Almeida garrrett
A vida passa, seu legado não! realize ações relevantes, compartilhe informações importantes,marque a sua geração e serás lembrado nas próximas.
Ao passar, passante, não 'viaje'!
Passe devagar, admire a paisagem...
Pise leve, leve o que puder!
Leve flores breves!
Leve cores leves,
leve uma cantiga
a uma antiga paixão...
COMERCIAL DE MARGARINA COLETIVO
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Em uma quarta feira qualquer
Juntei palavras em um texto que mudaria a vida
Colei madrugadeira pelos muros da cidade.
.
Amanheceu.
Quem leu, boquiabriu
A lavadeira deixou a trouxa cair
O ciclista por pouco não trombou no poste
A correria foi tanta
Que ventou nas saias das meninas
O semáforo piscando feito luz de Natal
O rasante do pássaro assustou o guri
Que caiu para trás com o peso da mochila
O caderno se abriu
E folhas escritas bateram asas naquela direção...
Nuvens escuras foram se despedindo
O sol morninho arrancou suspiros e agasalhos
(Os ousados despiram também outras partes)
Moças desprenderam cabelos, retocaram batom
O casal tímido resolveu se abraçar
A senhorinha girando a bengala no ar
Uma música começou a tocar... Aaah!
.
E em uma quarta feira qualquer
(Se contar ninguém acredita)
O tempo parou, o povo dançou
E por um minuto eterno a tristeza se foi
Em fileiras sincronizadas
Mãos levantadas, corpos embalados
No compasso da música
Uma chuva multicolorida caiu do céu
Cada gota pintava o cenário
Um sabor diferente em cada cor...
Línguas de fora, braços em ondas
Toda dor subindo, girando em espiral
Desconhecidos se abraçaram
Pretos, brancos, ricos ou pobres
Motoristas estacionando os carros
A vaidade, os falsos pudores, a vergonha
Arrastados pela enxurrada multicor
Sorrisos escancarados, mãos dadas
Ritmo que todo mundo sabia de cor
.
E em uma quarta feira qualquer
(E pela primeira vez na história)
Um comercial de margarina coletivo
O ódio, o rancor, a inveja, a desumanidade
Feito lagartixas cascudas subindo os muros
Explodiram como pipoca em óleo quente
Desabrochando flores perfumadas
Confortando o coração de toda a gente...
Se eu fosse poeta, seria maldita. Há situações em que é preciso deixar a doçura de lado e acrescentar o fel do jiló às coisas... Substituir os ingredientes, talvez, nos possibilite vê-las com mais racionalidade.
DEIXE-A CAIR!
– Mamãe, você está chorando?
Mesmo disfarçando ela percebeu. De mãos dadas na porta de saída do restaurante, observávamos a chuva que havia iniciado e nos impedia de seguir.
– Sim, meu amor, mamãe está ficando velha e boba e se emocionou com a chuva. – Reparei então, pelo seu semblante, que não havia entendido bem a minha resposta. Continuei: – Chuva é riqueza para nosso povo tão pobre de água.
– Mamãe, mas estamos sem guarda chuva. Como chegaremos até o carro? Está bem forte. – Alertou a minha pequena, sempre tão prática e racional, e naquele momento também preocupada com o horário do prometido cinema.
– Não se preocupe, filhinha. Para a chuva, temos todo o tempo do mundo. Deixe-a cair! O Sertão está com tanta sede… E vê-la assim, tão densa, é bem melhor do que qualquer filme, tenha certeza.
Nesse momento, ajoelhei para ficar da sua altura. Eu poderia ter só me abaixado, é verdade, mas era de joelhos que todo o meu Ser queria estar naquela hora.
Na perspectiva visual da minha menina, pude observar ao longe um grupo de jovens em algazarra tomando banho na chuvarada, gritando, cantando, dançando e pulando poças. Nos edifícios, várias pessoas debruçadas nas janelas, sorrindo e observando a água cair. Os carros passando, vagarosamente, vidros entreabertos e os “caronas” com as mãos para fora (pelo jeito buscando sentir as grossas gotas ao encontro da própria pele).
