"A troca da Roda" Bertolt Brecht

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27 de Janeiro 🌎 Dia Internacional da Memória 


A memória não pode ser seletiva!


Hoje o mundo lembra o Holocausto.
E deve lembrar!
Porque esquecer é abrir as portas para que o horror se repita.


Mas a memória que escolhe quem merece luto
não é memória, é conveniência.


Enquanto há um dia internacional para recordar o extermínio de um povo,
outro segue sendo exterminado ao vivo,
sob bombardeios normalizados,
ocupação prolongada, 
cerco, fome, deslocamento forçado
e silêncio diplomático.


O povo palestino não morreu em livros de história. Morre agora.
Diante das câmeras.
Diante dos acordos.
Diante dos vetos.


Não há um dia oficial para lembrar Gaza,
nem para as crianças soterradas,
nem para as casas apagadas do mapa,
nem para um território invadido
com o carimbo da “autodefesa”
e o financiamento das grandes potências.


Se “nunca mais” não vale para todos,
não é um princípio,
é um privilégio.


A memória verdadeira 
não serve para consolar consciências,
serve para impedir novos crimes.
E quando a dor de uns é reconhecida
enquanto a de outros é relativizada,
o mundo falha de novo.


Que o dia em memória das vítimas
não seja apenas um ritual do passado,
mas um espelho incômodo do presente.


Porque a história 
não absolve o silêncio,
os olhos tapados
e as mãos encharcadas de sangue.
✍©️@MiriamDaCosta

Meu olhar se embriaga
na poesia do pôr do sol,
que irrompe da janela
da minha cozinha
como um poema em chamas.


O céu escreve, em tons alaranjados,
os seus silêncios,
enquanto o dia se retira devagar,
com a serenidade
de quem conhece o próprio tempo.


Sobre a pia,
a louça reflete o esplendor
desse arco-íris poético.


E a minh’alma,
pincelada por essa paleta de cores,
deleita-se
num estado puro de êxtase.


E eu, inspirada,
derramo estes versos 
de gratidão à Natureza,
por conceder-me
tamanha bênção.
✍©️ @MiriamDaCosta

* Segundo as estatísticas, em geral, os livros mais vendidos no Brasil em 2025 foram os da série de colorir Bobbie Goods e Café com Deus-Pai. 📚📖 🇧🇷


Diga-me que livro lês
e vos direi quem és…
ou em que ponto do cansaço, 
da inércia mental
e do fanatismo chegastes.


Quando os livros mais vendidos 
dizem mais sobre alívio 
do que sobre enfrentamento,
mais sobre anestesia do que sobre consciência...
é preciso ouvir o sintoma,
não para zombar e rir dele,
mas para compreendê-lo.


Colorem para silenciar o mundo.
Colorem para não pensar demais.
Colorem porque a realidade
tem exigido mais do que conseguem 
suportar sentir e pensar.


E tomam café com Deus
não para dialogar com o divino em profundidade,
mas para buscar consolo rápido,
uma fé instantânea,
em doses diárias,
como quem precisa sobreviver 
ao dia seguinte
sem desabar.


Nada disso é pecado.
É diagnóstico.


O que assusta
não é o sucesso dos livros de colorir
nem da espiritualidade de bolso,
mas o vazio de pensamento crítico
que eles revelam quando ocupam, sozinhos,
o topo das estantes e das consciências.


Ler, hoje, parece menos um ato de expansão
e mais um pedido de socorro.


O brasileiro médio não parou de ler
por falta de tempo ou de vontade.


Parou porque está exausto.
Exausto de ansiedade.
Exausto de tudo
e do nada.
Exausto de si.


Por isso escolhe livros que não confrontam,
que não arranham, que não ferem,
que não exigem atravessamento interno.


Diga-me que livro lês
e eu direi
se buscas conhecimento, 
fuga, sentido 
ou apenas descanso da dor
e de ti mesmo.


