder as referências de uma longa existência! É agonizar, murchar e se metamorfosear lentamente num... nada! (...)
Ah, a solidão! Quanto tempo a tive por companheira e amante fiel. Onde quer que fosse, lá estava ela, plácida e inesgotável em sua sedentária vida. Desde os meus quinze anos de idade, quando a conheci, jamais pude separar-me dela. Minha alma gêmea, intocável e irretocável... Pertenço a esta dama de corpo e espírito!
Sociedade! Palavrinha vulgar e peçonhenta. Aparelho ridículo de frustrações... sisteminha inibitório que nos vigia, doutrina-nos e esmaga-nos. Não existe individualidade, não existem sistemas que nos deixem uma mínima brecha para o total imperialismo do nosso livre-arbítrio.
Não tenho a menor ambição de tornar-me um educador: não pretendo, como um déspota, "conduzir ou guiar" ninguém e muito menos limitar caminhos de quem tem imaginação tão promissora. Pretendo, antes, ser um PROFESSOR: o indivíduo que professa algo, que alimenta o espírito crítico com seu conhecimento, permitindo ao semelhante um encontro com sua liberdade e identidade única!
Não sonho em lecionar para sujeitos que se comportam como alunos! Estes, como o próprio vocábulo apregoa, são pobres infelizes “sem luz” e que podem, para o bem ou para o mal, ser dirigidos por “iluminados” tirânicos. Sonho sim em ter, sob minha responsabilidade, estudantes, que, - oh, redundância absoluta! -, estudam e compreendem o mundo por si próprio.
O importante é o que virá.
Agitando minha alma peregrina.
E me pergunto, como ficará
aquele a quem a vida ensina?
Minha alma adormeceu cansada.
Acordou esvaziada...
Acreditou-se enganada...
Não sei se sou feliz ou sou um nada.
O importante é o que virá.
Reencontros, novos amores...
O que em minha vida entrará?
Alegrias ou dissabores?
Serei eu resistente
ao que o destino me reserva?
Ou serei de novo inconsequente
que nem o amor conserva?
O importante é o que virá.
Os falsos amores, os falsos amigos...
Não, falsidade não mais entrará...
Descarto os sofrimentos antigos.
Serei uma guerreira que resiste?
O sucesso apenas bastará?
O destino outra vez insiste
em deixar-me a Deus dará...
O importante é o que virá.
Sou uma heroína, venço qualquer batalha.
A vida me cobrará,
se tudo o que fiz foi bandalha.
Durante anos, este foi meu mundo.
Vivi, sofri muita altercação.
Sei que chorei, cheguei ao fundo...
Desci até o submundo,
mas fui feliz no Rotação.
O importante é o que virá.
É nisso que pensarei agora.
O amanhã, é esperar...
Vamos viver a nossa hora.
Foi um sonho e é só
que acalentei nestes anos.
E que se desfez como pó,
destruindo todos os meus planos.
Agora nada mais me resta
a não ser o esquecimento.
A vida hoje em dia me empresta
dor, fardo e aborrecimento.
Este é meu ato final!
Despeço-me de vez, se assim preferem...
Meu momento, agora, é triunfal...
Vou lhes dar o que querem.
Dizem que sou exibicionista,
mas o show não pode parar.
Quanto mais for sensacionalista,
mais audiência eu vou dar.
Aqui, em lágrimas imprevisíveis,
alegrá-los-ei com o fim de minha história.
Vocês terão os momentos inesquecíveis
Que permanecerão eternamente na memória.
Já lhes dei muita alegria,
já tiveram o meu talento.
Só o meu sangue, agora poderia
finalizar minha história a contento.
A vocês, meu último ato!
Entrego-lhes minha vida com amor...
Partirei para sempre, é fato!
Sucesso a todos e um beijo, sem rancor.
Sou casado com o magistério. Consagrei minha vida a ensinar crianças, tornando-os homens dignos! Por isso, sou professor.
As minhas pernas estão paralisadas agora. Estou cada vez mais intrigado com a minha doença. Os medicamentos para dormir estão cada vez mais fortes.
