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VocĂȘ me encantou,vocĂȘ me fez sonhar,vocĂȘ me fez chorar e sĂł agora me dei conta que estou sozinho,por ter acreditado num amor que me fez sofrer,por acreditar que era amado por alguĂ©m que sĂł me fez chorar!
Sempre hĂĄ dois lados.
As repetiçÔes só fizeram sentido
quando parei para ver
a violenta, imensa onda â
intragĂĄvel, de recuo invisĂvel.
Para me ver limitado, sem voz, apenas assistindo.
Abro o notebook, a internet, seus sĂmbolos e portais.
Parece que vivo hĂĄ dez mil anos.
O banco deixou de ser martĂrio para os jogadores;
sempre foi uma nave do tempo.
Do banco ouço Chico cantar:
"ai que saudade dos meus doze anos",
"que saudade ingrata..."
A nova casa trouxe-me
quinzenas de sede e fome,
atrozes obstinĂȘncias.
Mas...
a hora da alegria chega depois do dia mais cansado.
Cansado de quĂȘ, exatamente?
Hoje Ă© dia de semana,
mas poderia ser feriado â tanto faz.
Sob um sol mais limpo, banhando tudo de luz,
a vida fica mais agradĂĄvel
quando descobrimos que nĂŁo Ă© eterna.
E nada se compara Ă insustentĂĄvel leveza da vida
sem a internet.
Só eu sei o quanto a minha mente se inflamava de ideias, quando consumia suas ideias. Brotava em mim um floral de reflexÔes que me faziam viajar em autores conhecidos e chegar aos novos desconhecidos e fortalecer minhas rédeas de ideias..
Como Ă© bom suas ideias postas em letras no papel branco.
Amor genuĂno nĂŁo se contenta sĂł em acolher â ele confronta, corrige, restaura e cura o que precisa ser curado.
Se despedir de quem a gente AMA
Ă algo tĂŁo terrĂvel e doloroso.
NĂŁo sĂł entriste a alma, mas nos faz refletir profundamente sobre o que Ă© a VIDA.
E sinceramente nĂŁo sabemos o que realmente Ă© a vida.
A vida não é apenas viver, sonhar e realizar... não se resume em dias tristes ou alegres. A vida vai além de tudo que podemos imaginar. Só não sabemos compreender isso ainda.
Porque Ă© tĂŁo difĂcil darmos uma definição para ela?
Talvez porque as respostas da vida estĂĄ em quem nos criou.
Nem toda reflexĂŁo precisa ser entendida; algumas sĂł precisam ser respeitadas.
â Emanuel Bernardo
Quando caĂ, descobri que estava sĂł. Olhei ao redor e nĂŁo vi ninguĂ©m que me ajudasse a levantar - amigos, famĂlia e atĂ© aqueles que diziam irmĂŁos. EntĂŁo compreendi que tudo que vale se ganha em combate, como diz em ProvĂ©rbios 17:17. "Em todo o tempo ama o amigo; e na angĂșstia nasce o irmĂŁo"
Fai aà que compreendi que as verdadeiras conexÔes são forjadas na dificuldade, onde se revelam os que realmente permanecem. E assim, a dor de estar só tornou-se uma companheira incessante em minha jornada para alcançar aquilo que estå destinado a ser meu.
Eu não sei quando tudo começou
SĂł nĂŁo queria que terminasse assim
Mas como tudo tem seu fim
O meu agora chegou pra mim
Um dos quereres
JĂĄ tive tempos, onde queria sucumbir,
mas hoje, deixe-me ver,
sĂł quero viver, enquanto puder
pois, cabe a todos o partir,
embora dolorosa a vida que temos,
e ainda na felicidade e abundĂąncia,
nĂŁo faz sentido viver sempre bem,
assim o requer a vida,
porque chegarĂĄ uma parte dessa vida
que Ă© retirado de nĂłs essa tal felicidade,
dessa maneira, escolho viver
o tempo que me cabe,
mesmo com tons de felicidade e tristeza,
e findo a vida,
nem tristeza, nem felicidade
apenas paz...
Senhor Romeo
Senhor Romeo,
eu fiz isso de novo.
Um ano em cada dez
consigo lidar com isso.