Talvez o desafio do nosso tempo
não seja vender mais livros literários,
críticos ou filosóficos,
mas reaprender a ler
e interpretar o mundo
sem precisar colorir suas bordas
para esquecer suas veias e entranhas...


e nem tomar café, almoçar,
 lanchar, jantar ou beber chá 
com Deus, com Zeus, com Alá,  
com Buda, com Zâmbi, 
com Krishna , com Jesus, 
com Adonai ou seja lá o nome que tiver...
apenas para que o mundo doa menos
e faça pensar e raciocinar
ainda menos.
✍©️@MiriamDaCosta

Tenho uma profunda sintonia
com a praia assim:
nublada, deserta,
serena e silenciosa.


Há algo nela de sublime
que toca as veias
da minha inspiração.


Sinto uma simbiose visceral
com a paisagem
cinérea, solitária,
entregue ao próprio silêncio
e à própria paz.


Há uma serenidade antiga
que não pede sol
nem testemunhas.
Algo nela é sagrado:
o céu contido,
as pedras em vigília,
o mar que sussurra versos.


É ali, nesse quase-nada,
que minha inspiração
encontra o tudo,
nas veias abertas,
e pulsa
sem pressa
sem expectadores.
✍©️@MiriamDaCosta

É verão,
mas lá fora
a chuva declama seus versos
com a teimosia 
dos que não pedem licença.


Não há trégua.
Ela sequestra o sol e o seu calor,
faz dele refém
entre paisagens cinérias,
onde o verão existe
apenas como promessa suspensa.


Quase como aqui dentro,
no meu âmago,
essa fonte inesgotável
de chuvas e tempestades,
correntes internas
que transbordam palavras,
versos.


E mesmo quando chove 
em mim,
há versos solares
insistindo nascer e florescer
em estações que nunca 
obedecem ao calendário,
mas ao pulso teimoso da alma.


Sou clima indomável,
ora dilúvio,
ora clarão insistente
rasgando nuvens
para lembrar
que o sol,
mesmo "sequestrado",
nunca deixa de existir,
brilhar e iluminar.
✍©️@MiriamDaCosta

A mesmice é cansativa,
entorpece os sentidos,
embota o olhar
e adestra a alma a repetir
gestos adormecidos
e artes anestesiadas.


É necessária a ousadia
daquela criatividade que nasce bruta,
indomada, com o sopro instintivo 
da originalidade que não pede licença
nem aceita moldes.


Dizer que nada se cria, tudo se copia,
é um álibi débil,
um conforto covarde
para quem carece das prerrogativas
e da coragem da criação original.


Criar exige risco.
Exige atravessar o vazio
sem mapas, sem garantias,
com a própria voz e talento 
como bússola.


✍©️@MiriamDaCosta 


📸 #Pinterest

O solo ainda estava úmido e macio,
bendita generosidade recente da chuva.
Afundei as mãos
nesse ventre antigo.
Os dedos se lambuzaram
de barro e promessa.


Semeei mamão papaya, 
pimentas biquinho, malagueta 
e dedo de moça, 
(temperos de ardor e sabor), 
alfavaca que reza em perfume e flavor,
abóbora moranga, tomates-cereja, 
pequenos sóis
gestados pela paciência.


Cada semente
um juramento mudo.
Um verso sem palavras.
Cada sulco
um poema cavado 
no útero da terra.


Manejar a terra
é rito,
é oração feita com o corpo,
é o tato conversando
com forças que não precisam de nome.


Entro nesse chão
como quem adentra 
num templo ancestral
e saio marcada, 
alma leve, 
corpo suado,
mãos, pés e rosto ungidos de lama 
(sujeira sagrada)
que purifica a alma.


É um prazer profundo,
diria ancestral.
É a memória do começo,
da origem enigmática
e da infância no quintal.


É poesia primitiva
que ainda pulsa
em quem não desaprendeu
a tocar o solo sagrado da vida 
com as mãos operosas.
 ✍©️@MiriamDaCosta

Dizer que nada se cria, tudo se copia
é o álibi frouxo
de quem terceiriza o pensamento,
de quem se esconde na sombra alheia
por incapacidade de sustentar
uma chama própria.


Criar é um ato de risco,
é caminhar sem corrimão,
com as mãos sujas de tentativa
e a coragem sangrando nos dedos.


