Bonito Mesmo
O amor é muito imprevisível. Quando você pensa que tem o domínio, aí que você estará dominado. Não importa com quem seja, não importa como seja, é sempre a mesma coisa. O amor e sua arte de ser o amor
Por que ela age assim? Eu sei, cada um tem seu jeito, e sua forma de amar. Mas pra que não mostrar, querer ser o mais Durão ou o que demostra menos? Só pra dizer que é o "cara", que a outra pessoa é quem corre atrás de você? Temos tão pouco tempo aqui, e tudo passa tão rápido. Pra que brincar de joguinhos sentimentais, em vez de aproveitar ao máximo os momentos ao lado da pessoa? Amanhã pode ser tarde, e você vai se arrepender de não ter dado todo amor que podia. E muitos relacionamentos são assim, um jogo para ver quem faz o outro me amar mais, quem faz o outro se humilhar mais pelo outro. Qual o sentido disso tudo? Se amamos, devemos demonstrar. Não são todos que tem essa facilidade, talvez devido a algumas experiências em relacionamentos fracassados, experiências na família e tanto mais...
Mas de que vale dar mais uma oportunidade ao amor, se não for para esquecer as experiências ruins, e aprender que sempre tem algo melhor la na frente? Só porque não deu certo uma vez, a outra pessoa tem que pagar por isso?
Entre num relacionamento e se doe, mostre, diga e faça o que tem que ser feito. Se não der certo, você terá boas lembranças, será bem lembrado e saberá que deu seu melhor, se não deu certo, não era pra dar.
Para e pense por um minuto, se todas as pessoas que entram num relacionamento se doassem completamente, será que teríamos tantas separações, tantas desilusões? Duvido!! Até o mundo seria melhor. Ou não vai dizer, que quando você acorda e lê uma mensagem de "bom dia" da pessoa amada, você não se sente melhor?? Não sente que é lembrado e querido, sabe que tem uma pessoa que se preocupa com você e anseia pelo teu retorno!
Então, pra que guardar esse sentimento, como se fosse um objeto esperando por uma data especial para ser usado? Essa data pode nunca chegar, e você, perder a oportunidade de ter amado e ter sido amado verdadeiramente, apenas pelo fato de querer mostrar para as pessoas, uma coisa que você está louco pra sentir, mas que não da a oportunidade para isso. E um dia, quando cair a ficha, pode ser tarde para as aventuras ao lado da pessoa que tanto sonhou, para dizer as palavras que tanto quis dizer e para ouvir o que tanto precisava.
Um eu te amo, destrava tantas portas de corações, um bom dia anima muito, e um amor verdadeiro, salva vidas!
Viva hoje, ame hoje, demonstre hoje. Vale a pena investir, se doar, pois o que plantamos, também colhemos.
minha rima minha vida minha mente ortiça minha cara que tal eu acho que ñ , tava sem expiração mais ela votou como um Platão só que não , mais minha rima é tipo Afeganistão
tanta bala tanta bala mais um só coração .
Tudo passa! Quando você pensa que não vai mudar, é aí que muda, mas isso não significa que é para melhor, mas também não significa que é para pior. Então, simplesmente continue andando e verá o que há de acontecer com o futuro.
Os seres humanos são verdadeiramente iguais? Hoje em dia as pessoas não se cansam de falar da necessidade da igualdade. Um grande homem disse uma vez: "O céu não cria uma pessoa acima ou abaixo de outra". Mas a citação não termina aí.
Na verdade dizemos que somos iguais ao nascer mais depois as lacunas se aparecem.
Dizemos que as diferenças são os resultados dos esforços acadêmicos de uma pessoa, ou a falta deles.
De qualquer forma, os humanos são capazes de pensar por si mesmos.
"Igualdade" pode ser um conceito falso, mas a nossa desigualdade continua a ser difícil de aceitar.
Pálpebras de Neblina
Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar.
Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da Praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta, enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos 'Cânticos': "Não digas 'Eu sofro'. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram / que era sofrer?" Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo, o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama: nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia - coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical. Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker. Disfarçado, comecei a chorar. Troquei os óculos de lentes claras pelos negros ray-ban - filme. Resplandecente de infelicidade, eu subia a Rua Augusta no fim de tarde do dia tão idiota que parecia não acabar nunca. Ah! como eu precisava tanto que alguém que me salvasse do pecado de querer abrir o gás. Foi então que a vi.
Estava encostada na porta de um bar. Um bar brega - aqueles da Augusta-cidade, não Augusta-jardins. Uma prostituta, isso era o mais visível nela. Cabelo malpintado, cara muito maquiada, minissaia, decote fundo. Explícita, nada sutil, puro lugar comum patético. Em pé, de costas para o bar, encostada na porta, ela olhava a rua. Na mão direita tinha um cigarro, na esquerda um copo de cerveja. E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar - exposta, imoral, escandalosa - sem se importar que a vissem sofrendo.
Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para a própria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de néon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca grossa da vida. Sem o recurso dessas benditas levezas de cada dia - uma dúzia de rosas, uma música de Caetano, uma caixa de figos.
Comecei a emergir. Comparada à dor dela, que ridícula a minha, dor de brasileiro-médio-privilegiado. Fui caminhando mais leve. Mas só quando cheguei à Paulista compreendi um pouco mais. Aquela prostituta chorando, além de eu mesmo, era também o Brasil. Brasil 87: explorado, humilhado, pobre, escroto, vulgar, maltratado, abandonado, sem um tostão, cheio de dívidas, solidão, doença e medo. Cerveja e cigarro na porta do boteco vagabundo: Carnaval, futebol. E lágrimas. Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo?
Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça vadia chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "por quê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é daí que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?
Às vezes você se encontra em um caminho que você nunca esperou. O que não significa que ele não pode levá-lo a um lugar bonito.
O casamento é o mesmo medo partilhado, a mesma necessidade de ser consolado, a mesma vã carícia na escuridão.
Se puderes enfrentar o Triunfo e o Desastre
E tratar esses dois impostores do mesmo modo....
Educação não é o quanto você tem guardado na memória, nem mesmo o quanto você sabe. É ser capaz de diferenciar entre o que você sabe e o que você não sabe.