Um senhor que passava ali portava um guarda chuva fechado (e não parecia ter a intenção de abri-lo), e o vi pedir muito sorridente um “saquinho plástico” ao garçom do restaurante que estávamos, decerto para proteger o celular enquanto enfrentasse o aguaceiro. Cada um demonstrando a sua emoção de um jeito diferente.
Continuamos ali paradas por mais alguns minutos, abraçadas, nos deliciando com o cheiro, o som e a visão daquele precioso evento, que alegrou sobremaneira o nosso domingo.
IRONIA CRIATIVA
Hoje a Paulinha amanheceu “louca varrida” e implorou para eu falar dela aqui.
Paulinha é o nome de batismo para uma voz que fala com certa freqüência no meu ouvido direito, desde a minha infância. Ela é extremamente inconveniente. A sua voz esganiçada aparece como se estivesse lendo um texto escrito, chego a perceber as pausas das vírgulas e as ênfases nas partes mais importantes. A dita cuja não existe, mas, do nada, começa a “ler os textos” enquanto eu estou no chuveiro, dirigindo, tentando dormir, assistindo alguma série... No meio de reuniões importantes do trabalho ou quando, na sala de aula, dou um tempo para os alunos fazerem alguma atividade. Na verdade, a maluca lê textos AINDA NÃO ESCRITOS, e aí está a questão. ELA LÊ PARA QUE EU ESCREVA! O meu processo criativo é assim descrito.
A Paulinha tem um apetite fora do comum e gosto bem peculiar. Vive faminta! A mocinha é alimentada por cores de flores, cheiro de chão molhado pela chuva, pelo abrir dos olhos depois de um saboroso beijo de amor... Pelo sorriso da minha filha, por um momento de chateação, um longo gole de um bom vinho, uma nova paisagem durante uma viagem, pelo gosto forte de um café, pela minha TPM... E por tudo o que gere alguma forte emoção.
Mesmo bem alimentada, a moleca às vezes some por dias, semanas... E ela é bem desobediente, nunca vem quando eu preciso ou chamo (ou quando estou participando de algum concurso de contos ou tenho algum texto encomendado, por exemplo).
Minha memória é terrível, fato, então para transcrever o que ela dita, tenho sempre à mão o gravador do celular, um papel para anotação, um bloco de notas... Já documentei as leituras dela em guardanapos no meio de uma DR ou já interrompi conversas importantes para registrá-las, pois a garota já tinha “me feito o favor” de me desconectar dali, depois de tanta tagarelice. Posso recordar que, na adolescência, eu escrevia ditados da monstra usando batom em espelhos de banheiros alheios, e poemas inteiros nas camisas dos colegas, em final de período letivo.
Essa fantasma surge frequentemente no meio da madrugada, entre um pestanejo e outro (a diaba é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes motivos das minhas noites de insônia). O problema é que, escrava dessas leituras da garota, se eu não anotar... A “coisa toda” some em um piscar de olhos, evaporando no ar... Para nunca mais. São leituras textuais individuais, únicas, exclusivas e que não permitem replay.
Será um dom? Um cárcere? Um delírio? Insanidade? Um mistério ou feitiço? Acho que se resume na verdade em uma grande ironia criativa.
Obs.: A Paulinha nesse momento está aqui se revirando em gargalhadas. Ela já estava cansada de só observar eu levando o mérito e recebendo elogios, sendo que a grande artista na verdade é ela.
Do nada se forma o caos... Uma coisinha fora do lugar, uma pecinha que acidentalmente se solta, pronto; o caos se forma... O mundo está - é - um caos; absorve-se o caos do mundo e tudo se torna um caos só! As pessoas são o próprio caos que provocam!
Torno conhecidos os meus pensamentos, pois, de outra forma, como poderiam saber o que eu quero e penso? Luto pelo que quero, poderia dizer incansavelmente, porque nunca sigo meu caminho sem olhar para trás, muitas vezes, como a esperar pelo que vai chegar ao último instante, esbaforido, para fazer parte da minha vida. Não sou exuberante, não tenho glamour, como vê, mas, nenhum nem outro me fazem falta. Minha alma é que é exuberante e intensa, do tamanho do mundo, mas, ao mesmo tempo, delicada como uma flor de um só dia; um hibisco;
um instante...