A dor é mais constantes. Fico quase metade do dia sem movimentos ou sem coordenação. A maior parte do meu dia eu fico deitado vendo TV. Não consigo mais praticar esportes. Não consigo mais correr. Não consigo mais nadar na piscina ou no mar. Não consigo mais ir ao supermercado ou fazer uma simples caminhada na rua sem que as pessoas zombem de mim as escondidas ou mesmo me tratem como uma aberração ou um criminoso.
Antes, eu conseguia lidar com maturidade e relevância, mas agora estou muito cansado de fazer isso. Eu já estou esgotado de ter de explicar porque ando assim ou porque falo assim ou porque estou tão agitado ou estou tão lento.
Também estou exausto das pessoas terem medo de mim, ou de quando aponto na esquina as mães da rua empurrarem seus filhos a grosso modo para dentro de casa. Estou cansado de cada lugar que eu decida viver eu tenha a desgastante tarefa de explicar tudo novamente. Estou cansado de fazer isso tudo sozinho.
Estou cansado de esperar o melhor das pessoas, principalmente que estão próximas de mim, e ver a mesma reação em casa do que tenho com estranhos.
Estou cansado de estar sozinho nessa jornada.
De nenhuma maneira sou vitimista e muito menos quero piedade dos outros ou ser um peso para alguém. Mas em algum momento, em algum instante eu gostaria de ser adulado e não ser merecedor do meu adulador.
Apenas ter um momento de refúgio sincero e afetuoso. Um momento de refrigério que não exigissem uma reciprocidade egoísta e hipócrita. Queria apenas um amor com com-paixão da forma mais singela possível.
Estou ficando cansado de ser forte. Estou cansado de ter que ser forte.
Estou cansado de ser o cara mais legal, destemido, bem humorado que muitas pessoas conhecem e ao mesmo tempo afastar todo mundo de mim devido ao sentimento vergonhoso de estar comigo.
Quando voce não pode agregar economicamente, o seu círculo vai ficando cada vez menor.
Ninguém se lembra do que voce já fez ou foi. As pessoas apenas querem saber o que elas podem tirar de voce que seja realmente benéfico para elas.
Mas tem uma coisa que eu posso realmente oferecer de bom grado e com muito orgulho as pessoas que chegam a mim, e que essa doença nunca poderá me tirar: O conhecimento e sabedoria.
Mas ninguém quer isso. Porque para muitos ou a maioria isso é fútil devido a vida fugaz, ignorante e vazia dessas pessoas.
Mas o pior é o julgamento de que o que eles vem é a resposta de tudo. E esse julgamento insano e vazio de pessoas sem conteúdo não os motiva a ter o trabalho de saber se a fonte ainda consegue matar a sede, não do corpo mas da alma.
Maldito seja o prazer imediatista e sem priores dos homens hoje, que jogam o jogo da vida, vivendo por viver.
Já estive presente com os seis anjos. E todos eles tiveram suas razões. Espero que sétimo não demore muito, pois já sinto sua falta. Já senti o gosto doce na minha boca, mas o meu estômago agora está amargo. E este é o momento. Já estou pronto.
Todos nós temos uma escolha. Mesmo que, em alguma situação, achemos que não há saída ou que não existem escolhas, sempre há duas opções.
É certo que, quando acreditamos que não há outra saída, é porque sabemos que a decisão mais correta é justamente aquela que trará mais sofrimento. E, por isso, a isolamos, pois temos medo de enfrentar o que seria iminente e sem perspectivas. E quando o sofrimento não traz recompensas, é difícil encontrar razoabilidade nessa escolha, mesmo que ela seja a mais certa e honesta.
É por isso que digo que, nessa guerra que travo dentro de mim, é impossível que haja empate. Nunca poderei conviver com o meu monstro. Ou eu venço, ou ele será o vencedor. Nós dois não podemos viver lado a lado.
Quem cederá? Esse monstro que se nega a ceder aos meus ataques constantes de esperança, subserviência, respeito e bom humor, e que, através da sua paciência em não reagir a nada, me mostra que os meus fracassos em incomodá-lo apenas me tornam mais fraco.