Quem copia se esconde...
se protege da luz incendiante 
da criação,
quem cria se expõe
e as vezes incendeia-se.
E nem todos suportam
essa nudez... 
essa exposição direta.
✍©️@MiriamDaCosta

Eu nunca perdi
esse vício indomável, quase insano,
de acreditar na poesia do viver
no mundo que insiste em ser árido.

Sou um tsunami de sentimentos e emoções,
uma força que não se contém,
um transbordamento constante
de tudo o que sinto e penso
e parece não caber em mim.

Sigo
encravada nos versos da vida
como raiz que rasga a pedra do âmago,
como onda que inunda a praia d'alma,
como quem foi escolhida pela palavra
nua e crua, não para sobreviver,
mas para permanecer viva
e vibrar vida vestida de versos.
✍©️@MiriamDaCosta

*26 de janeiro - Dia Mundial da Educação Ambiental*


Como proporcionar uma Educação Ambiental
num mundo que carece de Educação Humana?


Essa pergunta não é apenas pedagógica,
é civilizatória.


Vivemos em uma era 
que ensina a explorar,
mas não a respeitar;
a consumir,
mas não a cuidar;
a competir,
mas não a coexistir.


Fala-se em sustentabilidade
sem tocar na insustentabilidade 
das relações humanas.


Discute-se o futuro do planeta
enquanto se negligencia o presente 
da dignidade, da empatia,
do pertencimento.


A crise ambiental não nasce 
no solo devastado,
nas florestas queimadas
ou nos oceanos adoecidos.
Ela nasce antes,
no empobrecimento 
da sensibilidade humana,
na ruptura do vínculo 
entre o homem e a vida.


Educar para o meio ambiente exige, 
primeiro, educar para o cuidado,
para a responsabilidade,
para o reconhecimento do outro
(humano ou não)
como parte do mesmo sistema vital.


Não se preserva aquilo 
que se enxerga como recurso.
Preserva-se aquilo 
que se reconhece como relação.


Enquanto a Educação Humana for substituída
pela lógica da indiferença,
da pressa, do lucro acima da vida,
qualquer Educação Ambiental será apenas retórica bem-intencionada.


Cuidar da Terra implica, 
inevitavelmente,
reaprender a ser humano.


Porque só quem compreende 
a própria humanidade
é capaz de compreender
que destruir a natureza
é, em última instância,
destruir a si mesmo.
✍©️@MiriamDaCosta

Oh, Itaipu!
eu me desfolho em cada alvorada
no sal do ar, nas pegadas deixadas
na areia que me conhece por dentro,
e sabe do silêncio que carrego no centro.


Tuas águas são espelhos do que fui
e do que ainda serei...
quando me recolho às margens da tarde
e o céu se tinge de tons que só tu sabes dar.


Oh, Itaipu!
tu és poema que me atravessa em ondas
e em cada revoada de gaivotas que ronda
eu me reencontro inteira,
feito concha que escuta a si mesma.
✍©️ @MiriamDaCosta

Num mundo tão obeso de nada,
onde as pessoas são anoréxicas de sentido
e bulímicas de insanidades e descontroles,


vou usando a minha caneta emagrecedora,
tentando equilibrar
o peso
e o sentido das palavras
nos surtos poéticos e filosóficos
do meu âmago.
✍©️@MiriamDaCosta

Mulheres! ( Feminicídio  - Brasil) 


Leiam, reflitam e ATENÇÃO!!!


“Melhor que nada!”
— Não. Melhor nada.


Pensem com cuidado antes de se envolverem emocionalmente com qualquer exemplar masculino da fauna humana.


Verifiquem antecedentes, consultem registros públicos , o #JusBrasil está disponível para isso.


Informação também é forma de autoproteção,
procurem uma instituição de apoio à mulher,
uma ONG, uma delegacia da mulher, uma instituição social, o que houver...
Peçam orientação!


Não tenham medo.!
Nem vergonha.


As estatísticas mais recentes são alarmantes.
O perigo não é exceção.
É estrutural.
Todo cuidado é pouco.
E toda mulher tem o direito de permanecer viva, inteira e livre.


✍©️@MiriamDaCosta

Ela se virou
e o olhar, bordado de poesia antiga,
tocou as teias do passado
com a delicadeza de quem ainda sente.


