Miguel delibes
Os imortais
Aqui estamos
Talvez não notem
ou não saibam,
mas nossos corpos são todos imortais
Não nessa forma,
nem nessa composição
mas como frutos de estrelas
Somos crias de poeira cósmica
pois a matéria não se destroi ou é criada
Mas transformada
Nós fomos, somos, seremos
O universo
E ele será nós
Somos imortalizados pela matéria
Não do jeito que estamos agora,
mas por cada átomo do nosso corpo
Nossos corpos irão mudar
de densidade
de forma
de aparência
Mas cada átomo será eterno
Fazendo nós todos imortais
" Não te entregues à bajulação, às opções de natureza político-partidária, à criminalidade ou à imoralidade como meios de subsistência. Contudo, recomendo-te o exercício do comércio como profissão, ou uma formação profissional ou académica, que te proporcionará os alicerces necessários para a sustentabilidade da tua sobrevivência. "
Lisboa, 5 de Outubro de 2024
" A verdadeira prisão do ser humano, independentemente de ser homem ou mulher, é a dependência em suas várias formas: social, económica, política e cultural. Enquanto permitires que essas forças te guiem e condicionem as tuas escolhas, estarás acorrentado aos limites impostos por terceiros. O respeito genuíno do mundo só te será concedido quando fores capaz de romper esses grilhões e alcançar a liberdade de pensar e decidir por ti mesmo. A dependência, não apenas limita o teu potencial, mas transforma-te num escravo dos tempos modernos, mesmo em pleno século XXI. Serás realmente livre apenas quando a tua autonomia não depender da vontade alheia."
Lisboa, 07 de outubro de 2024
" A bajulação, enquanto manifestação insidiosa de subserviência, revela-se como uma distorção moral que adultera a verdade em favor do interesse pessoal. Neste cenário, a lisura e a franqueza são sacrificadas em troca de uma falsa aparência de estima, envenenando o campo das interações sociais. Corrompe, assim, tanto aquele que a oferece, despojando-se da sua dignidade, quanto aquele que a recebe, sendo ludibriado em seu juízo. Ao obscurecer o discernimento e a integridade, a bajulação mina os alicerces das relações humanas, erigindo barreiras à confiança genuína e ao respeito mútuo, valores imprescindíveis para a convivência virtuosa. "
Lisboa, 30 de Setembro de 2024
" Viver em sociedade ou em união conjugal revela-se uma tarefa de extrema complexidade, sobretudo quando se deparam divergências de ordem cultural, de costumes, de crenças, de hábitos, de bens materiais e de razão. Por vezes, tanto o homem quanto a mulher tendem a manifestar-se de forma mais irracional do que os próprios animais. A vida, enquanto fenómeno social e jurídico, impõe uma responsabilidade inerente, sendo o respeito e a discordância elementos que caracterizam a racionalidade e a lógica do ser humano."
Lisboa, 26 de Setembro de 2024
" Se os progenitores não tivessem demonstrado uma visão clara e estratégica na construção do futuro, torna-se evidente que o destino dos descendentes poderá encontrar-se em risco. A falta de um planeamento sólido por parte dos pais pode comprometer o desenvolvimento e a prosperidade das gerações subsequentes. Contudo, tal cenário não é irreversível. Há que considerar que os próprios descendentes possuem a capacidade de alterar a sua trajetória, revertendo uma visão presente menos auspiciosa. Para tal, devem adotar uma postura crítica e consciente, direcionada para a criação de um caminho mais promissor. A responsabilidade pela transformação das condições herdadas reside, em última instância, na capacidade de reflexão e ação do indivíduo. Assim, ao assumirem o controlo do seu destino, os filhos poderão construir um futuro mais risonho, garantindo que os erros do passado não se perpetuem, mas antes sirvam como lições para um percurso de sucesso."
Lisboa, 26 de setembro de 2024
" A santidade e o pecado não reside na aparência de ninguém, no entanto, para evitar decepção veda os seus ouvidos e a sua boca e, livra-te das serpentes venenosas com aparência angelical"
Almada, 08.06.2024
" Viver constitui uma responsabilidade social e, primordialmente, jurídica."
Lisboa, 13 de Outubro de 2024
O passado sempre é mais confortável. Apesar das dificuldades ele foi superado. O presente sempre é dolorido, pois a chicotada da vida é forte, presencial sempre. O futuro é indeterminado, causando medo, ansiedade e impaciência. Saiba conviver com suas cicatrizes.