Oh! Alma de minha alma, cativa eu sou do teu sorriso que não conheço, do teu cheiro que não sinto, mas nem por isso não me causa a embriaguez que faz cegar meus sentidos.
Oh! Alma de minha alma! Tivesse eu, sequer imaginado, a dor de querer-te, teria fugido para outras esferas, para Marte, para a Lua, para o Inferno! Só para não sentir o que sinto e não trazer em mim, o que trago, este invasivo sentimento que desestrutura e desnorteia todo o meu ser, contra o qual não tenho forças. Não sei quem sou; um ser estranho... Só me vejo em ti e em ti me reconheço...
Eu já te amava
antes mesmo de saber...
Eu já amava a espera,
o saber que chegaria,
dia a mais ou menos dia...
Vou... Buscando sorte...
buscando espaços limitados,
buscando flores entre espinhos,
que arranham,
que ferem,
transferem,
transmutam... E eu luto!
Perco e ganho;
choro e me apavoro.
Chuto para longe!
Afinal, mais se perde nesta vida
do que se ganha
E, se levo uma surra imaginária,
eu me levanto!
Tal é a força!
Escondida,
reprimida...
E necessariamente bruta!
A natureza criou três mecanismos cerebrais que controlam o amor nos seres humanos.
• Luxúria: que está ligada a quantidade do hormônio testosterona.
• Paixão/Romance: Alimentada pela dopamina.
• Ligação: que é alimentada pela ocitocina(oxitocina) nas mulheres e pela vasopressina nos homens.
Em resumo livre: Você pode amar seu cônjuge, estar apaixonado(a) por seu(sua) colega de trabalho e sentir atração pelo Jamie Dornan, tudo ao mesmo tempo.
Abro as portas e tu não vens
As fecho e tu aparece de todos os lados, tentando entrar pelo vão do lado, de cima, da fechadura.
Decido deixar-te ficar e tu te vais
Resolvo partir, e tu me intercepta, corta minhas asas, me põe diante de teus olhos castanhos.
Prendo-me em teus braços e tu me soltas
Tiro as amarras, e traço novo curso, tu vens na forma de amor mais sublime e delicado, abraçando-me feito laço.
Corro na sua direção, tu te vais na direção oposta
Encontro uma nova flor no caminho e paro para observá-la, tu me dá um mês ou dois para apreciar tal perfume, e reaparece.
Quem dera ser vulcano
Para no breu do universo mergulhar
Fazer uma dobra espacial, fugindo de uma singular
Passar a noite em claro, adjacente..
Um feixe, para abrilhantar ainda mais a constelação de Lyra
Fazer silhuetas de nebulosas a luz de uma supernova
Apreciar esse quasar
Bem perto daqui
lá lá lá 🎶
Boa parte de mim é você, e por um bom tempo tentei apagar essa parte de mim, para não mais te lembrar, contudo, essa parte que é você sou eu, e eu gosto de mim assim.
No meio de tantas diferenças, existe uma igualdade penetrante, aquele músico, aquele escritor, aquela frase, aquele filme, aquela melodia, coisas que você me mostrou e eu amei, e que e hoje fazem parte de mim tanto quanto de você, talvez seja até mais pulsante em mim do que em você, porque seu encanto é passageiro e o meu é motorista.
Vou sempre te encontrar no meio de um livro, de uma canção, de fotos velhas, seu nome vou ouvir e mesmo que não seja você vou te lembrar, seu perfume sempre vai encontrar meu olfato mais distraído, e seus olhos brilhantes vou encontrar toda vez que fechar os olhos.
Dias virão, meses passarão, anos enterrarão e eu guardarei seu sorriso distraído numa das minhas gavetas, inda que a memória te leve daqui, vou sempre saber que um dia caminhei tua estrada.
Nada dura para sempre, a única exceção é o platônico.
Coisas reais sempre terão um fim, enquanto a fantasia passeia nos campos verdes da imaginação, a realidade pesa em chão árido e ar irrespirável podendo apenas ter fim.