Pelas narinas da saudade
respirou a poeira e as teias de aranha 
dos dias longínquos
e cada partícula era um verso
à espera de nome e escrita.


O tempo, esse artesão invisível, 
pousou-lhe as mãos no peito
e ali, entre cicatriz e luz,
a dor aprendeu a florir em palavra.


✍©️@MiriamDaCosta

Há pessoas
que fazem tudo o que podem
para serem ridículas,
enquanto outras são ridículas
sem o menor esforço.
✍©️@MiriamDaCosta

Encontrar o sentido da existência 
é como encontrar 
uma pérola rara e preciosa 
dentro da concha do viver.
✍©️@MiriamDaCosta

Entre um extremo e outro…


De 40° ☀️🥵 a 22° 🌧🥶
(🌡marcando agora no meu celular📱 )


o corpo aprende a dialogar com o clima,
a pele negocia com o excesso
e a alma busca um ponto habitável.


Há dias em que o sol queima por dentro,
incendeia pensamentos,
derrete certezas.


Noutros, o friozinho assenta,
organiza o silêncio,
e a chuva constante 
pede recolhimento.


Entre um calor 
que exige resistência
e um frio 
que convida à introspecção,
eu existo e resisto,
humana,
oscilante entre extremos
e aprendendo que o equilíbrio
não mora nos extremos,
mas nesse intervalo instável
onde a vida respira,
o pensamento repousa,
o coração aquieta 
e a alma transborda versos 
entre o banho de suor 
e as gotas de chuva...


✍©️@MiriamDaCosta

Um conto conta o conto 
descontado de outros 
contos contáveis.


Na contagem dos contos,
subtrai-se o supérfluo
no resumo
do que realmente conta.
✍©️@MiriamDaCosta

Ciência cuida
e a vacina salva.
Negacionismo adoece
e a desinformação mata.


Entre bebês e crianças,
a ciência estende os braços.
A vacina protege o futuro.
O negacionismo,
cego de arrogância,
assina sentenças de morte.


Bebês e crianças,
corpos frágeis 
confiados à ciência.
Vacina salva vidas.
Negacionismo mata 
e chama isso de opinião.
✍©️@MiriamDaCosta

Assim, ela externou o seu desejo mais profundo:


— Deem-me um mundo de caneta e papel,
onde eu possa escrever,
e vos darei um universo de palavras.


Riram. Risos fáceis, largos,
e alguém, com gosto de deboche 
na boca, interrogou:


— E que diabos fazemos com palavras?
Os risos cresceram, ecoaram como pedras ocas.


Até que ela respondeu:


— Eu sei!
São só palavras.
Mas quando ditas com alma,
tocam fundo,
como vento na chama.
São só palavras,
mas bordam silêncios,
desatam nós antigos,
selam destinos sem retorno.
São só palavras,
mas algumas ficam,
e viram abrigo
no peito que abriga.


“São só palavras”,
dizem os distraídos
ou os insensíveis.
Mas quem sente o peso delas
sabe do que são feitas:
de lume,
de lâmina,
e de laços infinitos.


São só palavras,
e ainda assim estremecem
como o toque súbito
de uma lembrança
na pele arrepiada da memória.
Carregam silêncios ancestrais,
promessas nunca ditas,
e às vezes,
orações disfarçadas de verso.


São só palavras,
mas movem marés interiores,
resgatam alguém do abismo
ou empurram, sem aviso.
Frágeis como sopro,
constroem catedrais
dentro de quem ouve.


São só palavras,
e mesmo sem cor ou matéria,
pincelam a alma de quem as recebe:
ferem ou curam,
prendem ou libertam.


São só palavras…
e por serem só isso,
tudo nelas é possível.


Entre olhares cabisbaixos e curiosos,
os risos cessaram.
E deram lugar a uma campanha improvável
de arrecadação de canetas e cadernos,
nunca antes vista na pequena aldeia.


Já se falava em mutirão, em paredes,
em mesas, em um espaço onde os escritos
pudessem respirar e ser lidos em voz alta.


Porque, afinal, quando alguém compreende 
o peso das palavras, o mundo começa
a pedir caneta e papel..
✍©️@MiriamDaCosta