Esse monstro não reage, não ataca, não revida. Apenas se utiliza da minha fragilidade, dos desgastes mal-sucedidos, e avança lentamente, passo a passo. E, com essa estratégia, vai conquistando uma área cada vez maior do meu império.
E o pior de tudo isso é que toda área que ele conquista é impossível de ser recuperada. Não há como voltar atrás. Tenho apenas uma opção: não permitir que ele avance. Mas o meu monstro é inabalável. Ele continua, silenciosamente, a conquistar.
Tudo o que lanço contra ele não dá resultados. Táticas de guerra, alianças políticas, concessões de privilégios — nada tem efeito benéfico a meu favor.
E agora estou ficando cansado. Cansado de tentar avanços sem sucesso, até mesmo invasões de inteligência e artilharia pesada que, no fim das contas, apenas atingem o meu próprio reino.
Na grande arte da guerra, o importante é conhecer bem o inimigo. Mas o que estou vivenciando é que, quanto mais conheço o meu monstro, mais o alimento — e mais forte ele se torna.
Quanto mais entendo como ele ataca, mais o conhecimento de sua força me faz recuar ou me tira as forças. E talvez seja isso que ele quer. O conhecimento de seu poder me desanima, e ele avança mais uma linha.
Mas, nessa guerra, não existe bandeira branca ou pedido de trégua. Não pode ser uma guerra milenar ou histórica. Alguém terá que vencer.
E essa é a grande questão: eu nunca perco. Eu nunca serei conquistado. Eu nunca me entregarei. Não suportaria viver na condição de vencido, nem aceitar ser escravo do meu monstro.
Isso, nunca. Não vou fugir. Mas, quando não conseguir mais defender meu reino, simplesmente desaparecerei. Pois não serei lembrado por ter sido escravizado, nem por terem levado meus despojos. Mas citarão meu nome como o de um guerreiro que, mesmo diante de um inimigo invencível, defendeu e honrou sua dignidade, e viveu até o limite de suas glórias já conquistadas.
Quero sair, quero aproveitar a vida que ainda posso me deleitar; mas não tenho forças.
Mesmo o meu corpo rogue por atividades a minha mente se mantêm estancável e imóvel.
O tédio me corrói, a solidão é visível. Mesmo a solitude sendo nobre e prezo por ela; mas estar sozinho é gritante, da mesma forma que é gritante como eu sou carente e necessito de estar com outras pessoas que me amem de verdade.
Sinto falta de conversas inteligentes, sinto falta de troca de cultura. Isso é necessário para o meu crescimento, principalmente para quem não cultua o físico ou não o convêm.
Eu procuro sempre pequenas coisas que façam sentido para continuar pelo menos aquele dia. Pelo menos até o começo da noite. Mas quando acho que encontrei pequenos sentidos, eu paro e não vejo mas nenhum sentido nisso. E novamente tudo fica de lado. E tudo fica triste. E volto ao meu sofá, vendo TV e fingindo rir de piadas rotineiras e infames.
Hoje aprecio mais as piadas de humor negro. Me sinto bem ao ouvi-las. Aprendi que pessoas que riem, sinceramente, de sua desgraça, são pessoas altamente inteligentes, pois reconhecem como Shakespeare que a vida é um sopro e nada significa.
Quando estou em algum lugar, sempre estou feliz por estar lá. Mas o caminho é muito desgastante, e normalmente ninguém quer passar isso com voce. Pois voce não vale a pena.
Estou cansado de estar cansado. Estou cansado de promessas de andar lado a lado quando estão na sua frente, mas basta estar longe e tudo vira meras falácias. Palavras sem sentido e esquecível para quem declama; mas para mim que acredito, dói muito se sentir apenas uma pessoa qualquer que apenas cruzou o caminho de alguém por afinidades parentais ou nem isso.
Sempre é assim. As coisas que antes me alegravam, nem me levantam da cama mais.
Eu grito e mostro como posso ser feliz, mas a pessoa ouve, olha no meus olhos e escuta uma coisa totalmente diferente.
Não sei até quando vou gritar e ninguém vai ouvir. Não sei até quando vou ter voz. E quando estiver mudo, ainda valerá a pena?
