Bonito Mesmo
Ando sozinho
Andei sozinho pelos lugares e entre multidões de pessoas e mesmo assim me senti só, me senti diferente, sejam nas ideias, sejam nas atitudes,
Olho para a minha esquerda e não vejo nada, olho para a minha direita e não sinto nada,
Continuo seguindo e olhando somente para frente na esperança de um dia poder olhar para trás e ver se deixei pelo menos um rastro de direção.
Deus é um paradoxo silencioso, que insisto em crer, mesmo sem compreender, mesmo sem ter palavras para explicar.
Migalhas espalhadas no chão para nós, pombos de olhar cansado. Mas a alma, mesmo à espera, não se curva, sabe que há céus inteiros por onde voar.
Assim como o homem não é o mesmo ao entrar no rio pela segunda vez, o escritor também muda junto de seus pensamentos. Ao reler opiniões de anos passados, percebo a transformação em minha visão, a evolução da minha percepção. Como as águas do rio, meu crescimento é contínuo, nunca se detém.
Toda felicidade do mundo seria inútil diante da ruína que você mesmo ergueu. Suas escolhas te esculpiram, não há retorno, e nada jamais apagará o que você se tornou.
Ser cristão é viver disposto a morrer por aquilo que se sente e se crê, mesmo sabendo que jamais será totalmente compreendido.
Nenhuma tempestade apaga o sol interior, a chama é selvagem, eterna, mesmo sob o peso sufocante das nuvens mais densas.
Nem mesmo os ventos impiedosos do norte puderam me ver sucumbir. Se a calmaria me foi negada, a constância me guiou, passos firmes, às vezes vagarosos, vezes até trêmulos, mas eternamente no rumo certo.
No breve tempo que me ausentei, ao regressar, percebi que já não era o mesmo. Os sentimentos haviam se esvaído como água entre as mãos, e em meu peito apenas o silêncio se aninhava. Aquele eu que um dia partira, morreu no exílio do tempo e jamais retornaria. Em seu lugar, restou apenas uma sombra errante, um eco de mim mesmo, condenado a habitar a casa, mas nunca mais a pertencer a ela.