Sou uma espĂ©cie de milagre ambulanteÂ
minha pele ainda intacta,
como se nĂŁo tivesse aprendido
a lição do fogo.
Diga-me:
quantas vezes se pode morrer
dentro da mesma casa
sem que a vizinhança desconfie?
Colecionei pequenas mortes
como quem guarda cartas nĂŁo enviadas.
Dobrei cada tentativa frustrada
e a escondi na gaveta do criado-mudo,
junto aos comprimidos
e aos retratos
onde ainda corrĂamos
como dois atores mal pagos
ensaiando eternidade.
VocĂȘ dizia:
âamor Ă© resistĂȘncia.â
Eu resisti
atĂ© virar ruĂna.
Sempre havia um copo quebrado na pia,
uma frase suspensa no ar,
um silĂȘncio armado
apontando direto para o meu peito.
Tentei ser um incĂȘndio manso.
Tentei ser ĂĄgua morna.
Tentei ser o homem que nĂŁo sangra
quando cortado por palavras.
Mas cada tentativa
Era um ensaio de funeral.
O primeiro amor morreu de frioÂ
faltaram cobertores e coragem.
O segundo morreu de excessoÂ
amor demais Ă© veneno doce,
colherada de açĂșcar
numa garganta jĂĄ em chamas.
O terceiro?
Ah, Senhor Romeo
o terceiro fui eu.
Enterrei minha voz no jardim.
Plantei rosas sobre os gritos.
Aprendi a sorrir de dentes cerrados
para que ninguém visse
a hemorragia discreta
escorrendo pela alma.
Quantas vezes se pode voltar?
Quantas vezes se reconstrĂłi
uma casa incendiada
com os mesmos fĂłsforos?
VocĂȘ me chamava dramĂĄtico.
Eu me chamava de sobrevivente.
Havia espetĂĄculo na minha dor,
confesso.
Eu me levantava das cinzas
com as roupas ainda fumegando,
a barba desgrenhada
como se fosse condecoração.
OlhemÂ
eu ainda estou aqui.
Mesmo depois de vocĂȘs.
Mas sobreviver
nĂŁo Ă© o mesmo que viver.
Ă noite
deito ao lado do vazio
e ele respira melhor que qualquer amante.
O vazio nĂŁo promete.
NĂŁo mente.
NĂŁo diz âpara sempreâ
com a boca cheia de vento.
Senhor Romeo,
hå um cemitério em meu peito
onde cada ânĂłsâ fracassado
Tem uma lĂĄpide discreta.
Aqui jaz
a tentativa de diĂĄlogo.
Aqui jaz
a paciĂȘncia.
Aqui jaz
o homem que acreditava
que amor era salvação.
Aprendi tarde demais:
amar não ressuscita ninguém.
Amar nĂŁo cura abismos.
Amar nĂŁo transforma homens
em porto seguro.
Ăs vezes,
amar Ă© apenas outro nome
para se oferecer em sacrifĂcio
num altar que ninguém pediu.
E ainda assimÂ
olhe para mim, Senhor RomeoÂ
eu me levanto.
Com as mĂŁos queimadas.
Com o coração em carne viva.
Com a dignidade remendada
como roupa antiga.
Eu me levanto
nĂŁo por eles,
nĂŁo por vocĂȘ,
mas por essa centelha obscena
que insiste em pulsar
mesmo depois de tantas mortes pequenas.
Talvez eu seja feito
de matéria reincidente.
Talvez eu goste
do gosto metålico do recomeço.
Ou talvezÂ
apenas talvezÂ
eu tenha descoberto
que a Ășnica relação que nĂŁo fracassa
Ă© esta:
entre mim
e o homem
que se recusa
a permanecer enterrado.
â Eu nĂŁo temo mudanças. Eu as adoto. SĂł que hĂĄ algumas pessoas que adotam as mudanças de forma exagerada...
" Um, continuaria a derivar-se sĂł, ĂłrfĂŁo como a vaga que nasce e rebenta eremĂtica. O outro, fora um homem sem memĂłrias, passado e futuro, a quem o Vento salvou. Ambos eram pertença do meu coração.
In livro ainda por terminar.