No século XXI, a liberdade democrática e o exercício dos direitos fundamentais tornaram-se tópicos amplamente debatidos; todavia, há quem invoque tais conceitos não com o intuito de promover o bem comum, mas para retirar vantagens pessoais, mesmo em detrimento do próximo. A dignidade humana não deve ser submetida à súplica pelo respeito aos seus direitos, mas antes à justa reivindicação desses, de forma a assegurar que o reconhecimento dos direitos não dependa da condescendência alheia, mas da própria natureza inviolável da justiça.
Lisboa, 14 de Outubro de 2024
O Duelo do Crepúsculo
Quando a luz e as estrevas se acercam, eis que o firmamento estremece.
No alto dos céus, onde o dia já não reina e a noite ainda não impõe o seu domínio,
Ergue-se o véu onde o sol e a sombra travam combate sagrado.
De um lado, o brilho ardente, como espada incandescente,
Que rasga as trevas e fere o abismo.
Do outro, a noite, senhora do silêncio,
Que se insinua como névoa, envolvendo tudo em seu mistério.
Nasce então a hora onde o mundo se curva,
Quando o tempo suspira e cessa a sua marcha,
E a luz, altiva, enfrenta o olhar profundo da escuridão.
Não há temor entre os dois, mas respeito e destreza,
Como antigos rivais que, na mesma arena, medem forças.
O fulgor do sol tremeluz na fronte da treva,
E as estrevas, de manto pesado, contêm o seu avanço.
Naquele instante, em que a luz se embate com o negro firmamento,
O cosmos retém o fôlego, e cada estrela cessa o seu brilhar.
É o momento da verdade — o instante em que o claro e o escuro
Partilham o trono do infinito, onde nem a aurora reina,
Nem a noite absoluta prevalece.
Eis o prodígio de forças iguais que se entrelaçam,
Pois quando a luz e as estrevas se unem,
É nesse duelo que se gera o equilíbrio do mundo.
Lisboa, 15 de Outubro de 2024
"A independência, a democracia e a liberdade não se imploram; antes, conquistam-se mediante exigências firmes ou pela via de uma revolução decidida e implacável, que não se submete a concessões nem vacila perante adversidades."
Lisboa, 26 de Outubro de 2024
Reflexão Jusfilosófica e Política
Não se afigura racional que uma nação se declare um Estado Constitucional, comprometendo-se com os princípios do Estado Democrático, Republicano, Multipartidarismo, separação de poderes e, acima de tudo, com a tutela dos direitos humanos fundamentais, tais como o direito ao voto. Promovem-se eventos eleitorais — a “festa da democracia”, quer em eleições gerais, quer legislativas — e, ainda assim, não se respeita rigorosamente a vontade popular na eleição do Presidente da República (...), anulando, desta forma, a soberania popular. Se a intenção é permanecer no poder ao arrepio da vontade do povo, não seria mais coerente declarar-se um Estado de orientação Comunista, onde o monopartidarismo prevalece?
Lisboa, 27 de Outubro de 2024
Eu sou assim, totalmente inconstante.
Cheio de dúvidas e de certezas.
Sou como uma tempestade de verão, sou trovão, vento forte e, do nada, uma calmaria.
Minha vida é feita de sorrisos, alegrias, lágrimas e também de tristezas.
Perdido em meus pensamentos eu sigo buscando a felicidade em cada momento, em batida do meu coração...
E nos meus sonhos, a certeza que o destino é o resultado do que fiz do meu passado e, ainda mais, do meu presente.
Quando um indivíduo faz algo que o seu redor considera loucura, esse individuo está se revelando como realmente é.
Cada minuto nesta vida me consome. Como um vírus eu me sinto a caminho do fim.
O que me resta? O que vale a pena lutar? Qual o prêmio?
Uma tempestade de sentimentos e emoções toma conta de mim.
Eu rio, eu choro, me alegro e, me desespero em meus pensamentos.
Pensar dói, machuca, como mil agulhas perfurando a minha mente.
O que espero, acredito e desejo não é diferente de qualquer pesadelo. É a alma gritando, é o corpo sussurrando, acabou...
" Somos imperfeitos e pecadores, tanto para com o nosso próximo como para com Deus; contudo, o mais grave erro que podemos cometer na sociedade é o de buscarmos justificação perante aqueles que julgam sem ouvir a outra parte, perante os insensatos e, sobretudo, perante os narcisistas. Sê prudente e contempla o Altíssimo, pois, a seu tempo, Ele te justificará."
Lisboa, 2 de Novembro de 2024
